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Mais de 75% das exportações brasileiras para os EUA sofrem tarifas adicionais, aponta estudo da CNI

Vitória News 11/08/2025 07:58

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que mais de três quartos das exportações brasileiras para os Estados Unidos, principal destino da indústria de transformação nacional, estão atualmente sujeitas a tarifas extras. As sobretaxas são resultado de medidas protecionistas implementadas pelo governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump e mantidas nos últimos anos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com o estudo, 77,8% da pauta exportadora brasileira para o mercado norte-americano enfrentam algum tipo de taxação extra, que inclui tarifas de 10%, 40% e as previstas na Seção 232 do Trade Expansion Act, com alíquotas que chegam a 25% e 50%. Entre os produtos mais afetados estão aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças, setores que têm forte peso na balança comercial brasileira.

A CNI destaca que alguns segmentos são especialmente vulneráveis à combinação de tarifas que podem chegar a 50%. Entre eles, estão:

SESC PICASSO
Setor Percentual de produtos exportados afetados
Vestuário e acessórios 14,6%
Máquinas e equipamentos 11,2%
Produtos têxteis 10,4%
Alimentos 9,0%
Produtos químicos 8,7%
Couro e calçados 5,7%

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, alerta que o impacto econômico pode ser expressivo. “Em um cenário de aumento de alíquota de 50% adicional para as exportações brasileiras, estamos falando de um impacto negativo no PIB brasileiro de R$ 20 bilhões e nos empregos para a indústria em torno de 30 mil”, afirma.

O estudo utilizou dados da United States International Trade Commission (USITC), com base no código tarifário norte-americano em nível detalhado (10 dígitos). A análise permitiu identificar com precisão os produtos atingidos por diferentes ordens executivas emitidas nos últimos anos.

Governo prepara plano de contingência

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Para José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as ações do governo brasileiro serão determinantes para evitar uma crise mais profunda no setor exportador.

“As medidas em desenvolvimento pelo governo brasileiro são cruciais para dar fôlego às empresas, abrangendo aspectos como capital de giro, crédito e questões tributárias e trabalhistas”, ressalta. Segundo a entidade, o segmento de máquinas e equipamentos responde por cerca de 20% dos US$ 18 bilhões em produtos brasileiros impactados pelas tarifas adicionais.

Constanza Negri lembra que, mesmo com algumas isenções, o setor de máquinas e equipamentos continua entre os mais atingidos. “O setor de máquinas e equipamentos é um dos principais na nossa pauta de exportação para os Estados Unidos, que ainda está sujeito a alíquota de 50%, em alguns casos, se a gente for lembrar que o Brasil já é sujeito a uma alíquota de 10% na medida que foi anunciada [pelos EUA] em abril”, explica.

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CNI apresenta lista de propostas ao governo

Para reduzir as perdas e manter a competitividade das empresas, a CNI entregou à equipe econômica uma lista com oito propostas. Entre elas, estão:

  • Criação de linhas de crédito subsidiadas para empresas exportadoras;

  • Ampliação do prazo para liquidação de contratos de câmbio;

  • Aplicação do direito provisório de exportar produtos abaixo do valor justo de mercado (dumping);

  • Adiamento do prazo de pagamento de tributos federais;

  • Reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE).

“Buscamos, com isso, mitigar os efeitos econômicos adversos aos setores afetados pelas barreiras, preservar a capacidade exportadora das empresas brasileiras e garantir a continuidade das operações internacionais em um cenário de alta imprevisibilidade”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Fonte: Br61

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