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Economia

Energia limpa faz China bater recorde de exportação para o Brasil, que segue vendendo commodities

FolhaPress 17/01/2025 10:12

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Produtos ligados à transição energética, como painéis solares e carros elétricos, representaram 11,4% das importações brasileiras vindas da China em 2024. Trata-se do setor líder nas importações vindas do país asiático. Os dados são de um levantamento feito pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil China).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Mercadorias verdes têm crescido de forma consistente na balança comercial dos dois países nos últimos anos, saltando quase dez pontos percentuais entre 2020 e 2024. As importações de produtos chineses, aliás, bateram recorde no ano passado, somando US$ 63,3 bilhões (R$ 382 bi), 19,6% a mais do que em 2023.

Já as exportações brasileiras para a China caíram 9,5%, atingindo US$ 94,4 bilhões —a primeira redução desde 2019, quando as vendas diminuíram 1%. Apesar da queda, a balança comercial entre Brasil e China teve saldo positivo de US$ 30,8 bilhões para os brasileiros —40% menos que o ano anterior— , e a China respondeu por 41% do superávit total do Brasil com o mundo.

Mas há uma histórica disparidade de valor agregado dos produtos negociados entre os dois países.

Ao todo, 99,7% das importações chinesas vieram da indústria de transformação. O Brasil, por outro lado, segue exportando, predominantemente, petróleo, soja e minério de ferro para os chineses. Dos US$ 94,4 bilhões vendidos para a China no ano passado, 80% foram de produtos ligados à indústria extrativa e agropecuária.

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A indústria de transformação respondeu apenas por 20% das vendas brasileiras, com fatia significativa de segmentos ligados ao agronegócio, incluindo carne bovina e celulose. Ainda assim, a participação do setor nas exportações cresceu dois pontos percentuais em relação a 2023.

"Para o Brasil aumentar a renda per capita, o país precisa desenvolver mais atividades que tenham alta remuneração, alto conteúdo tecnológico e mais inovação. O agronegócio e as commodities não têm isso; em geral, são os serviços sofisticados ou os bens industriais capazes de pagar remuneração mais elevada", diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master e autor de livros sobre desenvolvimento econômico.

"Se a gente ficar só em commodities e agro, a gente nunca vai conseguir aumentar a renda per capita e os salários do país", acrescenta.

A disparidade de valor agregado na balança comercial entre os dois países foge do comportamento da balança comercial do Brasil com seus outros principais parceiros comerciais. A indústria de transformação brasileira foi responsável por 93% das vendas para a Argentina, 79% para os Estados Unidos e 47% para a União Europeia.

Desde 2000, início da série formulada pelo CEBC, quase todas as exportações chinesas para o Brasil vieram da indústria de transformação. Mas nos últimos oito anos essa participação passou sucessivamente dos 99%, chegando a 99,7% em 2024.

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"Mesmo a pauta sendo quase 100% composta por manufaturados industriais há mais de duas décadas, o perfil mudou nos últimos 25 anos. Em 2000, a maioria dos importados era composta por produtos como partes de televisores, telefones e afins. As importações nessas áreas ainda são relevantes, mas foram ultrapassadas por produtos como painéis solares e carros eletrificados", diz Tulio Cariello, diretor de conteúdo do Conselho CEBC.

De acordo com o levantamento, entre 2023 e 2024, o valor das compras de carros elétricos triplicou, enquanto o de carros híbridos saltou 222% —o maior aumento dentre os dez principais produtos vindos da China.

No ano passado, o país asiático respondeu por 85% das importações nacionais de carros elétricos, números impensáveis no início da década, quando o mercado brasileiro ainda recebia predominantemente veículos de fornecedores ocidentais, como dos Estados Unidos, Bélgica e Alemanha.

Cresceram também as importações de motocicletas chinesas com motor de combustão (237%) e eletrificadas (124%). A China forneceu 47% das motos importadas pelo Brasil, seguida por Índia (11%), Japão (7,7%), Tailândia (7%) e Indonésia (6%).

Metade dos carros eletrificados chineses, comprados em 2024, inclusive híbridos, desembarcou no Brasil em junho —em julho, o governo aumentou o imposto de importação dos veículos elétricos de 10% para 18%. Um ano antes, não havia taxa para esse tipo de produto.

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Já o volume das compras de painéis solares chineses cresceu 25% em 2024, com a China fornecendo quase todos os equipamentos importados pelo Brasil. Mas os recursos negociados caíram 31%, devido à queda nos preços dos painéis —o que contribuiu para o aumento dos investimentos em energia solar no Brasil e o fechamento de algumas fabricantes na China.

O volume das compras de turbinas eólicas, por sua vez, cresceu seis vezes em 2024. O valor dos desembarques acompanhou a expansão, com crescimento de 256%, somando US$ 346 milhões. A China respondeu por 97% das importações de turbinas eólicas do Brasil. Mas, ao contrário do setor solar, a maior parte da indústria eólica nacional é formada por fornecedores brasileiros.

Por outro lado, dos dez produtos mais vendidos para a China, o faturamento das vendas de minério de cobre teve o maior crescimento (54%), puxado pelo aumento do preço (14%) e do volume embarcado (33%). A China absorveu 20% das exportações de minério de cobre do Brasil, seguida por Alemanha (18%) e Polônia (12%).

Segundo maior produto da indústria de transformação a ser exportado para a China em 2024, o setor de celulose viu seu faturamento das vendas para o país asiático crescer 26%. Nesse caso, o aumento de 25% no preço do produto compensou a queda de 7% no volume embarcado.

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