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Economia

Enterrada, fusão entre Gol e Azul estava congelada pelas empresas há meses

FolhaPress 27/09/2025 11:07

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enterrada oficialmente na noite de quinta-feira (25), a fusão entre Azul e Gol já não era uma realidade entre as companhias aéreas há meses e estava congelada desde junho, segundo envolvidos na negociação. O anúncio levado ao mercado inicialmente pela Abra, controladora da Gol, foi a forma encontrada pela holding para encerrar as especulações em torno de uma possível união.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Assinado em janeiro, o memorando de entendimentos previa uma fusão das companhias. Naquele momento, a Gol ainda estava se reorganizando financeiramente para acertar suas contas com credores dentro do Chapter 11 (a recuperação judicial nos Estados Unidos) e a Azul, apesar das dificuldades apontadas nos balanços, vivia um cenário menos complicado.

O memorando também servia como uma opção de negócios visando a união de forças em um setor extremamente sensível da economia global. Ambas as companhias sofreram apertos financeiros na pandemia, o que desencadeou um crescimento brutal da dívida —aliado ainda à alta do dólar e do preço do combustível de aviação.

SESC PICASSO

Apesar de dividirem a governança meio a meio, a Azul ficaria com uma parte maior da futura operação e a Gol teria cerca de 10% das ações. Acontece que, no final de maio, a Gol encerrou seu processo de recuperação nos EUA e, logo em seguida, a Azul declarou sua adesão ao Chapter 11.

Naquele momento, segundo agentes do setor, a Azul deixou bem claro à Abra qual era sua posição nos acordos de fusão das companhias e comunicou que a prioridade seria o processo de recuperação.

A Azul também optou por seguir um caminho mais agressivo e oposto à maioria das aéreas que entram em recuperação nos EUA e depois buscam capital no mercado. De início, foi garantido US$ 1,6 bilhão (R$ 5,3 bilhões) de financiamento com os credores, além de aportes de US$ 300 milhões (R$ 1,6 bilhão) com a United Airlines e American Airlines, parceira estratégica de longa data da Gol —o que teria causado estresse nos bastidores.

CONTADOR - BONUS

Os balanços recentes ainda refletem, de certa forma, um pouco do cenário que cada uma passa nessa fase da operação. No segundo trimestre deste ano, a Gol reportou prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão, redução de 60% do registrado no mesmo período de 2024, enquanto a Azul teve lucro de R$ 1,2 bilhão ante prejuízo de R$ 3,5 bilhões registrado no período anterior.

Antes de comunicar ao mercado o cancelamento do memorando de entendimentos e do codeshare (compartilhamento de voos) entre as companhias, a Abra avisou a Azul sobre a movimentação.

Mesmo com o tom mais belicoso da Abra no fato relevante, ambos os lados afirmam estar em paz. Não houve uma briga nos bastidores e cada lado optou por seguir focando no próprio negócio.

Ainda assim, existe uma leitura no setor de que a Abra foi emotiva no comunicado, o que não era necessário diante da realidade das negociações nos últimos meses.

Segundo um executivo, a Gol não se envolveu nessas conversas, que foram tocadas exclusivamente entre Abra e Azul. Essa separação nos negócios é vista como positiva, pois a Abra consegue operar de forma mais estratégica, enquanto a Gol foca somente na aviação direta.

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O acordo de codeshare das companhias não surtiu o efeito esperado. Pelo acordo firmado, o compartilhamento estava concentrado em rotas complementares com uma empresa cobrindo a outra nos trechos onde tivesse maior presença e a outra não.

O que se comenta é que esse compartilhamento foi muito pequeno ou praticamente nulo. Inicialmente, as companhias não anunciaram aos órgãos de controle quais eram as rotas compartilhadas, pois havia um entendimento de que como o acordo era pequeno, não seria necessário acionar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

No início deste mês, o Cade apresentou uma reclamação formal e exigiu a apresentação das rotas compartilhadas. Como a parceria não surtiu o efeito esperado e ainda havia essa pressão do Conselho, foi de comum acordo que o codeshare fosse encerrado.

Nesta sexta (26), o mercado reagiu positivamente ao fim das negociações. As ações da Azul subiram 17,1%, negociadas a R$ 1,23, enquanto a Gol fechou o dia com alta de 5,3%, a R$ 5,95.

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