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Edifício Mesbla, no Rio, volta a ser residencial após ser vendido por R$ 21,7 mi

FolhaPress 28/02/2025 09:20

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A onda de retrofits de prédios famosos do Rio de Janeiro chegou a Edifício Mesbla, um dos símbolos da arquitetura art-déco do centro da cidade e famoso por sua torre-relógio de 100 metros de altura. O edifício voltará a ser residencial, após anos sediando escritórios.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O prédio foi vendido no fim de janeiro pela São Carlos, administradora imobiliária do grupo 3G, por R$ 21,7 milhões. A compradora, Inti Empreendimentos, prevê um residencial com 192 apartamentos, entre estúdios e quarto e sala, com área média de 38 metros quadrados.

É mais um exemplo do aquecimento do mercado imobiliário carioca após a aprovação de uma série de leis municipais regulando, entre outros aspectos, a construção de unidades menores, a reconversão de edificações tombadas e incentivos à empreendimentos no centro da cidade.

Essa onda já levou a projetos como o do também histórico edifício A Noite, antiga sede da Rádio Nacional, que será transformado em residencial pela Brookfield. Viabilizou ainda diversos novos empreendimentos na zona sul da cidade, que registra alta procura por investidores.

SESC PICASSO

"O Rio é a capital com menor estoque de unidades residenciais do país", diz o sócio-diretor da Inti, Andre Kiffer. "São apenas cinco meses, o que significa que, se pararmos as construções, em cinco meses não há mais oferta."

Kiffer espera lançar em abril o empreendimento no Edifício Mesbla, que foi rebatizado para Passeio 56. As obras devem consumir cerca de R$ 30 milhões, com expectativa de conclusão dois anos após o lançamento.

O projeto prevê uma área de lazer com piscina de borda infinita na cobertura do edifício, que fica em frente à Baía de Guanabara, com vista para pontos turísticos como o Pão de Açúcar, a Marina da Glória e o MAM (Museu de Arte Moderna).

A Inti aposta na vista dos apartamentos como um dos diferenciais do projeto. A entrada do edifício fica em frente ao parque Passeio Público, um dos pontos mais arborizados do centro do Rio de Janeiro.

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A fachada tombada, projetada em 1934 pelos arquitetos franceses Paul Pierre Sajous e Auguste Redun, com sua imponente porta de aço e vidro, tem de ser mantida. Como foi projetado como um edifício residencial, parte dos 16 andares já tem varandas, que serão divididas entre os apartamentos.

O prédio foi ocupado por décadas por escritórios e pela varejista Mesbla, que teve falência decretada em 1999, e mais recentemente tinha no térreo uma unidade das Lojas Americanas, já fechada.

O projeto é beneficiado também pelo programa Reviver Centro, da Prefeitura do Rio, que dá a empreendedores que investem nessa região a possibilidade de ampliar edifícios na zona sul da cidade.

Kiffer diz que o edifício Mesbla garante à Inti um potencial construtivo de cerca de 70 mil metros quadrados, que serão usados em construções em Copacabana e Ipanema.

Ele avalia que, além do baixo estoque de unidades residenciais no Rio, o dólar alto atrai investimentos imobiliários ao Brasil, não só de estrangeiros, mas de brasileiros com ativos dolarizados. A alta no fluxo de turistas, que cresceu 27% em 2024, também gera oportunidades com aluguéis de temporada.

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No fim de 2024, a RJZ Cyrella vendeu em três dias 579 unidades do empreendimento Gate Santos Dumont, próximo ao Edifício Mesbla. O prédio também terá estúdios e, segundo a incorporadora, cerca de 90% das unidades foram adquiridas por investidores.

O novo boom imobiliário na cidade, porém, traz desafios, diz Kiffer. O maior deles é formação de mão de obra, já considerada escassa. O fechamento de construtoras durante a crise do setor no fim dos anos 2010 é outro.

A elevada taxa de juros também vem sendo um desafio ao encarecer o financiamento dos empreendimentos, afirma o executivo, que vê chances de desaceleração nos lançamentos na cidade.

"O ciclo imobiliário é longo, leva uns quatro anos entre comprar terreno, desenvolver projeto, lançar e construir", afirma. "A decisão sobre muitos dos projetos que estão sendo tocados hoje foram tomadas lá atrás."

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