Pesquisa da CNA e do Cepea mostra que 84,3% trabalham com equipes menores que o necessário e quase metade já adiou ou desistiu de planos de expansão.
A dificuldade para encontrar trabalhadores já se tornou um dos principais entraves enfrentados pelo agronegócio brasileiro. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizado em parceria com o Cepea/Esalq/USP, mostra que quase 95% dos empregadores consultados relatam algum grau de dificuldade para contratar mão de obra no campo.
O problema também aparece no tamanho das equipes. Segundo a pesquisa, 84,3% dos participantes afirmaram operar atualmente com um número de funcionários inferior ao necessário para suas atividades.
A escassez de trabalhadores já provoca reflexos diretos sobre a produção. Entre os entrevistados, 88,3% disseram ter enfrentado algum impacto em seus negócios em razão da dificuldade para contratar.
Os atrasos nas operações aparecem entre as principais consequências e foram relatados por 48,7% dos produtores. Outros 48% afirmaram ter adiado ou até abandonado planos de expansão devido à falta de profissionais.
O aumento das despesas com mão de obra foi mencionado por 43,9% dos participantes, enquanto 42% relataram redução da produção.
Para 44,5% dos produtores consultados, a disponibilidade de trabalhadores já representa o principal desafio do negócio rural, superando questões como custos de produção, condições climáticas e preços.
A dificuldade para contratar também está acelerando investimentos em tecnologia. Segundo o levantamento, 42,6% anteciparam projetos de mecanização ou automação para reduzir a dependência de mão de obra.
No total, 88,8% dos produtores disseram ter adotado algum tipo de medida para enfrentar o problema. Além da mecanização, as estratégias incluem mudanças para atrair e reter profissionais, alterações na atividade produtiva e maior contratação de serviços terceirizados.
A transformação do mercado de trabalho rural ocorre ao mesmo tempo em que a produtividade do setor cresce. Entre 1995 e 2025, a produtividade por hora trabalhada na agropecuária brasileira aumentou 515%, segundo os dados apresentados no estudo. No conjunto da economia, o avanço foi de 28% no mesmo período.
Outro indicador ajuda a mostrar a mudança estrutural no campo. Entre 2012 e 2025, a área agrícola brasileira aumentou 43,2%, enquanto o número de empregados a cada 100 hectares caiu 38,5%.
A pesquisa aponta que fatores demográficos e sociais também ajudam a explicar a menor disponibilidade de trabalhadores rurais. Entre eles estão a urbanização, o aumento da escolaridade e a ampliação das oportunidades de emprego em outras atividades econômicas.
Nesse cenário, a tendência é de que a falta de profissionais continue estimulando investimentos em máquinas, automação e novas formas de organização do trabalho, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre os produtores para oferecer condições capazes de atrair e manter trabalhadores no campo.