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Economia

Empresários de bares e restaurantes organizam mobilização contra aumento do ICMS em SP

FolhaPress 17/12/2024 20:27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Empresários e representantes de entidades do setor de alimentação reuniram-se nesta terça-feira (17) na sede da Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo) para definir estratégias contra o aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), previsto para janeiro de 2025. O grupo avalia que a medida pode levar ao fechamento de empresas, ampliar a informalidade e elevar preços para o consumidor final.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com brincadeiras chamando o governador de "Taxarcisio" vindas da plateia, os participantes discutiram uma campanha de comunicação com influenciadores digitais e chefs renomados para alertar o público sobre os impactos do reajuste. A Abrasel-SP também cogita manifestações públicas, como passeatas e carreatas, para pressionar o governo estadual.

O governo justifica a medida como parte do programa "São Paulo na Direção Certa", que busca aumentar a arrecadação e modernizar a gestão fiscal por meio da revisão de incentivos. Em nota, a Secretaria da Fazenda informou que 65 benefícios do ICMS foram revistos em 2024, com 27 já não renovados, e que outros 198 passarão por avaliação até o final do ano.

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Além disso, o governador enviou à Assembleia Legislativa propostas para manter isenções em áreas estratégicas, como cesta básica e saúde, mas destacou que bares e restaurantes já têm benefícios no regime do Simples Nacional.

Para o diretor Abrasel-SP, Percival Maricato, o governo Tarcísio está isolado e mal orientado. "Nenhum outro governador fala de aumentar tributos dessa forma", disse. Segundo ele, ninguém está contra o governador, só querem o fim dessa medida.

"Tarcísio arrecada porque é político, quer fazer obra e se reeleger, o que é um direito dele. Mas não pode ser em cima de nós. Temos direito de dizer não."

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Maricato afirmou ainda que São Paulo pode se tornar menos atrativa para grandes eventos. "Os custos com alimentação e vida noturna são fatores decisivos para organizadores de shows e eventos. Isso afeta diretamente a competitividade da cidade."

O também diretor da Abrasel-SP, Joaquim Saraiva, criticou o impacto no mercado de trabalho. "A medida desestimula o crescimento das pequenas empresas e prejudica quem está no Simples Nacional no longo prazo."

O ICMS é um imposto estadual que incide sobre a comercialização de produtos e serviços. No caso de bares e restaurantes, a base de cálculo impacta diretamente os custos operacionais e, consequentemente, o preço final ao consumidor.

Representantes do setor estimam que o reajuste pode encarecer refeições em até 7% já no início de 2025, pressionando consumidores e empresários em recuperação após a pandemia. "Vai aumentar o vale-refeição, o pão da padaria, a cerveja do trabalhador. Até a caixinha do garçom será afetada", afirmou o diretor da Abrasel, Pedro Facchini.

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ALTERNATIVAS SUGERIDAS

O setor propôs alternativas, como uma alíquota intermediária que cresceria gradualmente e a ampliação do teto do Simples Nacional, protegendo pequenas empresas do aumento da carga tributária ao crescerem. "No Brasil, quem cresce é punido", criticou Maricato.

A Abrasel-SP anunciou uma campanha coordenada com outras entidades e intensificará reuniões com deputados para buscar apoio na Alesp. Na segunda-feira (16), a associação se reuniu com o secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita, e aguarda encontro com o governador Tarcísio (Republicanos).

Caso a medida avance, a alíquota para restaurantes pode saltar de 3,2% para até 12%, o que resultaria na maior carga tributária do país para o setor, superando estados que hoje praticam 4%. Empresários prometem manter a mobilização para tentar reverter ou adiar a decisão até janeiro.

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