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Economia

'É preciso atacar a causa dos juros altos do rotativo', diz presidente da Febraban

FolhaPress 01/12/2023 18:10

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, disse nesta sexta-feira (1º) que falta sensatez na discussão sobre o rotativo do cartão, e afirmou que o problema não está nessa modalidade de crédito oferecida pelos bancos, mas sim nos juros altos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O problema está no motor do carro, não nos pneus. Não adianta trocar os pneus de um carro que está com o motor avariado. O problema não é o rotativo, são os juros do rotativo. Nós não temos nenhuma hipocrisia ao reconhecer que esses juros estão altos", declarou, durante almoço da Febraban com banqueiros.

Sidney, contudo, disse que é preciso atacar a causa, não os sintomas. "A questão não é se são altos [os juros], mas por que estão altos e como podemos fazer para que os juros do rotativo venham a diminuir."

O presidente da Febraban disse que as propostas que têm sido levantadas, como o limite dos juros do rotativo, são insuficientes para solucionar esse problema estruturalmente.

Sidney disse que outros países, como Chile e Colômbia, mostraram que intervir na formação de preços pode distorcer a oferta e demanda e, por isso, o tabelamento dos juros não seria uma boa solução.

SESC PICASSO

"O resultado [nessas economias] foi desastroso, houve exclusão bancária em vez de bancarização", disse. "Portanto, os caminhos que têm sido adotados [no Brasil] não são aqueles que vão favorecer uma queda estrutural [dos juros]".

Segundo o presidente da Febraban, é preciso atacar essa questão pelo lado da competitividade. Ele citou como exemplo as fintechs, que mesmo com toda a tecnologia para baratear os serviços bancários, não conseguem oferecer juros menores do que os bancos tradicionais.

Sidney ainda disse que nunca defendeu o fim do parcelado sem juros, afirmando que ele é importante para a economia, mas mencionou uma preocupação em relação ao "empilhamento das prestações sem fim". "Estamos preocupados com a sustentabilidade do principal produto de consumo do país", declarou.

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Em discurso ao lado do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ele disse contar com o BC para encontrar uma solução.

"Temos muita confiança de que vamos avançar na interlocução com a Fazenda", declarou. Segundo Sidney, é preciso encontrar um caminho para que o risco de inadimplência seja remunerado.

Diretores do BC, por sua vez, têm reiterado o papel da instituição de intermediário e facilitador dessa discussão. O diretor de política monetária do BC, Gabriel Galípolo, disse na última quinta-feira (30) que se os envolvidos nessa negociação não construírem uma solução consensual, o Legislativo terá de resolvê-la.

Após o evento, a jornalistas, Sidney voltou a dizer que o Banco Central é que deve endereçar esse problema.

"Hoje no Brasil nós temos 75% de recebíveis que não estão remunerados; 15% da carteira de crédito das famílias também não recebe qualquer remuneração de juros. E 50% das compras são parceladas. O resultado disso qual é? Nós temos uma inadimplência de 50%", declarou. "Portanto, eu acho que nós temos uma questão prudencial de estabilidade financeira."

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ENTENDA

Desde outubro, o BC tem coordenado reuniões com representantes de bancos, adquirentes, cartões e varejo para discutir a regra da lei do Desenrola que limita a dívida do rotativo a 100% do valor original, caso o próprio setor não chegue a outra fórmula para reduzir as altas taxas. Atualmente, os juros dessa modalidade superam os 400% ao ano.

O texto da lei não faz nenhuma menção às compras parceladas e não manda restringir as compras parceladas sem juros no cartão. Bancos, no entanto, têm defendido a restrição dessa modalidade de crédito como forma de baixar as altas taxas do crédito rotativo -modalidade acionada automaticamente quando a fatura do cartão não é paga de forma integral.

O argumento dos bancos é que o parcelado sem juros aumenta a inadimplência e força a cobrança de juros altos no rotativo. Os setores de maquininhas e o comércio, porém, refutam esse argumento, e não há estudos públicos independentes que mostrem relação de causa e efeito entre parcelamento sem juros e inadimplência.

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