O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) encerrou no início da noite deste sábado, 3, seu último ato de campanha nas ruas antes do primeiro turno em frente à Paróquia São Sebastião e Santa Cecília, na Praça da Fé, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O fim da mobilização, que percorreu cerca de 10 quilômetros, coincidiu com o horário de uma celebração religiosa na igreja.
Flávio deixou o local sem falar com a imprensa. Mesmo sob chuva fraca, apoiadores permaneceram reunidos na praça cantando jingles de campanha em ritmo de funk. Houve também queima de fogos. O candidato percorreu o trajeto entre Campo Grande e Bangu em carreata e motociata ao lado de aliados, entre eles o candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (PL) e os candidatos ao Senado Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL).
A chegada em frente à igreja ocorre após a campanha presidencial ser atravessada, na reta final, por uma controvérsia envolvendo religião. Circulou nas redes sociais a informação falsa de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Não há proposta do candidato nesse sentido. O boato teve como referência um projeto apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte, sem relação com Flávio. O candidato negou a informação e acionou a Justiça Eleitoral contra sua divulgação.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 1º, mostrou Flávio com 52% das intenções de voto entre os evangélicos, ante 26% de Lula (PT). Entre os católicos, Lula registrou 50%, e Flávio, 32%. Os porcentuais são de votos totais. A margem de erro é de quatro pontos porcentuais entre evangélicos e três entre católicos. O levantamento ouviu 2.506 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro e está registrado no TSE sob o número BR-08039/2026.
O encerramento do ato provocou incômodo entre integrantes da paróquia. Uma autoridade religiosa afirmou à reportagem que a igreja não havia sido avisada sobre a concentração e que precisou encerrar a missa 20 minutos antes do previsto. "A missa estava lotada de fiéis. Nós estamos aqui antes dele. Bastava alinhar", afirmou. Uma mulher que deixava a celebração classificou a situação como "uma completa falta de respeito". Na saída, apoiadores de Flávio também cruzaram com um grupo ligado ao PT que fazia campanha para candidatos a deputado estadual. Houve um princípio de discussão, encerrado sem outros desdobramentos.