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Economia

Dólar abre próximo da estabilidade nesta quarta após registrar menor valor desde junho de 2024

FolhaPress 12/11/2025 09:54

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar abriu próximo da estabilidade nesta quarta-feira (12) após atingir na véspera o seu menor valor desde junho de 2024.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os investidores aguardam a votação na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) do projeto que pode encerrar a paralisação do governo dos EUA. O texto foi aprovado no Senado na última segunda-feira (10).

Às 9h06, a moeda norte-americana caía 0,01%, cotada a R$ 5,2739. No dia anterior, ele caiu 0,62%, cotado a R$ 5,273. Já a Bolsa avançou 1,6%, a 157.748 pontos, renovando o recorde histórico pela 12º dia seguido, rodando acima de 156 mil pontos pela primeira vez.

A forte valorização dos ativos brasileiros refletiu a disposição dos mercados globais por investimentos considerados mais arriscados. Esse movimento, apelidado de "apetite por risco" no jargão, teve início na noite de segunda-feira, quando o Senado dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei para reestabelecer o financiamento para agências federais.

Com 60 votos favoráveis e 40 contrários, a Casa deu o primeiro passo para encerrar a maior paralisação da história do governo norte-americano, em curso desde 1º de outubro.

Para os mercados, o possível encerramento do shutdown guarda a promessa de normalização. A falta de financiamento deixou centenas de milhares de servidores em licença não remunerada, voos em atraso e, no ponto mais sensível para os operadores, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) no escuro.

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A paralisação afetou a divulgação de dados econômicos essenciais para balizar as decisões de política monetária do banco central, como de inflação e de desemprego. A falta de visibilidade sobre a temperatura da economia pode impedir a continuidade do ciclo de cortes de juros —possibilidade aventada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a reunião de outubro.

Nesse sentido, explica Fernanda Campolina, sócia da One Investimentos, a tendência é que, com o fim da paralisação, o Fed se sinta "mais confortável" para realizar novos cortes ainda em 2025, "o que favorece mercados emergentes como o Brasil".

O texto segue agora para a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), cujo presidente, Mike Johnson, afirmou que pretende aprová-lo até quarta-feira (12). Depois, o projeto segue para sanção do presidente Donald Trump.

A medida prorroga o financiamento federal até 30 de janeiro, mantendo o governo no caminho de adicionar cerca de US$ 1,8 trilhão por ano à dívida pública, que já soma US$ 38 trilhões.

Reduções nos juros dos EUA costumam ser uma boa notícia para os mercados globais. Como a economia norte-americana é vista como a mais sólida do mundo, os títulos do Tesouro, também chamados de "treasuries", são um investimento praticamente livre de risco.

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Quando os juros estão altos, os rendimentos atrativos das treasuries levam operadores a tirar dinheiro de outros mercados. Quando eles caem, a estratégia de diversificação vira o norte, e investimentos alternativos ganham destaque.

Essa perspectiva desvalorizou o dólar globalmente. O índice DXY, que compara a moeda americana em relação a uma cesta de outras seis divisas fortes, caiu 0,14%, a 99,44 pontos.

No caso do Brasil, há ainda mais um fator que favorece os ativos domésticos: o diferencial de juros. Quando a taxa nos Estados Unidos cai e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de "carry trade". Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro.

Por isso, a ata da última reunião do Copom, divulgada mais cedo na terça, reforçou o otimismo. O documento mostrou que o comitê está mais convicto de que a manutenção da taxa básica de juros do país em 15% por tempo "bastante prolongado" será suficiente para levar a inflação à meta.

O colegiado reconheceu que houve moderação gradual na atividade econômica, "certa" diminuição da inflação corrente e "alguma" redução nas expectativas de inflação. Apesar do avanço, as expectativas permanecem acima da meta buscada pelo BC, e esse cenário requer juros altos.

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"A mensagem passada pela ata é de que, mesmo com a inflação mais comportada, não há espaço para cortes de juros no curtíssimo prazo. O tom da ata busca preservar credibilidade e ancorar expectativas, mostrando que o foco segue no combate à inflação de forma consistente e duradoura", afirma José Áureo Viana, Economista, assessor e sócio da Blue3 Investimentos.

O mercado agora espera que o primeiro corte da taxa Selic aconteça na primeira reunião do ano que vem, em janeiro. Essa perspectiva impulsionou o Ibovespa, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Dados de inflação do IPCA, o índice oficial de inflação do país, também foram motor para o impulso. O indicador subiu 0,09% em outubro, abaixo da taxa de 0,48% de setembro e da mediana de projeções de 0,15% da Bloomberg. Em 12 meses até outubro a inflação foi de 4,68%, ante expectativa de 4,75%.

"A inflação mais baixa e o recuo dos juros futuros ampliam o apetite por risco e sustentam o ingresso de capital estrangeiro", diz Sashini.

"Além disso, a alta do petróleo fortalece as ações de Petrobras, ajudando a consolidar a sequência de altas. Com o cenário externo mais estável e o diferencial de juros ainda elevado, o mercado projeta espaço para o índice continuar avançando nos próximos meses."

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