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Economia

Dólar atinge R$ 5,44 antes de nova decisão sobre juros no Brasil; Bolsa sobe

FolhaPress 19/06/2024 19:02

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar registrou mais uma sessão de alta e atingiu a marca de R$ 5,441 nesta segunda-feira (19), numa valorização de 0,15%, enquanto o mercado aguarda a divulgação da decisão sobre juros do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central), que deve anunciar no início da noite a nova Selic (taxa básica de juros). Na máxima do dia, a moeda americana atingiu os R$ 5,482.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O movimento do câmbio também foi potencializado pela liquidez reduzida da sessão em razão de um feriado nos Estados Unidos, que reduziu o volume financeiro global.

Já a Bolsa até começou a sessão em queda e chegou a perder os 119 mil pontos na mínima do dia, mas engatou alta no meio da tarde e garantiu um dia positivo, com apoio principalmente do setor financeiro. O Ibovespa encerrou o dia com avanço de 0,52%, aos 120.261 pontos.

A previsão do mercado é que os diretores mantenham a taxa no atual nível de 10,50% ao ano, encerrando o ciclo de cortes de juros iniciado em agosto. Além disso, analistas também esperam que a decisão seja unânime, evitando a forte divisão observada na última reunião.

Na ocasião, os quatro diretores indicados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votaram a favor de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic. Prevaleceu, no entanto, a decisão das outras cinco autoridades, que votaram por uma redução menor, de 0,25 ponto.

Na terça (18), o presidente Lula fez críticas a Roberto Campos Neto, chefe do BC, aumentando ainda mais a tensão e elevando a expectativa sobre o placar desta quarta.

Em entrevista à rádio CBN, Lula afirmou que Campos Neto tem lado político e trabalha para prejudicar o país. O chefe do Executivo também criticou a taxa de juros.

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"O presidente do Banco Central, que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar o país do que para ajudar o país", afirmou.

A manutenção da Selic no patamar atual encerraria uma sequência de sete cortes consecutivos nos juros.

Uma Selic mais alta torna o real mais atraente para uso em estratégias de "carry trade", em que investidores tomam empréstimos em países com taxas baixas e aplicam os recursos em mercados mais rentáveis, de forma a lucrar com o diferencial de juros.

Mas a divisa norte-americana tem acumulado ganhos contínuos nas sessões recentes por conta das dúvidas dos investidores em relação ao compromisso do governo com as contas públicas.

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"A gente vê um viés cada vez mais forte de corte de juros lá fora. Porém, a gente não vem fazendo nosso trabalho de casa. O governo vem gastando mais do que pode", disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

A avaliação é a mesma de Gabriel Meira, sócio da Valor Investimentos, que afirma o risco fiscal deve continuar a afugentar investidores. Só neste mês, até o dia 17 de junho (último dado disponível), os estrangeiros retiraram R$ 6,82 bilhões da Bolsa brasileira.

"Além da aversão ao risco global, com a perspectiva de taxa de juros mais alta nos Estados Unidos, há muita preocupação com a situação fiscal do Brasil. O governo que tem aumentado o gasto e não consegue fazer o aumento da receita, principalmente porque não tem de onde fazer. Isso é menos receita no bolso do governo. Tdo isso tem causado essa aversão e essa desvalorização [do real]", diz Meira.

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