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Economia

Dólar e Bolsa oscilam com mercado atento a Jackson Hole e impasse entre Brasil e EUA

FolhaPress 21/08/2025 16:08

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar oscila entre sinais nesta quinta-feira (21), à medida que os investidores voltam suas atenções para o início do simpósio econômico de Jackson Hole, promovido pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Um discurso do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, é esperado para sexta-feira e pode sinalizar os próximos passos da taxa de juros norte-americana.

Na ponta doméstica, o mercado ainda pesa o impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos, tendo a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), como pano de fundo para as movimentações financeiras.

Às 15h40, o dólar tinha variação de 0,06%, cotado a R$ 5,475. Já a Bolsa tinha acréscimo de 0,02%, a 134.695 pontos.

As atenções estão em Jackson Hole, sede de um simpósio global de banqueiros centrais em Wyoming, nos Estados Unidos. A grande expectativa está no discurso de Powell na sexta-feira -o último que ele deverá fazer lá enquanto chefe do Fed, tendo em vista o fim de seu mandato em maio.

Powell tem usado o palco de Jackson Hole nos últimos anos para sinalizar os próximos passos do Fed em relação à política monetária. Em 2024, por exemplo, anunciou que havia chegado a hora de cortar os juros, provocando uma forte desvalorização global do dólar nas semanas que se sucederam.

A expectativa é a mesma neste ano. Desde o início do mês, após a divulgação de dados fracos de emprego e de inflação, o mercado tem apostado que um corte nos juros poderá ocorrer já na próxima reunião do Fed, em setembro.

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Operadores precificam 75% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual, segundo a ferramenta FedWatch, enquanto os 25% restantes apostam na manutenção dos juros na atual banda de 4,25% e 4,5%.

A probabilidade de um afrouxamento monetário tem caído nos últimos dias, revertendo os 100% vistos na semana passada. A divulgação da ata da última reunião do Fed, em julho, ajudou a diminuir os ânimos na véspera, levando a porcentagem de 88% para o patamar atual.

Isso porque o documento mostrou que os dirigentes favoráveis a um corte parecem isolados entre os demais membros do comitê. "Quase todos os participantes consideraram apropriado manter a faixa da taxa de juros entre 4,25% e 4,50% nesta reunião", diz a ata.

Os dirigentes Michelle Bowman e Christopher Waller votaram pela redução de 0,25 ponto percentual para proteger a economia de um enfraquecimento ainda maior do mercado de trabalho. Os outros, porém, se mostraram mais preocupados com um possível repique inflacionário por causa das tarifas do presidente Donald Trump.

O Fed trabalha com um mandato duplo, isto é, observa de perto os dados de emprego e de inflação para decidir sobre a política monetária. O objetivo é levar a inflação à meta de 2% sem grandes danos ao mercado de trabalho.

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Tendo em vista esse objetivo, o tarifaço de Trump colocou o Fed em uma sinuca de bico. As sobretaxas tendem a aumentar os preços ao consumidor e a desacelerar as contratações, e a taxa de juros em um patamar contracionista, como o de agora, tem efeitos diferentes para cada uma das pontas.

Por um lado, juros altos contêm a disparada inflacionária por desestimularem a tomada de empréstimos e o consumo. Por outro, afetam as empresas, que podem reduzir o número de funcionários ou parar as contratações, resfriando o mercado de trabalho.

Já um corte nos juros traria o cenário oposto: estimularia a inflação e também aqueceria o mercado de trabalho.

O discurso de Powell na sexta-feira poderá mostrar se ele se uniu àqueles que acham que chegou a hora de tomar medidas para proteger o mercado de trabalho de um enfraquecimento maior, como Bowman e Waller, ou se ele continua alinhado com aqueles que são mais cautelosos com a inflação.

A perspectiva de cortes de juros pelo Fed pode favorecer o real devido à percepção de que, com a taxa Selic em patamar alto por tempo prolongado, o diferencial de juros entre Brasil e EUA permanecerá favorável para o lado brasileiro.

No mercado doméstico, o foco segue à decisão do ministro Flávio Dino, que considerou que ordens judiciais e executivas de governos estrangeiros só têm validade no país se confirmadas pelo Supremo.

A decisão foi dada em ação sobre o rompimento da barragem de Mariana (MG) e não diz respeito diretamente à disputa entre Brasil e Estados Unidos. Na prática, porém, indica que o ministro Alexandre de Moraes, colega de corte de Dino, não pode sofrer as consequências da imposição da Lei Magnitsky, da qual foi alvo em julho pelo governo Donald Trump.

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Como sinalizou o magistrado, instituições financeiras do país podem ser penalizadas se aplicarem sanções contra Alexandre de Moraes. Essa percepção fez o setor derreter na Bolsa na terça, tendo perdido mais de R$ 41,3 bilhões em valor de mercado.

Relator do julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado, Moraes está na mira do governo Trump desde o mês passado. O magistrado é acusado de determinar prisões de forma arbitrária e suprimir a liberdade de expressão.

Quando anunciou a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Trump vinculou a ameaça, entre outros pontos, justamente à suposta "caça às bruxas" de que Bolsonaro seria vítima.

Enquanto o governo brasileiro tenta negociar com os EUA, o mercado viu a decisão de Dino como um novo entrave às conversas, assim como uma possível razão para uma resposta mais dura do lado norte-americano. Investidores temem que a reação possa impactar bancos que não cumprirem as determinações das sanções.

"O noticiário local está pautando o mercado, isso me parece claro, apesar de termos uma agenda importante lá fora. O driver é político majoritariamente. Embora essas questões geralmente tenham impacto pontual e agudo, e não crônico", disse Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

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