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Exportação de petróleo do Brasil para os EUA pode ser redirecionada, diz setor

FolhaPress 10/07/2025 18:08

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O setor de petróleo diz ver com preocupação a sobretaxa às exportações brasileiras anunciada nesta quarta-feira (9) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas avalia que outros mercados têm condições de absorver o petróleo hoje vendido pelo Brasil no mercado americano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A adoção de reciprocidade com a taxação de produtos americanos, porém, poderia ter maior impacto sobre a economia brasileira, já que os Estados Unidos fornecem 23% do diesel importado atualmente pelo Brasil.

Petróleo e combustíveis representam cerca de 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Em 2024, essas vendas somaram US$ 3,2 bilhões.

Não é, porém, grande volume perto do total de exportações de petróleo e combustíveis do Brasil, que somaram US$ 51 bilhões no mesmo ano. Por se tratar de uma commodity com grande liquidez, as empresas do setor entendem que podem redirecionar a parcela americana a outros países.

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Principal exportadora de petróleo do país, a Petrobras disse em nota que ainda está avaliando o impacto das tarifas, mas que mantém sua estratégia "de buscar sempre a melhor alternativa para a empresa em qualquer cenário".

"O posicionamento comercial e a atuação global da Petrobras permitem monitorar permanentemente os movimentos do mercado internacional e observar as opções mais econômicas", concluiu a companhia, no comunicado enviado à reportagem.

O principal cliente da Petrobras é a China, que ficou com 30% do petróleo exportado pela estatal no quarto trimestre de 2024. Os Estados Unidos responderam por 9%. Naquele trimestre, houve grande crescimento das compras de países asiáticos além da China, puxado principalmente pela Índia.

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Os Estados Unidos, por outro lado, têm peso relevante nas exportações de derivados de petróleo pela estatal: no quarto trimestre de 2024, representaram 35% das vendas. A Petrobras é exportadora de combustíveis mais pesados, como o óleo combustível.

Vitor Sabag, especialista em combustíveis do Gasola, destaca, porém, que as importações de diesel dos Estados Unidos para o Brasil poderiam ser afetadas caso o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) opte por taxar aquele país em reciprocidade.

"Em abril, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra ações unilaterais que prejudiquem a competitividade do país", lembrou, em nota.

A principal alternativa ao diesel americano, diz, é a Rússia, hoje responsável por 60% das importações brasileiras. Esse produto, porém, não é comprado por grandes distribuidoras que têm ações em bolsa, por receio das sanções impostas por Estados Unidos e Europa após o início da guerra na Ucrânia.

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Representante das grandes petroleiras com atividade no país, incluindo as americanas ExxonMobil e Chevron, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) disse ver com preocupação a sobretaxa anunciada por Trump na quarta.

Em nota, afirma que a medida traz incertezas para o setor de petróleo e gás, que responde hoje por 17% do PIB industrial brasileiro e 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos no país. E ressalta que o petróleo foi o principal produto da pauta de exportações brasileira em 2024.

"O IBP defende o diálogo aberto entre as lideranças brasileiras e norte americanas a fim de encontrar uma solução diplomática para esta questão e preservar a estabilidade institucional e o fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente", disse.

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