A taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril deste ano, atingindo o menor nível para o período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram um avanço consistente do mercado de trabalho formal no país.
Em relação ao mesmo período de 2024, quando a taxa estava em 7,5%, houve uma queda significativa. Este é o 46º trimestre consecutivo em que a taxa de desocupação apresenta recuo na comparação anual — uma sequência iniciada em julho de 2021.
Rendimento do trabalhador bate recorde histórico
Além da redução no desemprego, o rendimento médio real do trabalhador alcançou R$ 3.426 — o maior valor já registrado em um trimestre encerrado em abril. Esse também é o maior rendimento da série histórica em todos os trimestres comparáveis, incluindo os encerrados em janeiro, julho e outubro.
Queda na informalidade
Outro destaque positivo é a redução da taxa de informalidade, que caiu para 37,9% no trimestre encerrado em abril. O índice é inferior aos registrados no trimestre anterior (38,3%) e no mesmo período de 2024 (38,7%).
Ao todo, o Brasil contabilizou 39,2 milhões de trabalhadores informais em um universo de 103,3 milhões de pessoas ocupadas. A queda da informalidade, segundo o IBGE, foi puxada pela expansão dos empregos formais, principalmente no setor privado.
“O mercado de trabalho está absorvendo [mão de obra] e está seguindo forte e resiliente, mantendo a população ocupada e melhorando a qualidade, com a população com carteira de trabalho assinada sendo a única a crescer”, afirmou o pesquisador do IBGE William Kratochwill.
O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 0,8% em relação ao trimestre anterior e 3,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Evolução por setores
Na comparação trimestral, o setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais registrou crescimento de 2,2%, enquanto os demais permaneceram estáveis.
Já na comparação anual, os seguintes segmentos apresentaram expansão:
| Setor | Variação anual (%) |
|---|---|
| Indústria geral | 3,6% |
| Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas | 3,7% |
| Transporte, armazenagem e correio | 4,5% |
| Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias etc. | 3,4% |
| Administração pública e serviços sociais | 4,0% |
Por outro lado, a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura teve retração de -4,3%.
Subutilização e desalento também recuam
A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 15,4%, estável na comparação trimestral, mas com queda em relação ao mesmo período de 2024, quando o índice era de 17,4%.
A população subutilizada foi estimada em 18 milhões de pessoas, o que representa uma redução de 10,7% em relação ao ano anterior.
O número de brasileiros em situação de desalento — aqueles que gostariam de trabalhar, estavam disponíveis, mas não procuraram emprego — foi de 3,1 milhões, o que representa uma redução anual de 11,3%. O percentual de desalentados caiu de 3,1% para 2,7%.
Contexto otimista
Os dados reforçam a resiliência do mercado de trabalho brasileiro e apontam para uma melhora na qualidade do emprego, com mais vínculos formais e aumento da renda. Essa conjuntura tem impacto direto na economia, no consumo e na arrecadação pública, e pode indicar um cenário mais favorável para os próximos meses.