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Economia

Governo arrecada mais de R$ 170 bilhões em dois anos com novas receitas e mudanças legislativas

FolhaPress 09/06/2025 16:49

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nos dois primeiros anos de governo Lula, mais de R$ 170 bilhões foram arrecadados com medidas extraordinárias e mudanças legislativas, indica um estudo da Tendências Consultoria. Taxa das blusinhas, tributação de offshores -empresas fora do país- e dividendos extraordinários são algumas das novas fontes de receita encontradas pelo Ministério da Fazenda, de Fernando Haddad, entre 2023 e 2024.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O estudo foi conduzido pelo analista de contas públicas da empresa, João Leme, e utilizou dados de relatórios da Receita Federal e do Tesouro.

Segundo o levantamento, a tributação de fundos exclusivos e offshores, promulgada em dezembro de 2023, e dividendos extraordinários do BNDES, da Petrobras e de outras estatais, foram as que mais geraram contribuições com R$ 22,8 bi e R$ 38,1 bi.

A tributação de offshores define que os lucros obtidos com recursos de empresas ou contas fora do país sejam tributados em 15% sobre os ganhos, uma vez por ano, independentemente de o indivíduo resgatar ou não esses investimentos e trazê-los ao Brasil.

Outras novas tributações foram as das bets e blusinhas. Hoje, as casas de apostas têm uma tributação de 12%, enquanto as compras internacionais, popularmente chamada de blusinhas, de até US$ 50 (R$ 278,8) são taxadas em 20%

SESC PICASSO

Para Leme, o recolhimento de recursos esquecidos do PIS/Pasep, a reoneração dos tributos federais sobre combustíveis, além da limitação das compensações tributárias dos contribuintes, não são consideradas novas receitas, mas envolvem mudanças legislativas.

O primeiro gerou R$ 26 bilhões em 2023 e foi considerado receita pelo Tesouro Nacional. Entretanto, na metodologia do Banco Central (BC), o valor entrou como ajustamento da dívida.

A reoneração dos tributos federais sobre combustíveis gerou R$ 32,7 bilhões às contas públicas em 2024. "Não se considera uma nova receita porque se tinha uma medida em 2023 de zerar a alíquota sobre a comercialização. Quando essa tributação foi retomada, houve um aumento na verba", diz Leme.

A limitação das compensações tributárias dos contribuintes gerou um efeito líquido de R$ 11 bilhões, segundo relatório de dezembro de 2024 da Receita. "É uma estratégia temporária para controle de fluxo de pagamento, mas acaba gerando um efeito positivo de curto prazo".

CONTADOR - BONUS

Apenas as novas receitas do governo Lula geraram R$ 107,97 bilhões aos cofres públicos, calcula o estudo. Contando as medidas legislativas, o montante sobe para R$ 177,67 bilhões.

Para medida de comparação, o orçamento do Bolsa Família será de R$ 160 bilhões neste ano.

Para fechar as contas do ano, o Ministério da Fazenda elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no final de maio. A medida reverteu uma norma editada em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e previa arrecadar R$ 19,1 bilhões em 2025 e R$ 38,2 bilhões em 2026.

A medida não foi bem recebida e recebeu críticas do mercado financeiro e do Congresso, o que fez o governo recuar.

Após reunião de cinco horas com líderes partidários no último domingo (8), a pasta anunciou um acordo para reduzir as alíquotas do decreto que elevou o IOF e adotar novas medidas para compensar a perda de arrecadação.

As medidas anunciadas são mudança da taxação de apostas esportivas (bets) de 12% para 18%, aumento nas alíquotas da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) sobre fintechs e corretoras, cobrança de Imposto de Renda de 5% sobre títulos atualmente isentos (LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e outros) e aumento da tributação sobre JCP (Juros sobre Capital Próprio)

Anuncio - Raimundo - Bonus

O pacote prevê, inicialmente, apenas medidas pelo lado da ampliação da receita. Cortes estruturais de despesas ficaram de fora por falta de acordo.

Segundo João Leme, o anúncio vem ao encontro das expectativas de analistas. "As medidas são focadas na receita. Houve uma escolha por empurrar decisões sobre despesas para a frente".

Mudanças com efeito permanente para garantir a sustentação do arcabouço fiscal ficaram de fora do acordo, como o aperto nas regras no BPC (Benefício de Prestação Continuada), no Fundeb (fundo voltado para a educação básica), redução de transferências para estados e municípios e emendas parlamentares.

Após a reunião, Motta, Haddad e Alcolumbre disseram que as medidas de redução das despesas primárias do governo serão discutidas numa próxima reunião sem data marcada.

Segundo Leme, é difícil negociar as medidas estruturantes que comprometem a eficácia do arcabouço pela impopularidade. "Ano que vem é ano eleitoral, e isso deve dificultar a aprovação dessas medidas", diz.

Ele, contudo, vê como positivo o acordo anunciado neste domingo. "É uma tentativa de conseguir uma pauta consensual para fechar o orçamento. É o possível em meio aos interesses conflitantes".

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