Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h07m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Descuido do governo e traição a Motta e Alcolumbre colocam oposição no comando da CPI do INSS

FolhaPress 20/08/2025 18:31

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em um descuido do governo Lula (PT) e uma traição aos presidentes da Câmara e do Senado, a oposição emplacou nesta quarta-feira (20) os dois principais cargos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do escândalo de descontos ilegais no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em uma reviravolta articulada nas últimas 24 horas, segundo os próprios parlamentares, bolsonaristas apresentaram candidato próprio para a presidência e derrotaram o senador Omar Aziz (PSD-AM), que havia sido indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Com a escolha decidida no voto, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente por 17 votos a 14 e indicou o deputado federal bolsonarista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) para a relatoria. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-TO), havia escolhido Ricardo Ayres (Republicanos-TO), seu colega de partido.

A votação surpreendeu até mesmo o novo relator, que contou ter sido procurado horas antes pelos líderes do PL e do União Brasil na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) e Pedro Lucas Fernandes (MA), além do copresidente da federação União Brasil e Progressistas, Antônio Rueda -partidos que têm juntos quatro ministérios no governo, além da Caixa Econômica Federal.

"Hoje fui tomado pela surpresa quando fui chamado dizendo que meu nome, caso o senador Viana fosse eleito presidente, iria ser colocado como relator", afirmou Gaspar durante a sessão.

SESC PICASSO

Após o resultado, Motta foi ao Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência da República, e conversou com o presidente Lula por cerca de 20 minutos.

Na sequência, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), responsável pela articulação política do governo, convocou os líderes da base no Congresso para uma reunião de última hora no Palácio do Planalto.

Nos bastidores, a eleição foi vista não só como uma falha na articulação do governo, mas também como uma nova afronta da oposição à autoridade dos presidentes da Câmara e do Senado, que haviam acertado relator e presidente antes da instalação da CPMI, como é de praxe.

"Existe um respeito à ordem natural das coisas, mas, enfim, houve a candidatura inesperada do senador [Viana]. O governo achou que seria só a instalação e aconteceu o que aconteceu", disse Ayres à reportagem ao sair da sala da CPMI.

"Ninguém imaginava que houvesse esse desrespeito à liturgia. Mas na Casa tem acontecido muitas coisas semelhantes, como a ocupação do plenário. Sigo como membro, vou continuar fazendo o meu trabalho, defendendo o que eu defendo e bola para a frente."

CONTADOR - BONUS

Após a derrota, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), deixou a sala da CPMI e foi ao gabinete do presidente da Câmara. Randolfe atribuiu a derrota à ausência de nomes da base, como o deputado federal Rafael Brito (MDB-AL), que está em missão oficial.

Com a votação inesperada e a jato, deputados federais bolsonaristas que são suplentes votaram no lugar de governistas que teriam dado mais votos a Aziz.

O senador chegou a reclamar que a votação tinha sido encerrada rapidamente, antes que parte dos membros pudesse votar. A senadora Tereza Cristina (PP-AL), que presidia a sessão por ser a parlamentar mais velha do grupo, negou que tivesse favorecido a oposição.

Pelas regras internas, a votação pode ser encerrada com o voto da maioria absoluta dos membros (9 senadores e 9 deputados, no caso da CPMI do INSS). O placar foi anunciado quando 16 senadores e 15 deputados federais já haviam votado -ou seja, quando já havia maioria absoluta.

A vitória de Viana foi festejada por bolsonaristas. "Esse trabalho foi de ontem para hoje e quero agradecer também o grande articulador, nosso deputado líder do PL, Sóstenes", disse o deputado coronel Chrisóstomo (PL-RO), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Anuncio - Raimundo - Bonus

Para desgastar do governo, a expectativa da oposição é avançar sobre José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das entidades colocadas sob suspeita.

Nesta terça-feira (19), Gaspar publicou um texto nas redes sociais em que atribuía as fraudes no INSS ao governo Lula e prometia, como membro da CPMI, lutar pela responsabilização dos culpados.

Com as investigações já avançadas da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre as fraudes no INSS, além do pagamento a parte das vítimas, a CPMI deve ampliar a apuração para empréstimos consignados a aposentados.

"Quem está aqui é um presidente que quer esclarecer o que aconteceu, pedir a punição dos culpados e, principalmente, gerar novos projetos e políticas que não permitam a repetição de um momento tão vergonhoso para o Brasil", disse Viana após a vitória.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher no governo Bolsonaro, havia sido escolhida por Aziz para ser vice-presidente, mas Viana afirmou que a vaga (que cabe a um senador) será definida até a próxima sessão.

A CPI tem inicialmente até 180 dias para concluir a investigação. O prazo pode ser prorrogado, mas a expectativa é que a comissão seja encerrada até o fim deste ano.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas