Serviços e comércio lideraram as contratações no Espírito Santo, que registrou o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged
O mercado de trabalho do Espírito Santo registrou forte avanço em março e alcançou o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020. Foram criadas 7.392 vagas com carteira assinada, resultado quase quatro vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 1.875 empregos formais.
O levantamento do Connect Fecomércio-ES, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra que a recuperação foi impulsionada principalmente pelos setores de serviços e comércio, responsáveis por 4.394 novas vagas.
O segmento de serviços abriu 2.965 postos de trabalho, enquanto o comércio respondeu por 1.429 contratações, revertendo o desempenho negativo observado no início do ano e também em março de 2025.
Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os números indicam uma retomada mais ampla da atividade econômica.
“O resultado positivo ocorreu em todos os setores e mostra um ambiente econômico mais favorável para contratações, impulsionado tanto pela retomada do consumo quanto pela melhora gradual das condições econômicas”, afirmou.
Com o resultado de março, o Espírito Santo passou a contabilizar 935.791 empregos formais. O setor terciário segue como principal empregador do estado, concentrando 71,6% dos vínculos com carteira assinada, sendo 46,1% nos serviços e 25,5% no comércio.
No acumulado do primeiro trimestre, o saldo chegou a 12.814 vagas, crescimento de 51,8% em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo Spalenza, o desempenho do comércio chamou atenção por ocorrer antes do período tradicionalmente mais forte para contratações.
“O primeiro trimestre mostra uma aceleração importante do mercado formal de trabalho. O comércio, por exemplo, apresentou uma recuperação acima do esperado para o período, já que tradicionalmente as contratações do setor ganham força apenas no segundo semestre. Isso indica uma antecipação da recomposição das vagas e um ambiente de maior confiança por parte das empresas”, explicou.
Entre os destaques do comércio, o varejo gerou 764 empregos, sendo que os supermercados responderam por 750 dessas vagas. No atacado, foram abertas 491 posições, com destaque para os segmentos de alimentos, bebidas e materiais de construção.
Já o setor de serviços respondeu sozinho por mais da metade dos empregos criados no estado durante o primeiro trimestre. As áreas de saúde humana e serviços sociais lideraram as admissões em março, com 916 vagas.
A indústria também apresentou resultado positivo, com a criação de 1.423 empregos. Na construção civil foram abertas 1.338 vagas, enquanto a agropecuária registrou saldo de 238 postos de trabalho.
Outro fator apontado como favorável à geração de empregos é a redução gradual dos juros. A taxa básica caiu de 15% para 14,75% em março e chegou a 14,50% no fim de abril.
“A redução dos juros, mesmo ainda em patamar elevado, ajuda a estimular investimentos e fortalecer o consumo das famílias. Esse cenário tende a favorecer novas contratações ao longo dos próximos meses”, avaliou Spalenza.
O levantamento mostra ainda que o interior teve papel decisivo na geração de empregos. Embora a Grande Vitória tenha concentrado 3.329 vagas em março, o interior respondeu por 4.063 postos de trabalho no mês e por 7.666 no acumulado do primeiro trimestre.
Aracruz lidera a criação de empregos em 2026, com saldo de 1.970 vagas, impulsionado principalmente pela atividade industrial. Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e São Mateus também registraram resultados positivos.
“Quando a geração de empregos avança no interior, o desenvolvimento econômico se torna mais equilibrado e sustentável. Isso amplia a circulação de renda nas diferentes regiões do estado e reduz a concentração econômica na Grande Vitória”, ressaltou Spalenza.