Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h39m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar sobe apesar de leilão do BC, com pressão de dados de inflação dos EUA; Bolsa cai

FolhaPress 30/08/2024 13:08

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar tinha alta firme nesta sexta-feira (30) após o leilão de US$ 1,5 bilhão no mercado à vista do BC (Banco Central), com pressão de dados de inflação dos Estados Unidos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Às 11h36, a moeda avançava 0,70%, a R$ 5,661, depois de ter iniciado o dia com recuos de 0,81%. Já a Bolsa recuava 0,16%, aos 135.815 pontos, também em meio à expectativa pelo envio do Orçamento de 2025 ao Congresso Nacional.

O leilão foi realizado entre 9h30 e 9h35, no que foi a segunda intervenção do câmbio desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a autoridade monetária, foi aceita uma proposta no valor total.

A medida foi anunciada na noite de quinta-feira, após o dólar fechar em forte alta de 1,18%, a R$ 5,621, e a Bolsa recuar 0,95%, aos 136.041 pontos.

Ao atuar no mercado à vista, a autoridade monetária vende reservas internacionais, sem compromisso de recompra, e o dinheiro é injetado no mercado. Essa foi uma alternativa mais recorrente no governo de Fernando Henrique Cardoso, durante o câmbio fixo.

O valor foi referenciado à taxa Ptax, uma taxa de câmbio que serve de base para a liquidação de contratos futuros. O último dia útil de cada mês costuma ser de maior volatilidade no dólar devido à formação dessa taxa, e, com o leilão, a expectativa é de mais instabilidade.

O dólar engatou em movimento de alta firme logo após a venda, chegando a R$ 5,691 na máxima do dia.

Na análise de Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o leilão não foi o suficiente para conter o avanço da moeda depois da divulgação do PCE, o indicador favorito de inflação do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

SESC PICASSO

O índice de preços de despesas de consumo pessoal subiu 0,2% no mês passado, depois de um ganho de 0,1% em junho, segundo o relatório. Os economistas haviam previsto que a inflação PCE aumentaria 0,2%. Nos 12 meses até julho, o índice de preços PCE aumentou 2,5%, igualando o ganho de junho.

"O indicador reforçou a hipótese de que o Fed deve abaixar os juros em 0,25 ponto, e não em 0,50 ponto, na próxima reunião de política monetária. Isso está fortalecendo a moeda norte-americana", diz Quartaroli.

A percepção de um afrouxamento gradual pela autoridade dos Estados Unidos já havia dominado os mercados na quinta-feira, após a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto) anualizado do segundo trimestre.

A economia cresceu 3% no período analisado, superando a estimativa inicial de 2,8% apresentada na primeira leitura preliminar. Economistas consultados pela Reuters previam que não haveria revisão.

O dado acelerou em relação ao 1,4% registrado no primeiro trimestre, afastando ainda mais os temores de que uma desaceleração acentuada estaria em curso na maior economia do mundo.

A leitura é que a economia continua forte e que o mercado de trabalho, apesar de apresentar sinais leves de resfriamento, está mais resiliência do que o especulado no começo do mês.

Na análise de Fábio Murad, sócio da Ipê Avaliações, o resultado sugere que a política monetária implementada pela autarquia tem sido eficaz no controle inflacionário sem comprometer o crescimento econômico de forma significativa. Com isso, o corte de menor magnitude se torna o mais provável.

CONTADOR - BONUS

"Para o Brasil e outros mercados emergentes, isso pode implicar em um fluxo de capital internacional mais moderado do que se houvesse cortes mais agressivos nos juros americanos."

O dólar se fortalecia também ante uma série de moedas pares, acompanhando a alta nos rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O rendimento do Treasury de dois anos —que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo— tinha alta de 0,02 ponto percentual, a 3,908%, precificando um afrouxamento mais gradual pelo Fed.

Já o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,11%, a 101,470.

Internamente, o real ainda era pressionado pela taxa de desemprego divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã.

Em mais um sinal de aquecimento do mercado de trabalho, a taxa de desocupação recuou a 6,8% no trimestre encerrado em julho, o menor patamar para esse período na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012. Até então, a mínima para o trimestre até julho havia sido registrada em 2014 (7%).

"Os números indicam sobreaquecimento do mercado de trabalho doméstico e alimentam ainda mais os temores de que essa força adicional do emprego possa trazer novas perturbações inflacionárias", diz André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, plataforma de transferências internacionais.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Além disso, o BC também informou que o resultado fiscal do setor público surpreendeu negativamente em julho, com a dívida pública bruta como proporção do PIB subindo a 78,5%, de 77,8% no mês anterior. No mês, o déficit primário foi de R$ 21,348 bilhões, muito maior que a expectativa de R$ 5 bilhões negativos de economistas consultados pela Reuters.

Investidores também esperam o envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2025 pelo governo ao Congresso Nacional nesta sessão, com a equipe da XP citando que a expectativa é de manutenção de meta para o resultado primário zerada, aumento do salário-mínimo e pente-fino em despesas do INSS.

"Ainda que o mercado de trabalho e o resultado fiscal do governo consolidado 'exijam', na visão do mercado, novos aumentos de juros, os dados de agosto têm se mostrado relativamente benignos e podem levar o Copom a adotar uma postura mais parcimoniosa e manter a taxa Selic inalterada na próxima reunião, em setembro", diz Galhardo.

Os dados de inflação do IPCA-15 mostraram desaceleração em agosto para 0,19%, em linha com o esperado por economistas. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,35%, um pouco abaixo do teto da meta do BC de 4,5%.

Já a "inflação do aluguel", medida pelo IGP-M, desacelerou mais do que o esperado por analistas em agosto, em alta de 0,29%, depois de ter avançado 0,61% no mês anterior, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas). A expectativa era de avanço de 0,46%. O índice agora acumula ganhos de 4,26% em 12 meses.

Quanto mais o Fed cortar a taxa americana e mais o BC subir a Selic por aqui, melhor para o real, que fica mais atraente a investimentos por causa do diferencial de juros.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas