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Fintechs falam em perplexidade após alívio para bets na MP dos impostos

FolhaPress 07/10/2025 19:36

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Associações de fintechs -empresas que prestam serviços financeiros digitais- criticaram e disseram ver com perplexidade o relatório do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) que manteve alíquota maior para o setor, mas aliviou para as bets.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em relatório aprovado na comissão mista que analisa a MP (medida provisória) 1.303, o deputado recuou da tributação de títulos isentos, como LCAs e LCIs (Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliárias, respectivamente) e também desistiu de aumentar a alíquota das casas de aposta virtual. O texto precisa ser aprovado pelos plenários da Câmara e do Senado.

O relator manteve o reajuste da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) cobrada das fintechs. A alíquota saiu de 9% para 15% sobre instituições de pagamento e de 15% para 20% sobre empresas de crédito, financiamento e investimento. A dos bancos permanece em 20%.

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Um dos artigos apresentados por Zarattini fala em excluir do imposto majorado instituições que possam vir a ser classificadas como instituições financeiras pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Na interpretação de um representante do setor ouvido pela Folha, isso excluiria as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Crédito entre Pessoas (SEPs), o que inclui cerca de 200 empresas com atuação em território nacional. As demais fintechs, no entanto, continuam na mira.

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Presidente da Zetta, uma das associações do setor, Eduardo Lopes diz que derrubar o aumento na taxação das fintechs faria mais sentido do que poupar as bets. "De tudo que a gente tem na MP, a gente vê que esse ponto é o que tem mais mérito para ser derrubado", diz. "Ao nosso ver, as fintechs têm um papel muito importante de inclusão financeira e acesso a crédito".

Ele diz que o aumento na taxação pode obrigar algumas empresas a rever a gratuidade de determinados serviços, como a manutenção de cartões de crédito e contas de pagamento. De outro lado, também reduziria a competição no setor ao desincentivar a entrada de novas concorrentes.

"A gente avalia com alguma perplexidade", afirma Diego Perez, presidente da ABFintechs (Associação Brasileira das Fintechs). "A percepção é de que o governo quer taxar algumas fintechs que cresceram demais, mantendo uma tributação equivalente à de bancos".

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Ele diz que as fintechs conquistaram espaço por oferecer serviços mais baratos, e agora terão que repassar parte da taxação para o cliente final. "Parece que o sucesso está sendo penalizado por meio de tributação."

A Abranet (Associação Brasileira de Internet) disse que considera bastante negativo o relatório do deputado Zarattini. "Caso a MP seja aprovada com o texto atual, micro e pequenos empreendedores serão diretamente prejudicados com aumentos de custos", diz nota enviada pela entidade. "É o contrário do que o governo pretende".

A associação afirma que apresentou às autoridades proposta alternativa de aumentar 10% na CSLL de todo o setor bancário, o que traria valor equivalente de arrecadação para o governo.

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