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Economia

Dólar despenca abaixo de R$ 5,60 e Bolsa sobe com tarifaço de Trump

FolhaPress 03/04/2025 12:20

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar apresenta forte queda nesta quinta-feira (3), dia seguinte ao tarifaço do presidente Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O republicano divulgou tarifas que ele considera recíprocas a produtos importados pelos Estados Unidos após o fechamento dos mercados, na véspera. O anúncio era amplamente esperado devido aos potenciais efeitos sobre o comércio internacional, até então difíceis de precificar pela falta de detalhes públicos.

Às 11h23, a moeda tombava 1,71%, cotada a R$ 5,599, em movimento global de desvalorização. Já a Bolsa brasileira subia 0,44%, a 131.777 pontos, descolada da desvalorização de outras praças acionárias ao redor do globo.

Trump anunciou tarifas básicas de 10% sobre todas as importações dos Estados Unidos e outras mais altas sobre alguns dos principais parceiros comerciais do país. "É a nossa declaração de independência", disse durante o evento na Casa Branca.

Ele exibiu uma tabela que listava as tarifas recíprocas, incluindo 34% sobre a China, 20% sobre a União Europeia e 10% para o Brasil. Os japoneses enfrentarão uma taxa de 24%.

"Estamos sendo muito gentis, somos pessoas muito gentis. Nós vamos cobrar aproximadamente metade daquilo que eles nos cobram. As tarifas não serão completamente recíprocas", afirmou o republicano.

SESC PICASSO

O principal receio em relação ao tarifaço é que ele aumente a inflação em uma ampla gama de produtos e distorça cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.

Os efeitos ainda podem se estender para a atividade econômica dos Estados Unidos, que já tem dado sinais de desaceleração. O potencial inflacionário do tarifaço pode forçar o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) a manter os juros em níveis elevados para conter a alta de preços, o que pode resfriar ainda mais a atividade econômica.

O cenário desenhado por especialistas é de uma "estagflação", isto é, quando a inflação está elevada e a economia não cresce.

"O dia promete muita volatilidade e movimentações bruscas depois desse choque tarifário. O anúncio veio entre os piores cenários esperados pelos analistas com essa taxa global de 10% sobre todas as importações", comenta Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Antes do tarifaço de quarta-feira, Trump já havia implementado uma tarifa de 20% sobre produtos chineses, taxas de 25% sobre importações de aço e alumínio e tarifas de 25% sobre mercadorias de México e Canadá que violem as regras de um acordo comercial da América do Norte. Nesta quinta, ainda entrarão em vigor as tarifas sobre os automóveis importados.

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Os índices acionários de Wall Street estão afundando neste pregão por causa dos temores de uma recessão na economia. O Dow Jones caía 3,49%, a 40.751 pontos. O S&P 500 tinha queda de 3,85%, a 5.452 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 4,76%, a 16.762 pontos.

Na Ásia, a Bolsa de Shenzhen perdeu 1,10% e Xangai caiu 0,24%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, tombou 1,52%. Na Coreia do Sul, a queda do Kospi foi de 0,76%. A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em tombo expressivo de 2,77%.

A repercussão também tem sido sentida no mercado de petróleo. O barril do tipo Brent, referência global, derretia 6,35%, cotado a US$ 70,21. O WTI, referência dos EUA, caía 6,85%, a US$ 66,83.

Já o índice do dólar, que o compara a uma cesta de outras seis moedas fortes, despencava 2,11%, a 101,48.

Mas, em relação ao Brasil, as taxas de 10% indicam que "saiu barato para o país", diz o economista André Perfeito. "E faz sentido, afinal, os Estados Unidos têm superávits comerciais em relação ao Brasil, então não seríamos alvo neste momento."

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A leitura geral é que o país poderá se beneficiar do rearranjo dos fluxos comerciais, sobretudo no mercado de commodities.

"As economias mais afetadas, como China e União Europeia, devem direcionar suas demandas para outro lugar, particularmente o agro brasileiro, que sofre grande competição com o agro americano. Além disso, o fato de o Brasil ter sido menos taxado tornará os nossos produtos relativamente mais competitivos em relação aos outros países, o que pode permitir maiores exportações aos Estados Unidos", diz André Valério, economista-sênior do Inter.

Há ainda um movimento de "rotação" para fora dos Estados Unidos, no qual o objetivo é reduzir a exposição aos ativos de lá e, assim, diminuir os riscos.

Com a percepção de que o Brasil foi menos afetado pelas tarifas, somada aos preços baixos dos ativos domésticos por causa da forte desvalorização do final do ano passado, o fluxo de investimentos tem sido direcionado para cá.

Além disso, também é um fator de atração o diferencial de juros daqui e das demais economias. "Atualmente, o real é uma das moedas favoritas dos investidores justamente por conta desse fato, com as posições vendidas em dólar contra o real sendo a maior aposta contrária à divisa americana", diz Valério.

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