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Economia

Dólar volta a subir e atinge R$ 5,66 em dia de nova crítica de Lula ao BC

FolhaPress 02/07/2024 18:12

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar voltou a subir e atingiu R$ 5,665 nesta terça-feira (2), numa alta de 0,22%, renovando seu maior valor desde janeiro de 2022 numa sessão marcada por novas falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o Banco Central. Na máxima do dia, no início da tarde, a moeda americana chegou a atingir os R$ 5,700, mas perdeu força ao longo do pregão.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em entrevista à rádio Sociedade da Bahia, Lula afirmou que o Banco Central é uma instituição de estado e não pode estar a serviço do sistema financeiro. Ele também voltou a dizer que o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, tem viés ideológico.

"A gente precisa manter o Banco Central funcionando de forma correta, com autonomia, para que seu presidente não fique vulnerável às pressões políticas. Se você é democrata, permite que isso aconteça. Quando é autoritário você resolve fazer com que o mercado se apodere da instituição", disse o presidente.

Lula também afirmou que há atualmente um ataque especulativo ao real, acrescentando que voltará a Brasília na quarta-feira e discutirá o que fazer em relação à alta do dólar.

Nos últimos 60 dias, nos meses de junho e julho, Lula fez ao menos 14 comentários públicos sobre política fiscal e monetária, em 10 diferentes dias. Criticou a autonomia do Banco Central, atacou o presidente da autarquia e colocou em dúvida a intenção do governo de cortar gastos, entre outros assuntos que afetam o humor do mercado.

Após o dólar abrir em baixa, a fala de Lula passou a pesar sobre os negócios ao longo da manhã e as cotações da moeda norte-americana ganharam força. Profissionais do mercado afirmaram que a possível intervenção do governo no câmbio gerava receios.

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Mais tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou que o governo vá adotar uma medida de controle da alta da moeda norte-americana frente ao real por meio do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de câmbio, possibilidade que havia sido levantada entre operadores

"A nossa agenda com o presidente amanhã é exclusivamente uma agenda fiscal. Não sei de onde saiu esse rumor", disse o ministro ao negar medidas de controle de capital.

Perto do fim da sessão, no entanto, a moeda americana desacelerou e se afastou das máximas. Houve um movimento semelhante nas curvas de juros futuros do Brasil, que operaram em alta durante boa parte do dia, mas passaram a cair, acompanhando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os chamados "treasuries".

Profissionais do mercado também citavam rumores de que o BC estaria consultando tesourarias de bancos para avaliar uma possível operação no câmbio.

Consultas deste tipo são comuns em momentos de maior estresse, como o atual, para que o BC possa medir o apetite do mercado por dólares à vista ou por contratos de swap. A instituição vem repetindo que somente vai intervir no câmbio, promovendo novos leilões de moeda, se perceber disfuncionalidades.

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Os comentários de Lula em relação ao BC somam-se às falas do presidente nos últimos dias que vêm sendo apontadas por profissionais do mercado como um dos principais motivos para que o dólar tenha disparado ante o real e a curva de juros esteja em forte alta no Brasil. Em 2024, a moeda norte-americana acumula elevação superior a 16%.

Na segunda (1°), por exemplo, Lula afirmou que quem quer o Banco Central autônomo é o mercado, acrescentando que o próximo presidente da autarquia olhará o Brasil da forma que o país realmente é, e não do jeito que o mercado financeiro fala.

Depois de dizer que o país não precisa de juros altos neste momento, Lula disse que não dá para o presidente do BC —a quem se referiu como "cidadão"— ser mais importante que o presidente da República.

Nesta terça, Campos Neto participou de evento do BCE (Banco Central Europeu) e afirmou que "muitos ruídos" nos âmbitos fiscal e monetário e a piora nas expectativas levaram o Copom (Comitê de Política Monetária) a interromper o ciclo de queda de juros.

"Isso tem muito mais a ver com os ruídos que foram criados do que com os fundamentos. E os ruídos estão relacionados a dois canais: um é a expectativa sobre o caminho da política fiscal e o outro é a expectativa sobre o futuro da política monetária", disse Campos Neto.

Ele disse, ainda, que o BC deve se manter distante da "arena política".

No mesmo evento, investidores também acompanharam falas do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell, que afirmou que o Fed ainda precisa de mais dados antes de cortar os juros para ter certeza que as recentes leituras de inflação moderadas fornecem uma imagem real do que está acontecendo.

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Dados de maio mostraram que a medida de inflação preferida do Fed não aumentou na base mensal, enquanto a taxa anual desacelerou para 2,6%, ainda acima da meta de 2% do banco central, mas em queda.

"Queremos apenas entender que os níveis que estamos vendo são uma leitura real do que está realmente acontecendo com a inflação subjacente. Queremos estar mais confiantes e, francamente, como a economia dos Estados Unidos é forte, temos a capacidade de levar nosso tempo", disse Powell.

Após a fala de Powell, o dólar acelerou e renovou suas máximas do dia. No início da tarde, houve uma nova aceleração, e o dólar engatou alta moderada.

Na Bolsa brasileira, o Ibovespa começou o dia em alta firme, ma também teve uma sessão instável, chegando a apagar os ganhos em alguns momentos. No fim, fechou em oscilação positiva de 0,05%, aos 124.787 pontos.

Estrategistas do UBS cortaram a recomendação das ações brasileiras em seu portfólio de mercados emergentes para "neutra", citando que a situação política —e o correspondente impacto na performance fiscal— poderá pesar sobre o sentimento dos investidores no curto prazo.

"O mercado brasileiro está barato e o índice geralmente é beneficiário dos preços mais elevados do petróleo. No entanto, surpresas negativas consistentes do lado macroeconômico e incertezas em torno da disciplina fiscal poderão continuar a pesar no mercado", afirmaram em relatório a clientes.

No exterior, as apostas sobre quando o banco central americano deve iniciar seu ciclo de corte de juros seguem como principal motor do mercado internacional.

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