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Economia

Dólar abre estável nesta terça-feira com tensão comercial entre EUA e China e ata do Copom em foco

FolhaPress 04/02/2025 10:24

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar à vista rondava a estabilidade ante o real nas primeiras negociações desta terça-feira (4), à medida que os investidores avaliavam o conflito comercial entre Estados Unidos e China e a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Às 9h04, a moeda americana caía 0,06%, a R$ 5,812.

A política tarifária do presidente Donald Trump foi oficializada no sábado (1º), quando ele assinou um decreto que aplicava taxas adicionais de todas as importações do Canadá, México e China.

Trump conversou com os líderes canadense e mexicano dois dias depois de assinar ordem de taxação e decidiu suspender as tarifas por um mês após acordo para reforçar fronteiras com 20 mil agentes. Medida contra a China deve entrar em vigor.

Já o BC prevê estouro da inflação e reafirmou a intenção de elevar taxa básica de juros em um ponto percentual em março, a 14,25% ao ano, segundo ata do Copom divulgada nesta terça-feira.

O Canadá é de longe o maior fornecedor de petróleo dos EUA, respondendo por cerca de 60% das importações americanas de petróleo bruto. Um oficial da Casa Branca disse que tarifas mais baixas para energia canadense visam minimizar os "efeitos disruptivos" nos custos da gasolina e do aquecimento doméstico nos EUA, mas confirmou que não haveria mais exclusões.

Já os produtos chineses enfrentarão uma tarifa de 10%, além das tarifas já existentes dos EUA.

O governo afirmou que cada decreto contém uma cláusula anti-retaliação, de modo que, se algum país decidir revidar, medidas adicionais serão implementadas.

SESC PICASSO

No próprio sábado, porém, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre 155 bilhões de dólar canadenses (US$ 106 bilhões) em produtos americanos. Os impostos sobre 30 bilhões entrarão em vigor na terça. O restante será efetivado em 21 dias.

Os impostos recairão sobre produtos como cerveja, vinho, uísque, frutas, sucos, roupas, equipamentos esportivos e eletrodomésticos. Trudeau também pediu aos canadenses que evitem comprar produtos americanos, dando preferência aos de produção local.

Ainda sem anunciar represálias como as do Canadá, a China informou que desafiará as tarifas por meio da OMC (Organização Mundial do Comércio).

"A imposição de tarifas pelos EUA viola seriamente as regras da OMC", afirmou o Ministério do Comércio chinês em um comunicado, instando os EUA a "engajarem-se em um diálogo franco e fortalecerem a cooperação."

Já em relação ao México, ambos os países chegaram a um acordo na véspera e a imposição de tarifas de 25% foi adiada em um mês.

O anúncio foi feito pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum no X (ex-Twitter). "Tivemos uma boa conversa com o presidente Trump, com muito respeito à nossa relação e soberania", escreveu ela.

Ela afirmou que o México irá reforçar a fronteira com os vizinhos norte-americanos com 10 mil militares da Guarda Nacional "para evitar o tráfico de drogas para os Estados Unidos, em especial de opioides fentanil". Já os EUA se comprometeram a "trabalhar para evitar o tráfico de armas poderosas ao México".

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Em publicação em sua rede social, a Truth Social, Donald Trump confirmou a suspensão das tarifas e afirmou que os soldados mexicanos serão especificamente designados para interromper o fluxo de fentanil e migrantes indocumentados para os EUA.

Segundo ele, durante o período de suspensão das tarifas, serão realizadas negociações com o país vizinho, lideradas pelo secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

"Estou ansioso para participar dessas negociações com a presidente Sheinbaum, enquanto tentamos alcançar um 'acordo' entre nossos dois países", publicou Trump.

O anúncio fez o dólar perder força em diversas praças cambiais. No Brasil, fechou em queda de 0,34%, cotado a R$ 5,815, depois de ter disparado para a máxima de R$ 5,902 no início da tarde. No México, a divisa perdeu mais de 1% do valor, depois de ter engatado o dia com alta de 3%.

Já a Bolsa caiu 0,13%, aos 125.970 pontos.

"Com Trump é só emoção no mercado, tanto para cima quanto para baixo", diz Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. "E o dólar a R$ 6 ou próximo disso estava também muito inflado. Então é normal buscar uma taxa de equilíbrio", acrescentou, em referência ao fato de a moeda norte-americana ter cedido em todas as últimas 11 sessões ante o real.

Para especialistas, as medidas de Trump podem colocar em curso uma "guerra comercial com esteroides".

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"Essas tarifas anunciam uma nova era de protecionismo comercial dos EUA que afetará todos os parceiros comerciais americanos, sejam rivais ou aliados, e interromperá significativamente o comércio internacional", diz Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell.

A imposição de tributos mais altos pode afetar fluxos comerciais, aumentar custos e provocar retaliações. Na economia doméstica dos EUA, ainda há o risco de um repique inflacionário, o que pode comprometer a briga do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) contra a inflação e forçar a manutenção da taxa de juros em patamares elevados —o que fortalece o dólar.

Neil Shearing, economista-chefe na Capital Economics, calcula que as tarifas podem empurrar a inflação para acima de 3%, em comparação com os 2,6% atuais. Impostos pesados sobre a UE e a China aumentariam os preços nos EUA ainda mais, alertou.

Para o economista André Perfeito, a guerra comercial de Trump "visa aumentar a arrecadação de tributos para tentar sanear o déficit gigante dos EUA".

"O uso de tarifas só faz sentido se feito de maneira cirúrgica, em setores específicos e com bastante dinamismo. Elas encarecem os produtos importados, o que, em tese, favorece a produção local, mas a escolha lógica dos empresários é subir o preço para o novo preço de equilíbrio mais alto, tentando capturar esse excedente", diz ele.

"Contudo, há aí uma grande oportunidade: o Brasil pode comer pelas beiradas e fornecer para Canadá, México e China mais mercadorias. Como se diz, crise é oportunidade e, nesse caso, é a oportunidade da década."

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