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Economia

Governo adia regra sobre trabalho em feriados

Ministério prorroga por 90 dias exigência de negociação coletiva; setor produtivo pede revogação

Vitória News 27/02/2026 10:13
Governo adia regra sobre trabalho em feriados
Foto: Tânia Rêgo/ABr

O Ministério do Trabalho e Emprego prorrogou por mais 90 dias a entrada em vigor da Portaria nº 3.665/2023, que exige negociação coletiva para autorizar o trabalho em feriados e domingos. A norma passaria a valer em 1º de março, mas o prazo foi estendido para ampliar o diálogo entre empregadores e trabalhadores.

Durante o período de prorrogação, será instalada uma comissão bipartite com dez representantes dos trabalhadores e dez dos empregadores. As entidades terão cinco dias para indicar os nomes ao ministério. O grupo terá 90 dias para apresentar proposta consensual sobre o tema. As reuniões ocorrerão duas vezes por mês, com calendário a ser publicado no Diário Oficial, e contarão com assessoria técnica do Ministério do Trabalho.

Este é o quinto adiamento da portaria, editada em novembro de 2023 para regulamentar o artigo 6º-A da Lei nº 10.101/2000. A norma determina que estabelecimentos como supermercados, farmácias, lojas e shoppings só poderão funcionar em feriados mediante autorização em convenção coletiva de trabalho.

Empresas que descumprirem a regra poderão ser autuadas por auditores fiscais do trabalho e responder a ações judiciais movidas por empregados.

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil avalia que os sucessivos adiamentos geram insegurança jurídica e dificultam o planejamento de empresários e trabalhadores. A entidade sustenta que a portaria é inconstitucional e defende sua revogação.

Entidades do setor produtivo e frentes parlamentares também divulgaram manifesto contrário à medida. O documento é assinado pelas Frentes Parlamentares de Comércio e Serviços e do Empreendedorismo, pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços e pelo Instituto Brasileiro de Política e Economia.

No texto, os signatários defendem que o debate sobre o tema deve ocorrer no âmbito do Congresso Nacional e afirmam que a medida cria entraves ao setor produtivo.

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