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Derrota frustra governistas, e aliados do Planalto avaliam abandonar CPI do INSS

FolhaPress 22/08/2025 08:56

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A derrota sofrida pelo governo na eleição para o comando da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS deixou aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frustrados e sem ânimo para se desgastar no colegiado defendendo a gestão petista. Ao menos dois integrantes da comissão de inquérito indicaram nos bastidores que querem deixar o grupo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Tratam-se dos senadores Eduardo Braga, líder do MDB, e Renan Calheiros (MDB-AL), ex-presidente do Senado. Nenhum dos dois era entusiasta da CPI desde o início, mas a perda do comando do colegiado deixou a permanência de ambos insustentável, na avaliação de congressistas ouvidos pela Folha.

Havia um acordo, costurado com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o senador Omar Aziz (PSD-AM) presidisse a CPI e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) fosse o relator.

Tanto Aziz quanto Ayres têm proximidade com a gestão Lula. Mas o plano de colocá-los na cúpula do colegiado precisava ser confirmado em uma eleição no primeiro encontro oficial dos integrantes da comissão.

SESC PICASSO

O governo se descuidou enquanto a oposição se organizava. Aziz perdeu a eleição de presidente da CPI na quarta-feira (20) para o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que escolheu Alfredo Gaspar (União-AL) como relator. O comando de opositores sobre a comissão de inquérito deixará muito mais desgastante o trabalho de quem quiser defender o governo.

Braga e Renan devem ter conversas com a bancada de senadores emedebistas nos próximos dias para comunicar a vontade de deixar o colegiado e, provavelmente, escolher dois substitutos.

Caso a troca seja confirmada, é provável que haja um enfraquecimento político do grupo lulista na comissão. Braga e Renan estão entre os integrantes mais poderosos do Senado.

O plano governista para proteger a gestão Lula na CPI inclui a participação de congressistas com densidade política –também foram indicados para o colegiado outros três líderes de bancada governistas, Cid Gomes (PSB-CE), o próprio Aziz (PSD-AM) e Rogério Carvalho (PT-SE).

CONTADOR - BONUS

Depois da derrota, ainda na quarta-feira, congressistas aliados de Lula foram ao Palácio do Planalto para uma reunião com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política. Em seguida, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), falou a jornalistas que a culpa pela derrota havia sido dele próprio.

Randolfe também afirmou que os aliados do governo têm maioria na CPI e podem decidir quais requerimentos para convocar depoentes ou quebrar sigilos bancários serão aprovados.

As contas da oposição convergem com as do governo, mas há uma nuance. A maioria seria apertada e, graças ao fato de bolsonaristas e lulistas integrarem formalmente o mesmo bloco na Câmara, deputados suplentes de direita podem votar no lugar de deputados governistas caso esses estejam ausentes.

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Isso acontece porque houve um arranjo político na Câmara para quase todos os partidos, inclusive PT e PL, ficarem no mesmo bloco usado para dividir os principais postos de poder na Casa. A aliança não tem nada de programática: era apenas para dividir cargos, mas acabou servindo para que a oposição tomasse o controle da CPI.

Agora, setores da direita querem usar o colegiado para desgastar Lula mais ou menos como a CPI que investigou as ações do governo federal na pandemia de Covid-19, em 2021, desgastou o então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Um dos principais alvos do grupo bolsonarista é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico. Ele é irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das entidades citadas no escândalo de descontos ilegais em aposentadorias.

Opositores do governo, como o senador Izalci Lucas (PL-DF) e o relator da CPI, Alfredo Gaspar, já apresentaram requerimentos de convocação e até de quebra de sigilo bancário de Frei Chico. As primeiras votações no colegiado são aguardadas para a semana que vem.

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