Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h47m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Dólar cai 0,32%, a R$ 4,98, com alta do petróleo após impasse em negociações de paz

Estadão Conteúdo 27/04/2026 18:03

O dólar abriu a semana em queda e fechou a segunda-feira, 27, abaixo do nível psicológico de R$ 5,00 pela segunda sessão consecutiva. A nova rodada de alta dos preços do petróleo, na esteira do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, impulsionou a moeda brasileira, apesar do apetite ao risco reduzido no exterior e do tropeço do Ibovespa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Analistas destacam que o provável desenlace da Super Quarta, 29, será favorável ao real, com manutenção de amplo diferencial entre juros internos e externos. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), na última reunião de Jerome Powell como presidente, tende a manter os juros inalterados e alertar para a inflação ainda elevada. Já o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic novamente em 0,25 ponto porcentual, para 14,50% ao ano.

Em baixa desde a abertura dos negócios, o dólar encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 0,32%, a R$ 4,9821, após mínima de R$ 4,9642.

A moeda norte-americana recua 3,79% em abril, depois de alta moderada em março (0,87%). No ano, o dólar acumula baixa de 9,23% em relação ao real, que exibe o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas.

SESC PICASSO

O economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, afirma que não houve, nos últimos dias, mudança do cenário que vem amparando a valorização do real. Além da tendência global de dólar mais fraco, a moeda brasileira é favorecida pela alta dos preços do petróleo e pela atratividade do carry trade.

"É preciso ver como o petróleo vai se comportar quando a guerra acabar. Mas o choque de energia traz consequências inflacionárias em todo o mundo, o que vai levar a uma política monetária mais conservadora. Isso combina com a visão do real beneficiado pelo diferencial de taxa de juros", afirma Lima, ressaltando que, passado o choque inicial de aversão ao risco com a eclosão da guerra, as moedas emergentes se valorizaram.

CONTADOR - BONUS

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY apresentava ligeiro recuo no fim da tarde, ao redor dos 98,490 pontos, após mínima de 98,214 pontos. A coroa norueguesa avançou cerca de 0,20%, impulsionada pelo petróleo. No mês, o Dollar Index acumula baixa superior a 1,30%. Entre divisas emergentes de países exportadores de commodities, destaque nesta segunda para o real, o dólar australiano e o dólar canadense.

Os preços do petróleo voltaram a subir com o fracasso da segunda rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, durante o último fim de semana. O contrato do Brent para julho, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 2,58%, a US$ 101,69 o barril. O Goldman Sachs elevou a previsão para o preço do Brent no quarto trimestre de US$ 80 para US$ 90 o barril.

Por aqui, à tarde, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o programa de renegociação de dívidas, que está sendo chamado informalmente de Desenrola 2.0, será levado na terça-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anúncio ainda nesta semana. Após alinhamento final do programa em reunião com presidentes dos bancos, o ministro adiantou que haverá descontos de até 90% nas renegociações, assim como a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação das dívidas.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Lima, da Franklin Templeton Brasil, afirma que os fatores domésticos estão, neste momento, em segundo plano e não têm impacto relevante na formação da taxa de câmbio. "Nada disso está realmente "fazendo preço'. O mercado está totalmente voltado para o cenário externo", afirma.

Pela manhã, o Banco Central vendeu 30 mil contratos de swap cambial (US$ 1,5 bilhão), de uma oferta total de 50 mil contratos (US$ 2,5 bilhões) em leilão de rolagem. Se anunciar o início da rolagem de junho sem tentar vender os 20 mil contratos não absorvidos nesta segunda, o BC deixará vencer US$ 1 bilhão em swaps vincendos em maio. Operadores afirmam que parece não haver demanda por hedge cambial, o que permite à autoridade monetária reduzir o estoque de swaps cambiais sem adicionar pressão sobre o mercado de câmbio.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas