Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h27m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar sobe e Bolsa tem forte queda após novas notícias sobre planos tarifários de Trump

FolhaPress 08/01/2025 12:13

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar apresenta alta nesta quarta-feira (8), em meio a novas notícias sobre os planos econômicos do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O republicano toma posse no dia 20 de janeiro, e investidores tentam antever qual será a postura do novo governo em relação às demais economias globais.

Às 11h45, a moeda norte-americana subia 0,60%, a R$ 6,141, seguindo o movimento no exterior. Já a Bolsa tinha forte queda de 1,21%, aos 119.698 pontos.

A tônica da semana tem sido o vai-e-vem do novo governo Trump sobre a imposição de tarifas para produtos importados.

Na segunda-feira, uma reportagem do The Washigton Post indicou que assessores do presidente eleito estavam considerando taxar apenas importações de setores críticos para o país. A notícia, um recuo da abordagem mais agressiva prometida por Trump durante a campanha eleitoral, inspirou apetite por ativos de maior risco no mercado e causou a queda do dólar por duas sessões consecutivas.

Mas Trump logo refutou a publicação e, nesta quarta, a CNN informou que o republicano está estudando declarar emergência econômica nacional para ter uma justificativa legal na imposição de tarifas sobre aliados e adversários.

A medida permitirá a criação de um novo programa tarifário através da Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional, que autoriza o presidente a administrar importações. "Nada está fora da mesa", disse uma fonte familiarizada com o assunto, reconhecendo que houve uma discussão sobre a declaração de uma emergência nacional.

SESC PICASSO

Trump, ainda em campanha, prometeu aplicar tarifas de 10% sobre as importações globais, além de outras de 60% para chinesas e de 25% para canadenses e mexicanas.

As medidas são consideradas inflacionárias, o que pode forçar o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) a manter a taxa de juros mais alta. Isso elevaria os rendimentos dos treasuries, os títulos ligados ao Tesouro dos EUA, e, por consequência, tornaria o dólar mais atrativo.

A moeda norte-americana ainda é impulsada pela percepção de resiliência da economia dos Estados Unidos.

Um relatório do governo mostrou que o número de vagas de emprego em aberto para o mês de novembro teve uma alta inesperada, sinalizando que o mercado de trabalho continua sólido, apesar de em gradual desaceleração.

Uma pesquisa ainda apontou que o setor de serviços, que compõe dois terços da economia do país, voltou a acelerar a expansão em dezembro.

Os dados têm consolidado expectativas de que o Fed reduzirá o ritmo de afrouxamento da política monetária, com 95% de chance das autoridades manterem os juros inalterados na reunião deste mês.

CONTADOR - BONUS

"Esse conjunto de informações, mercado de trabalho mais aquecido, atividade de serviços mais aquecida e uma possível resiliência inflacionária no setor de serviços, todos sugerem a ideia de que o Federal Reserve não vai ter muito espaço para novos cortes de juros", disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

O Fed divulga mais tarde a ata da reunião de política monetária de dezembro, quando reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, encerrando o ano de 2024 com queda acumulada de 1 p.p.

Já na ponta doméstica, o foco segue sendo a política fiscal do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista na véspera, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o déficit primário ficará em 0,1% do PIB em 2024. O dado oficial do resultado primário do ano ainda não foi divulgado.

O número não leva em conta os gastos com as enchentes no Rio Grande do Sul, que foram excluídos da meta fiscal após autorização do Congresso Nacional. Caso fossem incluídos, o déficit seria de 0,37% do PIB, disse Haddad.

Se confirmado, o governo terá cumprido a meta fiscal de 2024, que prevê déficit zero, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

"Depois de dez anos de desajuste, estamos fazendo um ajuste estrutural", disse.

"Se o plano traçado pelo Ministério da Fazenda for a termo, chegar ao final do jeito que nós planejamos, nós vamos chegar com economia muito mais arrumada, mas muito mais arrumada, do que nós herdamos."

O ministro ainda disse que houve um exagero por parte do mercado em relação à piora das perspectivas da economia nacional e acrescentou que espera uma acomodação do nível do câmbio.

"Hoje o dólar está valorizado no mundo inteiro, e nós vamos sentir os efeitos disso aqui no Brasil, embora eu considere que tenha havido um exagero do mercado em relação à perspectiva da economia brasileira, para pior", afirmou.

Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o mercado brasileiro agiu com "pessimismo excessivo" e de forma "exagerada" aos dados de crescimento, inflação e juros do final do ano passado, o que afetou o câmbio e a Bolsa, levando a precificações recordes.

A moeda brasileira passou por forte depreciação no fim do ano passado, com questionamentos sobre a responsabilidade fiscal do governo e a sustentabilidade da dívida pública, e em meio a uma forte saída de dólares do país que levou o BC (Banco Central) a intervir no câmbio. Ao todo, acumulou queda de 27% em relação ao dólar.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas