A falta de recursos para a defesa agropecuária no Brasil acendeu alerta no setor e foi tema de debate na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Especialistas e parlamentares apontaram que a limitação orçamentária pode comprometer o controle de pragas e doenças, afetando diretamente a produção de alimentos e as exportações.
A defesa agropecuária reúne ações voltadas à proteção da saúde animal e vegetal, fiscalização do uso de insumos e garantia da qualidade sanitária dos produtos. O sistema é considerado essencial para prevenir crises sanitárias e manter a competitividade do agronegócio brasileiro.
Em 2025, o orçamento da área foi de R$ 214 milhões. Segundo o Ministério da Agricultura, mais de 95% dos recursos são executados, mas atrasos nos repasses podem gerar prejuízos permanentes, especialmente em situações emergenciais.
Entre os principais riscos apontados estão a vassoura-de-bruxa na mandioca, a influenza aviária, a monilíase do cacaueiro e a mosca-da-carambola. Esta última teve foco recente em Manaus, exigindo gasto emergencial de R$ 200 mil para controle. De acordo com técnicos, cada R$ 1 investido na prevenção pode evitar até R$ 34 em perdas futuras.
Representantes do setor também destacaram prejuízos já registrados. A lagarta Helicoverpa armigera, por exemplo, causou perdas estimadas em R$ 1,5 bilhão no oeste da Bahia, evidenciando o impacto econômico das falhas no sistema de controle.
Diante do cenário, participantes do debate defenderam a criação de um fundo específico para emergências sanitárias e a proteção do orçamento da área contra contingenciamentos. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 95/24 foi citado como alternativa para garantir a execução integral dos recursos.
Entidades do agronegócio alertam que a incerteza orçamentária pode aumentar custos futuros, pressionar os preços dos alimentos e afetar a balança comercial. Também foi destacado que a manutenção de um sistema robusto de defesa agropecuária é essencial para o cumprimento de acordos internacionais.
A avaliação técnica é de que o setor deve ser tratado como estratégico, com nível de prioridade semelhante ao de áreas consideradas essenciais para a segurança nacional.