João Carlos Mansur discute acordo de colaboração premiada envolvendo informações sobre Daniel Vorcaro; negociação ainda depende de formalização e homologação judicial.
João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, avançou nas negociações para firmar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
As tratativas para uma possível delação não começaram agora. A negociação vinha sendo conduzida havia meses e teria avançado recentemente para uma fase de ajustes entre a defesa do empresário e integrantes do Ministério Público.
Informações divulgadas nesta quarta-feira (26) indicam que a proposta apresentada por Mansur reúne 17 anexos e concentra parte relevante do conteúdo em operações relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Também foi informado que a negociação prevê o pagamento de aproximadamente R$ 40 milhões em multas. Esses detalhes específicos, no entanto, ainda não foram confirmados publicamente pela PGR.
A existência de uma proposta não significa que a colaboração premiada já esteja valendo. O acordo precisa ser negociado e formalizado entre as partes e, posteriormente, submetido à Justiça para homologação antes de produzir os efeitos previstos em lei.
Mansur passou a ser investigado em operações que apuram possíveis irregularidades envolvendo empresas do mercado financeiro. A Reag também apareceu em diferentes frentes de investigação conduzidas pelas autoridades.
Em março deste ano, ao prestar depoimento no Senado, Mansur negou participação em fraudes e associação com organizações criminosas. Na ocasião, foi questionado sobre operações financeiras e sobre a atuação da Reag em negócios que passaram a ser examinados pelos órgãos de investigação e fiscalização.
A Comissão de Valores Mobiliários também mantém procedimentos relacionados a operações envolvendo instituições e empresas ligadas aos grupos Master e Reag, dentro de uma apuração mais ampla sobre movimentações realizadas no mercado de capitais.
O eventual acordo de colaboração ganha importância porque investigadores procuram compreender a estrutura das operações realizadas entre empresas, fundos e instituições financeiras que passaram a ser alvo das apurações.
Daniel Vorcaro, por sua vez, também chegou a buscar um acordo de colaboração premiada. A proposta apresentada anteriormente pelo ex-controlador do Banco Master não avançou após avaliação das autoridades de que o material oferecido, naquele momento, não reunia elementos suficientes para justificar o benefício.
Esse contexto aumenta a expectativa sobre o conteúdo que Mansur poderá apresentar e, principalmente, sobre a existência de documentos ou outros elementos capazes de confirmar as informações fornecidas.
Em uma colaboração premiada, as declarações do interessado não são suficientes, por si só, para comprovar crimes. As informações precisam ser confrontadas com documentos, registros financeiros, depoimentos e outras provas obtidas durante a investigação.
Até o momento, não há anúncio público informando que o acordo de Mansur tenha sido definitivamente assinado ou homologado. Por isso, as informações sobre o conteúdo dos anexos devem ser tratadas como parte de uma negociação ainda em andamento.
Caso a colaboração seja formalizada, os dados fornecidos pelo empresário poderão abrir novas linhas de investigação ou reforçar apurações já existentes sobre as operações envolvendo a Reag, o Banco Master e outros agentes do mercado financeiro.