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Economia

Dólar fecha em forte queda e Bolsa dispara com pacote econômico da China e ata do Copom

FolhaPress 24/09/2024 18:46

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar fechou em forte queda de 1,34% nesta terça-feira (24), a R$ 5,460, com impulso do maior pacote de estímulos econômicos anunciado na China desde a pandemia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na cena doméstica, foram destaque a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) e falas do presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, em evento em São Paulo.

Já a Bolsa disparou 1,21%, aos 132.155 pontos, também embalada pela forte alta dos papéis da Vale.

A China anunciou um conjunto de medidas para tirar a economia do atual estado deflacionário e voltar a atingir a meta de crescimento do governo.

O presidente do Banco Central chinês, Pan Gongsheng, disse que reduzirá a quantia de dinheiro que os bancos mantêm de reserva para injetar estímulos na economia.

Isso virá a partir de um corte na taxa de compulsório -um percentual recolhido pelos BCs de cada depósito feito por clientes de um banco- em 0,5 ponto, o que vai liberar cerca de 1 trilhão de iuanes (R$ 790 bilhões) para novos empréstimos.

Dependendo da situação de liquidez do mercado no final deste ano, a taxa de compulsório poderá sofrer uma nova redução entre 0,25 e 0,5 ponto percentual, afirmou Pan.

O BC chinês, além disso, cortará algumas taxas de juros para injetar mais recursos na economia e reduzir os custos de empréstimos. Também foram anunciadas medidas voltadas para impulsionar a compra de ações e o setor imobiliário.

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Ainda que o governo não tenha divulgado quando as medidas vão entrar em vigor, o movimento marca a mais recente tentativa das autoridades de restaurar a confiança na segunda maior economia do mundo, depois que uma série de dados decepcionantes levantou preocupações sobre uma desaceleração estrutural prolongada.

O pacote provocou uma melhora na percepção global sobre o consumo na China, maior importador de matérias-primas do planeta, impulsionando ativos em diversos mercados, incluindo ações e moedas de países com relações comerciais profundas com o gigante asiático -caso do Brasil e outros emergentes exportadores de commodities.

O minério de ferro registrou a maior alta diária em um ano, a 4,64%, cotado a US$ 99,38 a tonelada. Na Bolsa brasileira, a Vale disparou 4,88% em resposta. CSN ainda ganhou 9,38%, seguida por Usiminas (7,67%).

"O pacote da China surpreendeu todo o mercado. O país é um grande consumidor de commodities, e o Brasil tem, entre os principais produtos exportados, justamente as commodities, como minério de ferro e petróleo", diz Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

Os ativos brasileiros ainda tiveram impulso com a divulgação da ata da última reunião do Copom, realizada na quarta-feira passada (18).

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Ao decidir elevar a Selic de forma unânime em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano, o comitê optou por não dar indicações sobre os próximos passos da política monetária do país diante de um conjunto de incertezas no horizonte.

O colegiado considera que o aumento das projeções de inflação de médio prazo tornou o cenário à frente mais desafiador e que o forte ritmo de crescimento da atividade econômica torna mais difícil o processo de convergência da inflação à meta.

O alvo perseguido pelo BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o objetivo é considerado cumprido se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).

No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação para o primeiro trimestre de 2026 situa-se em 3,5% (era de 3,4% em julho). Esse é o prazo trabalhado hoje pelo BC para a convergência do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Além disso, a ata trouxe uma avaliação um pouco mais dura quanto à política fiscal, classificada pelo BC como expansionista. No entanto, disse ter incorporado em seus cenários uma desaceleração no ritmo de crescimento dos gastos públicos ao longo do tempo.

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"Uma política fiscal crível, embasada em regras previsíveis e transparência em seus resultados, em conjunto com a persecução de estratégias fiscais que sinalizem e reforcem o compromisso com o arcabouço fiscal nos próximos anos são importantes elementos para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de riscos dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária", disseram os dirigentes no documento.

Em falas durante evento no Banco Safra nesta manhã, Roberto Campos Neto reforçou as pontuações da ata sobre os gastos públicos.

A percepção dele é que o governo Lula (PT) terá de conter as despesas para se adequar às metas fiscais para os próximos anos. "O próprio arcabouço força uma diminuição de gasto fiscal. O quanto [será cortado] não nos arriscamos a colocar, mas entendemos que haverá uma desaceleração de gastos. E isso já está nas nossas projeções", disse.

Na análise da equipe macroeconômica do Itaú, a ata do comitê "deixou clara a mensagem de coesão entre os membros do comitê em relação ao início gradual do ciclo de aperto e outros aspectos do cenário" e que a meta de inflação em 3% será integralmente perseguida, "indicando que não há inclinação para utilizar as bandas de tolerância".

A previsão do banco é que o próximo movimento do Copom seja de um aumento de 0,50 ponto percentual.

Os mercados agora mantêm a agenda da semana no radar, com dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos esperados para quarta e sexta-feira, respectivamente.

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