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Economia

Dólar fecha em queda e Bolsa sobe com expectativa por tarifas de Trump

FolhaPress 01/04/2025 18:52

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar fechou em queda de 0,41% nesta terça-feira (1º), cotado a R$ 5,682, com investidores se posicionando antes do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de dados econômicos norte-americanos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Já a Bolsa subiu 0,68%, aos 131.147 pontos.

Trump deve anunciar tarifas recíprocas aos parceiros comerciais dos EUA já nesta quarta-feira, o apelidado "dia da libertação". A medida visa espelhar as taxas praticadas sobre os produtos norte-americanos, em uma tentativa de equilibrar o déficit comercial do país.

A expectativa pelos anúncios do republicano tem ditado o humor dos mercados globais desde o início do ano, e a incerteza sobre a intensidade e abrangência das tarifas inspira cautela entre os operadores.

Poucos detalhes foram fornecidos até o momento. Na semana passada, a expectativa majoritária era de que o tarifaço fosse direcionado aos países com maior superávit comercial para com os EUA -"os 15 sujos", como apelidado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Mas, no domingo, Trump disse que as tarifas incidirão sobre "todos os parceiros comerciais" do país e que, depois, iria "ver o que acontece". Ao ser questionado sobre quais seriam os mais afetados, ele disse que não sabia se serão "15 países, 10 ou 15" e garantiu que "não há um limite".

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"Não se sabe muita coisa. Há um elevado grau de incerteza e imprevisibilidade sobre um tópico que vai ter consequências inevitáveis sobre o restante do globo, além da própria economia norte-americana", comenta Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

"Esse ambiente de insegurança tem levado a um movimento de aversão a risco e busca por ativos seguros, o que tende a desvalorizar o real. Por outro lado, também há um movimento de rotação, no qual os investidores estão diminuindo a exposição a ativos norte-americanos, o que tem trazido recursos para o Brasil e outros emergentes."

O principal receio em relação ao tarifaço é que ele aumente a inflação em uma ampla gama de produtos e distorça cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.

Nesta terça, a União Europeia declarou que "tem muitas cartas" na mão e um "plano sólido" para reagir aos planos de Trump.

"Nosso objetivo é uma solução negociada. Mas é claro que, se for necessário, protegeremos nossos interesses, nossa população e nossas empresas", declarou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. "Não queremos necessariamente retaliar. Mas, se for necessário, temos um plano sólido para retaliar e vamos usá-lo."

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Ainda não se sabe se o Brasil será ou não atingido pelas medidas, segundo informou uma autoridade da Casa Branca à Folha de S.Paulo. Mas, caso o país esteja na lista de afetados, as taxas incidirão sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos, sem exceções.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a imposição de tarifas ao país seria "injustificável à luz dos dados e à luz das décadas de parceria entre Estados Unidos e Brasil". Nesta terça, ele ainda afirmou que o Brasil está em "uma posição confortável".

"Nossa conta é deficitária com os Estados Unidos. Então, nos causaria uma certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada. Estamos na mesa de negociação para que nossa cooperação seja cada vez mais forte. Nós temos relação de parceria com o Estado americano, não com governos", disse.

Na análise de João Duarte, sócio da One Investimentos, o Brasil está em "uma posição neutra" na guerra de tarifas, o que tende a atrair investidores para cá, "ainda mais em um contexto de possibilidade de recessão nos Estados Unidos".

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"O Brasil tem se tornado uma opção vantajosa entre os países emergentes. Há um entendimento no mercado de que vários ativos brasileiros estão com bons preços, o que atrai muito investimento para a Bolsa, apesar do dia de desvalorização."

Os temores de recessão nos EUA estão diretamente relacionados às tarifas de Trump. A economia tem dado sinais de desaceleração nas últimas baterias de dados, mas a falta de clareza sobre o potencial inflacionário do tarifaço pode forçar o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) a manter os juros em níveis elevados para conter a alta de preços, o que pode resfriar ainda mais a atividade econômica.

O cenário desenhado por especialistas é de uma "estagflação", isto é, quando a inflação está elevada e a economia não cresce.

Os investidores também aguardam mais dados sobre o mercado de trabalho dos EUA. O destaque fica para sexta-feira, com a divulgação do "payroll" (folha de pagamento, em inglês), mas, nesta terça, o relatório Jolts (Job Openings and Labor Turnover Survey) já deu pistas sobre o estado da empregabilidade por lá.

O número de vagas disponíveis caiu para 7,6 milhões em fevereiro, ante 7,8 milhões em janeiro. O resultado veio em linha com o esperado e, para analistas, reflete a redução da demanda por mão de obra por causa das incertezas que pairam sobre a economia.

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