Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h22m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar e Bolsa fecham em forte queda às vésperas de tarifaço de Trump

FolhaPress 31/03/2025 18:41

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar caiu 0,93% nesta segunda-feira (31) e engatou a semana cotado a R$ 5,707, às vésperas do anúncio das tarifas recíprocas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O tarifaço deve ser anunciado na quarta-feira, 2 de abril -o apelidado "dia da libertação". A expectativa pela política comercial do republicano tem ditado o humor dos mercados globais desde o início do ano, e a moeda norte-americana tem se enfraquecido em meio a temores de que a guerra comercial possa empurrar a economia dos EUA para uma recessão.

Só em relação ao real, o dólar caiu 7,63% neste primeiro trimestre e 3,51% em março. Já a Bolsa subiu 8,3% desde o início do ano, se beneficiando da percepção de que o Brasil poderá ganhar espaço no comércio internacional em meio à guerra de tarifas. No mês, acumulou ganhos de 6,07%.

Nesta segunda, porém, o Ibovespa registrou forte queda de 1,24%, a 130.259 pontos, acompanhando mau humor global diante do tarifaço.

Os ativos de risco -e nesta categoria se incluem índices acionários e moedas de mercados emergentes- têm ora se beneficiado, ora se depreciado, diante do vai-e-vém do tarifaço.

A duas sessões de distância do "dia da libertação", os investidores optaram por cautela. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,4% e o FTSE 100 perdeu 0,9%. Na Ásia, o índice de referência Topix do Japão caiu 3,6% e o Nikkei 225, voltado para exportadores, despencou 4,1%. O Kospi da Coreia do Sul caiu 3%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong recuou 1,3%.

Em Wall Street, por outro lado, os índices acionários ensaiaram uma recuperação. O Dow Jones subiu 1%, a 42.001 pontos, e o S&P 500 avançou 0,55%, a 5.611 pontos. O Nasdaq Composite destoou dos demais e caiu 0,14%, a 17.299 pontos.

SESC PICASSO

O trimestre, porém, é o pior para os norte-americanos desde 2022. Só o S&P 500, que reúne as 500 principais empresas dos Estados Unidos, caiu 4,6% nos primeiros três meses do ano. O Nasdaq Composite acumulou perdas de 10,4%, e o Dow Jones, 0,92%.

"É muito mais a incerteza geral que está pesando no sentimento do investidor", diz Charles De Boissezon, chefe global de estratégia de ações da Société Générale. "Os anúncios de tarifas continuam mudando, mas o que eles têm em comum é que eles simplesmente não são bons para o crescimento global."

Trump deve anunciar tarifas recíprocas a "todos os parceiros comerciais" dos Estados Unidos na quarta, segundo afirmou no domingo (30). Até semana passada, havia a expectativa de que o tarifaço fosse direcionado aos países com maiores desequilíbrios comerciais para com os norte-americanos -"os 15 sujos", como apelidado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

"Começaria com todos os países, então vamos ver o que acontece", disse Trump aos repórteres a bordo do Air Force One. Ao ser questionado quais seriam afetados, ele disse que não sabia se serão "15 países, 10 ou 15" e garantiu que "não há um limite".

O tarifaço tem gerado temores nos mercados pelo impacto potencial na economia mundial. O principal receio é que ele aumente a inflação em uma ampla gama de produtos e distorça cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.

CONTADOR - BONUS

Até o momento, após uma série de ameaças e recuos, Trump já implementou uma tarifa de 20% sobre produtos chineses, taxas de 25% sobre importações de aço e alumínio e tarifas de 25% sobre mercadorias de México e Canadá que violem as regras de um acordo comercial da América do Norte. Em 3 de abril, entrarão em vigor as tarifas sobre os automóveis importados.

"Ao contrário do otimismo cauteloso da semana passada, quando alguns sinais indicavam que o anúncio tarifário de 2 de abril poderia ser mais simbólico do que substancial, o que se vê agora é uma percepção crescente de que o governo Trump prepara algo significativamente mais agressivo", disse o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

"A falta de clareza sobre os detalhes finais -e o próprio fato de que ainda estão sendo definidos- apenas amplia o risco de um evento desorganizado, capaz de gerar forte volatilidade."

Ainda não se sabe se o Brasil será ou não atingido pelas medidas, segundo informou uma autoridade da Casa Branca à Folha de S.Paulo. Mas, caso o país esteja na lista de afetados, as taxas incidirão sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos, sem exceções.

"A valorização do real parece estar associada à posição neutra que o Brasil se encontra nessa guerra tarifária, ainda mais em um contexto de possibilidade de recessão nos Estados Unidos", diz João Duarte, sócio da One Investimentos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

"O Brasil tem se tornado uma opção vantajosa entre os países emergentes. Há um entendimento no mercado de que vários ativos brasileiros estão com bons preços, o que atrai muito investimento para a Bolsa, apesar do dia de desvalorização."

O desempenho do dólar também foi afetado pela formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo BC (Banco Central) com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

No encerramento de trimestres a disputa é ainda mais acirrada, já que a taxa norteia balanços de empresas com operações internacionais.

Na esteira da expectativa pelos anúncios tarifários, o Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão em 12 meses para os EUA de 20% para 35% e reduziu a previsão de crescimento do PIB em 2025 de 2,0% para 1,5%.

Os temores de recessão nos Estados Unidos estão diretamente relacionados às tarifas de Trump. A economia tem dado sinais de desaceleração nas últimas baterias de dados, mas a falta de clareza sobre o potencial inflacionário do tarifaço pode forçar o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) a manter os juros em níveis elevados para conter a alta de preços, o que pode resfriar ainda mais a atividade econômica

O cenário desenhado por especialistas é de uma "estagflação", isto é, quando a inflação está elevada e a economia não cresce.

Mais dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos serão conhecidos nesta semana. O destaque fica para sexta-feira, com a divulgação do "payroll" (folha de pagamento, em inglês).

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas