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Economia

Entidades veem melhorias na reforma do setor elétrico após vetos, mas ainda apontam problemas

FolhaPress 26/11/2025 16:10

PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) - Entidades e associações do mercado de energia reagiram com cautela ao resultado final do texto da reforma do setor elétrico, após vetos feitos pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício da Presidência da República. Para elas, trechos mantidos ainda podem criar problemas para esse mercado no futuro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os vetos em MP aprovada pelo Congresso foram publicados no Diário Oficial da União desta terça-feira (25) e barraram trechos como os que tratavam do cálculo de royalties do petróleo e da compensação aos produtores pelas perdas com cortes na produção de energia.

A Abrace, entidade que representa empresas que são grandes consumidoras de energia, era uma das críticas da emenda que previa o repasse do ressarcimento a usinas eólicas e solares prejudicadas pelo "curtailment" (termo em inglês para corte de geração de energia) para a tarifa de energia. O trecho foi um dos retirados pelo governo —segundo a associação, a regra poderia ter impacto de R$ 7 bilhões na conta de luz.

O grupo comemorou a confirmação desse e de outros vetos, afirmando em nota que eles "representam preocupação com custo da energia e podem sinalizar início de ciclo de melhorias para o setor". A entidade avalia que o texto ainda traz "um conjunto de problemas que vai exigir novas intervenções sobre o setor, mas carrega avanços importantes que precisam ser reconhecidos".

Os problemas citados pela Abrace incluem a prorrogação do uso de usinas a carvão até 2040 e o trecho do texto que determina a compra compulsória de energia de determinadas fontes, como carvão, biomassa e pequenas usinas hidrelétricas.

SESC PICASSO

Os mesmos dispositivos foram alvos de crítica de outras duas entidades. O movimento União pela Energia, que reúne 70 associações e federações da indústria, e a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) reconheceram a relevância dos vetos, mas destacaram que os trechos mantidos preocupam.

"A indústria não concorda com reservas de mercado e direcionamentos para fontes específicas. Contratações obrigatórias e sinais econômicos equivocados levam a ineficiências e perpetuam atrasos, justamente em um país com tamanho potencial energético como o Brasil", disse o União em nota sobre as contratações compulsórias.

A Fiemg, por sua vez, afirmou que o resultado traz avanços, mas criticou a prorrogação do uso de usinas a carvão, afirmando que o trecho "representa um custo superior a R$ 1 bilhão por ano até 2040 e configura um retrocesso ambiental relevante".

Houve repercussão negativa no setor de energias renováveis. A Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) criticou a retirada do artigo que tratava da compensação às usinas solares e eólicas.

Para a entidade, a medida "representa grave risco aos projetos existentes e pode levar à perda de credibilidade, fuga de capital, fechamento de empresas, perda de empregos e retrocesso na transição energética". A associação diz que o veto viola regras vigentes quando as usinas foram contratadas, projetadas e construídas, o que "eleva a percepção de insegurança jurídica e instabilidade regulatória" no Brasil.

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Veja a lista com os principais vetos do governo:

Curtailment: Foi rejeitada regra de compensação pelas perdas com cortes de energia. No entanto, o veto manteve a garantia de que as empresas produtoras serão pagas se tiverem que cortar a produção por problemas técnicos na rede.

Leilão de baterias: Foi vetada a regra que forçava apenas quem produz energia a pagar pelos grandes sistemas de armazenamento.

Regras de concorrência: Foi retirado o trecho que tornava obrigatório que os processos de concorrência do setor elétrico seguissem estritamente as diretrizes do planejamento do setor.

Divisão de Prejuízo: O governo rejeitou um mecanismo que forçaria os produtores de energia a dividir entre si parte dos custos de quando há cortes de energia. O tema foi adiado para ser discutido depois, incluindo as regras de micro e minigeração distribuída.

Taxas para o comércio de energia: Foi barrada a obrigação das empresas que comercializam energia (mas não a produzem) de pagar por pesquisa e eficiência energética.

Micro e minigeração distribuída: Foi vetada a inclusão de novos custos da micro e minigeração distribuída (estimados em R$ 5 bilhões) na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

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Leilões isolados: Veto mantém que a realização de leilões para locais que não estão conectados à rede principal de energia seja definida pelo planejamento do setor. Também evitou uma regra específica que atribuía responsabilidade à distribuidora do Amazonas.

Migração de grandes geradoras: Veto impede que usinas de energia que já operam no mercado livre migrem para o sistema de geração distribuída (onde as regras são diferentes).

Punição para servidores: Foi vetada a regra que tornaria a omissão ou a falta de contratação de serviços essenciais de energia um ato de improbidade administrativa para o servidor público.

Custo da TV na conta de luz: Foi rejeitada a regra que permitiria a utilização de recursos do programa Luz para Todos para equipamentos de recepção de sinal de televisão aberta ("banda Ku").

Linha de Transmissão RO-AM: Foi retirada a obrigação de licitar de forma imediata o sistema de transmissão que ligaria Porto Velho (RO) a Manaus (AM). O veto mantém que o planejamento do setor defina as melhores alternativas para essa ligação.

Leilões anuais: Foi vetada a regra que obrigava a realização de leilões de potência para garantir energia extra todos os anos. Agora, o governo decide quando fazer esses leilões.

Preço do petróleo: Foi vetada uma regra que revisava o preço de referência do barril de petróleo usado no cálculo dos royalties. O governo justificou o veto afirmando que a redefinição da base de cálculo geraria "insegurança jurídica e risco de judicialização, bem como comprometeria investimentos de longo prazo em curso no setor de óleo e gás".

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