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Economia

Dilma Rousseff afirma que ninguém quer assumir lugar dos Estados Unidos e nega desdolarização da economia global

Vitória News 06/07/2025 08:31

Durante a coletiva de encerramento da 10ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), realizada neste sábado (5) no Rio de Janeiro, a presidente da instituição e ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, afirmou que, apesar do crescimento das transações internacionais em moedas locais, não há movimento de substituição do dólar como principal moeda do comércio global.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

“Hoje não tem ninguém querendo assumir o lugar dos Estados Unidos”, declarou Dilma ao ser questionada sobre uma possível desdolarização promovida pelos países do Brics. “Claramente, não há nenhum sinal de desdolarização, não vejo. O que eu vejo é outra coisa, muitos países estão usando suas próprias moedas para o comércio”.

Segundo a presidente do NDB, o que ocorre é uma busca por diversificação nas formas de pagamento entre os países, mas “até onde eu saiba, o mercado financeiro internacional continua dolarizado”. Dilma também ressaltou que decisões sobre o uso de moedas não são tomadas por investidores externos ou por instituições como o NDB, mas sim pelo próprio mercado. “Quem decide isso não é nenhum investidor externo, é o mercado”, afirmou.

A declaração ocorre após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar a proposta de substituição do dólar em transações comerciais no âmbito do Brics, chegando a ameaçar com a imposição de tarifas de até 100% sobre importações de países que adotarem essa medida.

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Novo Banco do Brics ganha dois novos membros

Fundado em 2015, o NDB – conhecido como Banco do Brics – é uma instituição multilateral criada para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países emergentes. Neste sábado, Dilma Rousseff anunciou que Uzbequistão e Colômbia foram aprovados como novos membros da instituição. Com isso, o banco passa a contar com 11 países-membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Bangladesh, Egito, Argélia, além dos dois recém-aprovados.

Investimentos e foco em inovação

Dilma também apresentou um balanço das operações do banco desde sua criação. Segundo ela, o NDB já aprovou 122 projetos de investimento, somando aproximadamente US$ 40 bilhões. Para o Brasil, foram 29 projetos, totalizando US$ 7 bilhões, dos quais US$ 4 bilhões já foram desembolsados – o equivalente a 18% do total distribuído pela instituição.

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Entre as prioridades atuais do banco estão a inovação e o financiamento de ciência e tecnologia. “Para nós, hoje, é fundamental o financiamento de inovação, ciência e tecnologia”, destacou a presidente. Segundo ela, os países membros precisam ser também produtores de tecnologias estratégicas, como a inteligência artificial, e não apenas consumidores de plataformas produzidas por países desenvolvidos.

“É impossível não ter uma industrialização de qualidade que não signifique, necessariamente, a adoção de ciência e tecnologia. Então, nós temos de tornar isso sempre possível e acessível aos nossos países membros”, disse. “Tem um gap entre a situação nossa atual e o que nós temos de fazer para, de fato, não sermos só produtores de commodities ou consumidores de plataforma. Mas para sermos sujeitos ativos.”

Estocar vento: “não era ignorância”

Durante sua fala, Dilma voltou a defender investimentos em energias renováveis e destacou a importância da capacidade de armazenamento de energia eólica e solar – tema que gerou polêmica quando ela era presidente do Brasil e mencionou a necessidade de “estocar vento”.

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“No passado, eu lembro perfeitamente quando eu disse que a gente tinha de armazenar ventos e Sol. Toda a imprensa brasileira aqui presente, eu não sei se todos, mas muitos, acharam que isso era uma ignorância. Pois muito bem, saibam vocês que essa é uma das áreas mais importantes na área de energia para resolver um problema que vocês viram acontecer recentemente na Espanha e Portugal, quando despencou o sistema de transmissão daqueles países”, declarou.

Para Dilma, a capacidade de armazenamento é fundamental para garantir segurança energética e facilitar a transição para fontes renováveis. “Então, é uma área para nós muito importante, a área da energia”.

Brics: bloco amplia influência global

O Brics é formado por 11 membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam como países-parceiros Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.

Sob presidência brasileira, o bloco realiza sua 17ª Reunião de Cúpula nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro. Juntos, os membros do Brics representam 39% do PIB global, 48,5% da população mundial e 23% do comércio internacional. Em 2024, os países do grupo foram destino de 36% das exportações brasileiras e origem de 34% das importações do Brasil.

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