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Economia

Dólar sobe, e Bolsa cai com inflação dos EUA e sobretaxa em foco

FolhaPress 15/07/2025 15:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar inverteu um movimento de queda e passou a subir no começo da tarde desta terça-feira (15). A Bolsa, por outro lado, ainda apresenta queda.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Às 13h34, a moeda americana subia 0,16%, a R$ 5,595, após ter registrado queda de mais de 0,50% pela manhã. No mesmo horário, a Bolsa brasileira registrava queda, com uma desvalorização de 0,61%, a 134.467 pontos.

O dia tem sido marcado por dados da inflação americana que teve um aumento em junho, tensões envolvendo a guerra comercial de Trump e o impasse sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Começando pela ponta internacional, dados do Departamento do Trabalho americano desta terça mostraram que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês passado, depois de ter avançado 0,1% em maio. Esse foi o maior crescimento desde janeiro.

Nos 12 meses até junho, o índice tem alta de 2,7%, depois de subir 2,4% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters previam altas de 0,3% na base mensal e de 2,6% na anual.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice de preços ao consumidor aumentou 0,2% em junho, depois de ter subido 0,1% no mês anterior. Nos 12 meses até junho, o núcleo do índice teve alta de 2,9%, depois de subir 2,8% por três meses consecutivos.

Economistas -e as autoridades do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA )- dizem esperar que a inflação acelere neste ano, à medida que o impacto defasado das tarifas seja repassado pelas empresas.

SESC PICASSO

Por ora, porém, segundo Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o núcleo da inflação americana continua surpreendendo e revela uma inflação controlada. "Mostra um crescimento abaixo do que se esperava, que, em tese, sugere que o Federal Reserve possa cortar juros mais cedo do que se esperava", diz.

Para o analista, com juros mais baixos, os rendimentos dos títulos americanos também caem, o que tende a favorecer o Brasil e o real. "Diminui a demanda, dificulta a atração de investimentos externos para os Estados Unidos e enfraquece o dólar globalmente".

A semana até aqui tem sido marcada por ameaças tarifárias de Donald Trump contra parceiros comerciais, a exemplo do Brasil.

Nesta terça, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a prioridade do governo Lula (PT) é reverter a sobretaxa imposta por Trump, dos Estados Unidos, antes que ela comece a valer, em 1º de agosto, mas disse que pode pedir a prorrogação deste prazo, se for necessário.

"Nós queremos resolver o problema o mais rápido possível. Se houver necessidade de mais prazo, vamos trabalhar nesse sentido", afirmou o vice-presidente, após o encontro.

Alckmin defendeu que o setor produtivo brasileiro ajude no diálogo com as empresas dos Estados Unidos, uma vez que a economia dos dois países deve ser prejudicada com a tarifa.

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As importações hoje são sobretaxadas em 10%, tarifa anunciada por Trump em 2 de abril. Ou seja, além das tarifas já cobradas, há uma cobrança adicional de 10%. Essa alíquota será substituída pela de 50% a partir de 1º de agosto.

A sobretaxa não é adicionada a produtos que já sofrem tarifas setoriais, como aço e alumínio, sobre os quais há tarifas de 50%.

Na última segunda, o presidente Lula (PT) publicou o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade, instrumento que permitirá ao Brasil adotar medidas em resposta à sobretaxa de 50% anunciada pelo governo Trump para produtos brasileiros.

O decreto estabelece os procedimentos que devem ser adotados para a aplicação da lei aprovada pelo Congresso em abril, que impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países. A proposta teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas.

A guerra comercial também tem impactado o mercado internacional. No começo da tarde da última segunda, o presidente dos Estados Unidos deu um ultimato a Vladimir Putin para acertar uma trégua com a Ucrânia.

O republicano falou em impor "tarifas severas", especificando que seriam "secundárias". Ou seja, atingiriam aqueles que fazem negócios com os russos.

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"Tarifas secundárias são muito poderosas. Espero que dê certo", disse Trump, citando taxas de até 100% -menos que os 500% propostos em um projeto que tramita no Congresso americano.

No final de semana, Trump anunciou uma nova leva de tarifas para parceiros comerciais dos Estados Unidos -desta vez, União Europeia e México.

Em cartas publicadas no Truth Social no sábado, o presidente se dirigiu aos líderes de ambas as regiões para apresentar as novas sobretaxas de 30%, que passarão a valer a partir de 1º de agosto.

Em relação ao México, Trump citou a droga fentanil como justificativa, enquanto aos países da União Europeia, justificou as sobretaxas pela ótica da balança comercial. Em 2024, o déficit de mercadorias dos EUA com os europeus chegou a US$ 235 bilhões, segundo dados do U.S. Census Bureau.

Na ponta doméstica, as atenções nesta terça também estão voltadas para o impasse em torno da tentativa do governo de elevar a cobrança do IOF. O STF (Supremo Tribunal Federal) programou audiência de conciliação para esta terça entre Executivo e Legislativo.

As negociações para uma conciliação sobre os decretos do IOF tiveram início durante o 13º Fórum de Lisboa, o Gilmarpalooza.

Entre as possibilidades conversadas já em Portugal estão uma proposta de alíquota menor e a desistência da cobrança sobre o risco sacado e sobre aportes maiores em planos de previdência na modalidade VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

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