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Economia

Dólar dispara na abertura após governo aumentar IOF

FolhaPress 23/05/2025 10:06

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar abriu em alta de mais de 1% nesta sexta-feira (23), à medida que os investidores repercutiam o anúncio pelo governo na véspera de aumento nas alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Por volta das 9h30, desacelerou alta.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Às 9h39, a divisa dos EUA subia 0.71%, a 5,700 na venda. A alta acontece após o governo Lula anunciar o congelamento de R$ 31,3 bilhões em despesas e um aumento no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para reforçar a arrecadação. Horas depois, o Executivo recuou de algumas das medidas.

Na quinta (23), o dólar subiu 0,35%, cotado a R$ 5,660, e a Bolsa caiu 0,44%, a 137.272 pontos. O dia foi embalado por preocupações fiscais no Brasil e nos Estados Unidos.

Por aqui, o foco foi o relatório de receitas e despesas do governo federal, que anunciou o congelamento de R$ 31,3 bilhões em despesas e um aumento no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para reforçar a arrecadação.

Horas depois de baixar o decreto para aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de uma série de operações de câmbio e crédito de empresas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou uma reunião de emergência e decidiu rever dois pontos da medida, editada pelo presidente nesta quinta-feira (22).

O congelamento no Orçamento de 2025 mira cumprir o limite de gastos do arcabouço fiscal e a meta de resultado primário fixada para este ano. O objetivo é de déficit zero, mas tem uma margem de tolerância que permite resultado negativo de até R$ 31 bilhões.

O valor congelado reflete o efeito total da combinação entre bloqueio, feito para compensar o aumento de outras despesas obrigatórias (como benefícios previdenciários), e contingenciamento, necessário quando há frustração na expectativa de arrecadação.

SESC PICASSO

No relatório de avaliação de receitas e despesas do 2º bimestre, a equipe econômica indicou a necessidade de bloquear R$ 10,6 bilhões para respeitar o limite de gastos do arcabouço. Também será preciso contingenciar outros R$ 20,7 bilhões para cumprir a meta.

O Executivo, além disso, vai aumentar o IOF para reforçar a arrecadação. As mudanças só foram detalhadas após o fechamento do mercado, seguindo um protocolo do Ministério da Fazenda, e a falta de detalhes inspirou volatilidade na véspera.

A elevação do IOF impactará empresas, operações de câmbio e previdência privada, com previsão de arrecadação de R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026.

De acordo com o Ministério da Fazenda, será unificada em 3,5% a alíquota de IOF sobre operações de câmbio com cartões de crédito, débito e pré-pagos internacionais, além de remessa de recurso para conta de contribuinte brasileiro no exterior e compra de moeda em espécie.

Em outra mudança, o teto de IOF de operações de crédito por empresas passa de 1,88% ao ano para 3,95% ao ano. No caso de empresas do Simples, a cobrança passa de 0,88% ao ano para 1,95% ao ano.

Para Thiago Lourenço, economista da Manchester Investimentos, o relatório "mostrou um controle parcial por parte do governo, que está preso entre gastos obrigatórios e algum nível de estímulo para grupos sociais, foco de pressão nas despesas".

CONTADOR - BONUS

"A visão não foi muito positiva. Não é um déficit absurdo, mas é um pouco frustrante para o mercado, que esperava déficit primário zero."

O anúncio do relatório fiscal ocorreu em um cenário já avesso ao risco, sobretudo por causa do projeto de lei de Donald Trump.

A Câmara dos EUA aprovou o pacote que viabiliza grande parte das promessas de campanha de Trump. A votação foi de 215 a 214 votos, com todos os democratas e dois republicanos votando contra. Um terceiro republicano votou "presente".

A legislação, que ainda precisa passar pelo Senado para ser aprovada em definitivo, mira reduzir impostos e direcionar mais recursos para as Forças Armadas e seguranças de fronteira. A conta será paga com cortes no Medicaid, assistência alimentar, educação e programas de energia limpa, aumentando significativamente os déficits federais e o número de pessoas sem seguro de saúde.

A projeção é que o projeto eleve em cerca de US$ 3,8 trilhões (R$ 21,46 trilhões) a dívida de US$ 36,2 trilhões (R$ 204,3 trilhões) do governo federal ao longo da próxima década, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso.

O pacote acirrou preocupações com a situação fiscal dos EUA, sobretudo após a Moody's, na semana passada, ter se tonado a última das principais agências de classificação de crédito a rebaixar a nota dos EUA, da máxima Aaa para Aa1.

O mercado de títulos oscilou. Pela manhã, os rendimentos registraram forte alta, com investidores exigindo maiores prêmios de risco para financiar a dívida do país. À tarde, porém, ensaiaram alguma recuperação, uma vez que já haviam acumulado altas expressivas nos últimos dois dias.

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Parte do movimento de deterioração das taxas também foi contido após Christopher Waller, membro do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), afirmar que há espaço para cortes nos juros ainda neste ano.

Em entrevista à Fox Business, Waller disse que o afrouxamento depende de onde a política tarifária dos Estados Unidos se estabelecerá. Se as taxas do presidente atingirem o limite inferior da faixa dos níveis agressivos anunciados no início da guerra comercial, então a perspectiva parece sólida.

"Se conseguirmos reduzir as tarifas para perto de 10% e tudo isso for selado, concluído e entregue em algum lugar até julho, estaremos em uma boa posição para fazer cortes nos juros durante a segunda metade do ano."

O diretor não disse como ou quando ele espera que o início do afrouxamento da taxa de juros, hoje na banda de 4,25% e 4,5%.

"Essa acomodação nos treasuries ajudou a sustentar um tom mais positivo nos índices acionários americanos na sessão de hoje. No entanto, a narrativa da reversão da 'excepcionalidade americana' e o contínuo aumento do déficit fiscal dos EUA permanecem como os principais fatores por trás das pressões altistas sobre os juros, somando-se ainda à inflação persistente e aos indicadores econômicos fortes", diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

No fim do dia, o título de 10 anos marcava queda de 1,35%, a 4,53%, enquanto o de 30 anos recuava 0,85%, a 5,04%.

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