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Economia

Frente dos precatórios volta a cobrar negociação

Vitória News 12/04/2024 11:04

A Frente Parlamentar (FP) dos Precatórios reuniu representantes de associações e sindicatos de servidores do estado do Espírito Santo para cobrar o pagamento da chamada trimestralidade, uma demanda que se arrasta desde 1990. A terceira reunião da frente foi pautada pelas novidades de uma audiência de conciliação intermediada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no começo do ano, que garantiu o andamento referente a três processos para a fase de cálculo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em Brasília ficou acordado que a Associação de Procuradores (Apes), o Sindipúblicos e a Associação de Subtenentes e Sargentos (Asses), apresentassem cálculos para subsequente avaliação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). São os casos que já foram julgados a favor dos servidores, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas o Supremo também julgou contrariamente outras 11 ações, um histórico que causa estranheza e crítica dos sindicalistas e lideranças. Entre as que avançam e as que ficam paradas, são 30 ações judiciais sobre a Trimestralidade no ES.

Os Precatórios da Trimestralidade têm origem na Lei 3.935/1987, que previa reajustes periódicos aos funcionários estaduais (Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos como o Ministério Público) durante uma época de alta inflacionária. Como o governo da época não pôde honrar os compromissos financeiros, servidores acionaram o pagamento na Justiça.

Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo (Sindijudiciário), Maria Clélia Almeida, que participou da reunião do CNJ, com o corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, foi proposta a divisão em etapas, para primeiro atender quem já ganhou pelo STF a ação de nulidade, “esses o governo tem que pagar”, enfatizou. As demais ações seriam divididas em blocos, o que preocupa e deixa as categorias mais agoniadas.

SESC PICASSO

“Alerto ao governador, para que não só nos ouça, mas nos escute. Essa questão do precatório da trimestralidade deixou de ser uma questão processual, é uma questão humanitária, nós vencemos todas as fases do processo, já passou das questões judiciais e políticas, agora é humanitária. Fizemos uma pesquisa, 60% dos beneficiários tem acima de 70 anos”, contou a sindicalista.

Segundo Maria Clélia, só o processo dos servidores do Judiciário teria 22 volumes, “16 só de tese do governo para anular o direito”. A convidada opinou que o Estado capixaba, ao ver entre 2015 e 2018 os três casos vencendo no STF, “correu” para reverter no STJ e acabou “ganhando” em 11 ações que o STF teve posição contra os servidores. Para a servidora, o STF deveria modular os efeitos e atacar falhas de interpretação, enquanto ao governador caberia “sensibilidade” para dialogar e construir um acordo a ser levado ao CNJ.

“O governador pode sim dialogar e levar um acordo para o CNJ, nossa solução está na mesa dele”, afirmou para explicar que as ações anulatórias existem por conta de erros do passado e o que muitas categorias estão aceitando como pagamento seria “o mínimo, aquilo que a Justiça definiu”, entre 2% e 5% dependendo o caso do débito real desses 30 anos.

Diálogo

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O presidente da Associação dos Militares da Reserva, Reformados e da Ativa do Espírito Santo (Aspomires), capitão Guilherme Thompson de Mendonça, criticou a demora em resolver a questão dos precatórios. “Muitos já morreram, outros tantos com a vida financeira impactada pela decisão lá atrás”. Mendonça apontou ainda que o governador “teria condições de fazer história”. A  mesma cobrança foi feita pelo vice-presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar e Bombeiros Militares, Adenivaldo Pereira.

Para a diretora administrativa e financeira do Sindicato dos(as) Trabalhadores(as) em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Noemia Simonassi, é preciso acreditar na Justiça dos homens, e o ES teria condições de receber as categorias. “Qualquer processo, se chegou no STF e foi transitado em julgado, não tem mais o que fazer, mas por que inventa moda? Vários governantes passaram e colocaram o servidor em segundo plano”, criticou.

Noemia considera que há uma forma injusta de tratar os servidores. “O processo dos procuradores será pago, mas os demais não”. O Sindiupes falaria em nome de 10 mil servidores. “Queremos pelo menos sentar e conversar, porque a Justiça tem que prevalecer no  ES. Somos um estado organizado, mas o servidor não é valorizado”.

Para Vinicius de Moraes Dias, diretor jurídico da Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militares do Estado do Espírito Santo (Aspra-ES), o processo da trimestralidade passou a causar transtorno quando passou a ser político, com uma causa comum recebendo julgamentos individuais. A Aspra é envolvida com o quarto maior processo de precatório. “É preciso negociar e movimentar ainda mais a política e setores políticos, se não perderemos”, sentenciou.

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O deputado estadual e presidente da Frente, Coronel Weliton (PRD), avalia que o momento é o mais propício ao debate, e disse ter ouvido inclusive de membros do Poder Executivo manifestações neste sentido. “O Estado que é nota A em capacidade de pagamento, nota A em capacidade de endividamento, teria condição de assumir toda e qualquer dívida que ainda mantém com qualquer instituição ou qualquer pessoa”, defendeu.

“Há 30 anos temos processos rolando na Justiça capixaba e em outras instâncias referentes a esses créditos (...) precisamos horizontalizar e pacificar as informações. Pior do que não sermos pagos é não sabemos como está o processo”, afirmou.

Frente dos Precatórios

A Frente Parlamentar em Defesa dos Pagamentos dos Precatórios dos Servidores Públicos do Estado do Espírito Santo é composta pelos deputados Coronel Weliton (presidente), Capitão Assumção (secretário-executivo), Alcântaro Filho (Republicanos), Callegari (PL), Delegado Danilo Bahiense (PL), Dr. Bruno Resende (União), Engenheiro José Esmeraldo (PDT), Hudson Leal (Republicanos), Lucas Polese (PL) e Lucas Scaramussa (Podemos).

Criado pelo Ato 1.957 de 22 de agosto de 2023, o colegiado tem por finalidade debater, discutir, buscar atualizações governamentais oficiais dos processos judiciais, cronogramas de pagamento e contribuir de forma positiva na construção de proposições cabíveis e adequadas ao efetivo pagamento e recebimento dos valores devidos.

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