Entidade estima forte avanço das compras internacionais de até US$ 50 e alerta que indústria de transformação concentraria a maior parte das perdas.
O fim do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode provocar a perda de 109 mil empregos e reduzir em aproximadamente R$ 21,8 bilhões a produção doméstica, segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A estimativa considera os efeitos da retirada da chamada “taxa das blusinhas” sobre as importações realizadas por meio do Programa Remessa Conforme.
Na avaliação da CNI, a redução da tributação tende a ampliar a diferença de competitividade entre produtos nacionais e importados, estimulando consumidores a direcionar uma parcela maior dos gastos para mercadorias compradas no exterior.
A entidade projeta que aproximadamente 249,5 milhões de encomendas de pequeno valor devem entrar no Brasil pelo Programa Remessa Conforme em 2026 caso a cobrança seja retirada.
Esse volume representaria crescimento de 56,3% em relação ao ano passado. Em valores, as importações devem alcançar US$ 4,6 bilhões, alta de 65,7% na comparação anual.
A CNI também calculou como seria o comportamento das compras caso o imposto fosse mantido.
Nesse cenário, o Brasil receberia cerca de 194,9 milhões de remessas em 2026, com valor total de US$ 3,2 bilhões. As altas em relação a 2025 seriam de 22,1% no número de encomendas e de 16,2% no valor importado.
Na comparação entre os dois cenários, portanto, a retirada do imposto elevaria em 28% o número de remessas e em 42,6% o valor gasto com as importações em relação ao que seria registrado com a manutenção da tributação.
A indústria de transformação aparece como o segmento mais exposto aos efeitos projetados.
Segundo o estudo, cerca de dois terços do impacto total sobre a produção devem recair sobre esse setor, devido à concorrência direta entre produtos fabricados no Brasil e itens importados, como roupas, eletrônicos e outros bens de consumo.
A estimativa é de perda de aproximadamente 70 mil empregos apenas na indústria de transformação, acompanhada de redução de R$ 15,5 bilhões na produção do segmento.
Outro cálculo apresentado pela CNI indica que, para cada R$ 1 destinado às importações pelo Programa Remessa Conforme, deixam de ser gerados R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas brasileiras.
A entidade argumenta ainda que produtos fabricados no país enfrentam uma carga tributária diferente daquela aplicada às mercadorias importadas de baixo valor, o que ampliaria a vantagem de preço dos itens estrangeiros.
A discussão ganhou força com a Medida Provisória 1.357/2026, que prevê a suspensão da cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
O texto está em análise no Congresso e integra a agenda de votações acertada entre governo, Câmara e Senado.
Para a CNI, a retirada definitiva da cobrança pode estimular uma nova expansão das importações de pequeno valor e aumentar a pressão sobre setores da indústria brasileira mais expostos à concorrência direta com plataformas internacionais.
Os números apresentados representam projeções da entidade e dependem do comportamento efetivo dos consumidores, do volume de importações e das condições econômicas após eventual mudança na tributação.