Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h29m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Defensoria pede R$ 10 mi para indenizar donos de carros no aeroporto de Porto Alegre

FolhaPress 05/06/2024 16:42

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul entrou com uma ação civil pública de R$ 10 milhões contra a empresa de estacionamentos Estapar e a companhia de seguros Porto Seguro para ressarcimento de clientes que tiveram os carros alagados no aeroporto Salgado Filho e no pátio do hotel Deville Prime, ambos em Porto Alegre.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ação foi uma reação ao comunicado enviado pela Estapar aos clientes e à imprensa na semana passada no qual informou que não iria ressarcir os donos dos veículos atingidos pelas enchentes que levaram ao fechamento do aeroporto em 3 de maio.

Desde então, os carros permaneceram no local por mais de um mês. A retirada só começou nesta terça-feira (4).

"Por se tratar de um evento de magnitude sem precedentes, cujos efeitos não eram possíveis de se evitar ou impedir, a companhia esclarece que não poderá atender aos pedidos de ressarcimento por danos sofridos nos veículos", informou a Estapar, que administra o estacionamento no aeroporto da capital gaúcha.

"E reforça que, de acordo com a legislação brasileira vigente, não existe responsabilidade da companhia para o ocorrido", disse a nota da empresa.

Em resposta, o defensor público Felipe Kirchner, do Núcleo de Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas, protocolou a ação civil pública na terça solicitando uma indenização de R$ 10 milhões por dano moral ou social.

A Defensoria Pública pede ainda a suspensão da cobrança do estacionamento e que seja impedido o pagamento de quantias para liberação dos veículos que estão no aeroporto.

"Entendemos que eles [a Estapar] se amparam na questão da calamidade, mas isso não rompe a responsabilidade. O risco do negócio é das fornecedoras, no caso a Estapar e a Porto Seguro, que atuam em conjunto no aeroporto", afirma ele.

SESC PICASSO

"O que eles querem é transferir este risco para os consumidores. Existe um benefício da ação conjunta entre as empresas, que é o lucro que elas obtêm, mas na hora que os consumidores mais ficam vulneráveis, eles se isentam de responsabilidade", diz Kirchner.

O defensor afirma que a Estapar foi negligente ao permitir a entrada de veículos mesmo após o aeroporto ter sido fechado. "O evento climático no estado começou no dia 27 (de abril), houve intensificação em 29 (de abril) e teve maior impacto em Porto Alegre a partir de 1º de maio. No dia 3, o aeroporto Salgado Filho foi fechado às 20h30 e a Estapar continuou permitindo a entrada de veículos até 22h50 do dia 3. Foi negligente da parte da Estapar", avalia.

Foi às 22h50 que a Estapar divulgou em seu perfil no X (antigo Twitter) um pedido para que os donos dos carros que estavam no aeroporto retirassem os veículos. "Devido a calamidade no RS, imprevisível e sem precedentes, a Estapar orienta preventivamente que donos de carros que estão nas áreas térreas do estacionamento do Aero POA retirem o seu carro ou usem o 0800-0105560 para infos e medidas, por conta de iminente risco de alagamentos", informava a empresa.

Porém, três horas antes, a Fraport Brasil, concessionária que administra o aeroporto, havia anunciado a suspensão de pousos e decolagens. A Defesa Civil já havia emitido um alerta de evacuação para moradores e trabalhadores do centro histórico nas ruas que formam o polo comercial da cidade. Na manhã do dia 3, as águas do rio Guaíba já haviam invadido os bairros da zona norte.

CONTADOR - BONUS

"Além disso, não há indícios de adoção da condutas diretas e eficientes de contenção de danos. A conduta das fornecedoras caracteriza abuso de direito segundo o Código do Consumidor", comentou o defensor público.

Por isso, a Defensoria protocolou a ação e busca uma maior velocidade para o pagamento de indenizações aos clientes. "A ação coletiva tem uma série de benefícios, pois dá celeridade ao processo e uniformidade. Fizemos pedidos de urgências e esperamos que tramite o mais rápido possível", afirmou Kirchner.

Na ação, o órgão cobra as seguintes medidas das empresas

- Em dez dias, enviar relação dos consumidores afetados, com seus nomes, documentos de identificação e contato

- Em dez dias, enviar lista de bens danificados dos proprietários dos veículos e extensão dos danos

- Em dez dias, enviar documentos e contratos que formalizam a parceria comercial entre Estapar e Porto Seguro

- De forma imediata, deixar de cobrar, desde 29 de abril, qualquer tarifa dos consumidores com carros estacionados nas unidades afetadas

- De forma imediata, não reter e não condicionar liberação dos veículos ao depósito ou pagamento de qualquer valor

- Indenizar os danos patrimoniais de todos os consumidores que tiveram os veículos e bens atingidos pelos alagamentos nos estacionamentos

- Em dez dias, apresentar plano de ressarcimento de todos os consumidores que tiveram veículos e bens atingidos

Anuncio - Raimundo - Bonus

- Publicar propaganda durante ao menos cinco dias em veículos de imprensa de grande circulação informando que, devido à ação civil pública, estão obrigadas a assumir a responsabilidade pelos danos causados aos consumidores

ESTAPAR DESCARTA RESSARCIMENTO; PORTO SEGURO DIZ QUE PAGARÁ

Procurada, a Estapar disse em comunicado que "ainda não foi acionada pela Defensoria Pública do Estado de Rio Grande do Sul, mas está à disposição do órgão para quaisquer esclarecimentos necessários".

A empresa voltou a informar que não atenderá os pedidos de ressarcimento, repetindo o comunicado da semana passada. A companhia afirmou que não cobrará a taxa de estacionamento a partir de 3 de abril.

A Estapar iniciou nessa terça-feira (4) a operação para retirada dos veículos que estão no aeroporto. Os proprietários poderão retirar os veículos de segunda a sábado, das 8h30 às 17h, sendo que a recomendação é que os carros com placa de número final par serão liberados nos dias pares, e os veículos com placa de número final ímpar sairão nos dias ímpares.

Em nota à imprensa, a Porto Seguro contestou a informação que é a seguradora no aeroporto de Porto Alegre e disse que irá ressarcir os clientes atingidos pelas enchentes.

"A Porto Seguro informa que todos os sinistros veiculares decorrentes de alagamentos avisados e com apólices vigentes no Rio Grande do Sul foram e serão indenizados, incluindo os veículos segurados que estavam localizados nos estacionamentos da Estapar. A companhia esclarece que não é seguradora do espaço afetado no Aeroporto Salgado Filho. Ressalta ainda que dobrou a quantidade de prestadores na região para minimizar os efeitos da calamidade, acolhendo o povo gaúcho", disse a empresa.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas