Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h50m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar sobe e atinge R$ 5,43 com decisão do Copom e cenário fiscal no radar

FolhaPress 18/06/2024 18:25

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar subiu 0,20% e atingiu R$ 5,432 nesta terça-feira (18), virando no fim da sessão após ter passado a maior parte do dia em queda, enquanto o mercado se prepara para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre o patamar da Selic (taxa básica de juros), a ser anunciada na quarta-feira (19).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com o fechamento desta terça, a moeda americana renovou seu maior valor desde janeiro de 2023.

Na Bolsa, o Ibovespa subiu 0,41%, aos 119.630 pontos.

Mais cedo, o mercado repercutiu críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Em entrevista à radio CBN, Lula afirmou que Campos Neto tem lado político e trabalha para prejudicar o país.

O chefe do Executivo também criticou a taxa de juros, que começa hoje a ser analisada pelo Copom, comitê do BC —a decisão sobre a taxa será tomada nesta quarta (19). Para ele, não há motivo para a taxa Selic continuar igual.

SESC PICASSO

"O presidente do Banco Central, que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar o país do que para ajudar o país", afirmou.

Nesse contexto, o dólar abriu em alta e chegou a bater R$ 5,44 na máxima do dia, mas passou a cair minutos depois.

O movimento no câmbio pela manhã seguiu o observado no exterior. No início do pregão, o dólar subia ante a maior parte das demais divisas, incluindo as moedas fortes, mas as cotações perderam força com a divulgação de novos dados econômicos e com declarações de uma autoridade do Federal Reserve (banco central americano).

O Departamento de Comércio informou que as vendas no varejo dos EUA aumentaram 0,1% no mês passado, após uma queda revisada para baixo de 0,2% em abril. Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas no varejo aumentariam 0,3% em maio.

CONTADOR - BONUS

Já o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que a taxa de juros cairá gradualmente ao longo do tempo nos EUA, mas se recusou a dizer quando isso começará a ocorrer.

"Espero que a taxa de juros caia gradualmente ao longo dos próximos dois anos, refletindo o fato de que a inflação está voltando à nossa meta de 2% e a economia está se movendo em um caminho muito forte e sustentável", disse Williams em entrevista ao canal de televisão Fox Business.

No fim da sessão, no entanto, o dólar devolveu as perdas e passou a operar em alta, fechando com mais um dia de valorização.

No Brasil, a expectativa do mercado é que o Comitê do BC (Banco Central) mantenha a taxa de juros inalterada, em decisão unânime, em razão das incertezas domésticas e externas que seguem no pano de fundo.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Na visão de analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, um novo racha entre os membros do colegiado, como ocorreu em maio, provocaria mais ruído no mercado e colocaria a credibilidade do BC na mira. Por isso, a previsão é de uma votação sem divergências e um comunicado mais coeso.

A manutenção da taxa Selic em 10,50% foi também prevista pelo boletim Focus: agora, economistas consultados pelo BC esperam que não haja mais nenhum corte nos juros até o final do ano. A projeção é 0,25 ponto percentual maior do que projetada no último ajuste de expectativas, após duas semanas sem alterações.

As análises levam em conta a deterioração das expectativas de inflação, a depreciação do real frente ao dólar, a percepção de maior risco fiscal e a incerteza externa, além da atividade econômica resiliente.

Nas últimas semanas, a pressão para o governo cortar gastos cresceu, conforme investidores perdiam confiança no compromisso do governo com o equilíbrio nas contas públicas.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas