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Economia

CVM abre processo para apurar denúncia do Itaú contra ex-diretor

FolhaPress 09/12/2024 19:19

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu nesta segunda-feira (9) processo administrativo para apurar a divulgação de denúncia do Itaú contra seu ex-diretor financeiro Alexsandro Broedel por violação de políticas internas e conflito de interesses.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A autarquia não dá informações sobre o processo, que foi aberto por sua gerência de acompanhamento de empresas com base na supervisão de notícias, fatos relevantes e comunicados. O Itaú não quis comentar o assunto.

Os processos administrativos da CVM são procedimentos preliminares que envolvem a busca de informações sobre determinado caso para definir pela acusação ou não de empresas ou executivos do mercado.

As primeiras informações sobre o caso foram reveladas em reportagem do jornal "Valor Econômico", com base numa ata de assembleia geral extraordinária publicada pelo banco na madrugada de sábado (7). Segundo a ata, a conduta do ex-diretor foi alvo de apurações internas concluídas no dia 24 de novembro

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O banco acusa Broedel de ter recebido recursos por meio de uma participação em pagamentos feitos a Eliseu Martins, reconhecido como um dos maiores contadores do país e fornecedor de pareceres para o banco.

Alexsandro Broedel, que em julho pediu demissão do banco para assumir um cargo no Santander na Espanha, afirma que acusações são infundadas e que tomará medidas judiciais. Martins também diz que vai acionar o Itaú por tentar atingir seu nome e o de sua família.

O Itaú protocolou na Justiça protesto para reaver os recursos. Nesse documento, diz que Broedel se desligou do banco no dia 5 de julho, mas permaneceu vinculado à instituição, como administrador licenciado, seguindo a política de desincompatibilização prevista.

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No fim de julho, o banco diz ter recebido informações de que o executivo prestara serviços de parecerista e consultor ao mercado, enquanto ainda era executivo do banco, situação que estaria em desconformidade com o código de ética do Itaú.

Após um processo de apurações internas iniciadas em 13 de agosto, Broedel foi destituído definitivamente do cargo no dia 24 de setembro.

Conforme o relato do banco em sua petição na Justiça, suas apurações preliminares apontaram que Broedel e o contador Eliseu Martins eram sócios na Broedel Consultores desde 2012. Tal sociedade, porém, nunca teria sido declarada pelo executivo aos controles internos do Itaú.

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Os números apresentados pelo banco apontam que, entre junho de 2019 e junho de 2024, Brodel contratou 40 pareceres na Care Consultores, que teria como sócios Eliseu Martins e seu filho Eric Aversari Martins, gerando 21 pagamentos somados em mais de R$ 13 milhões.

Segundo o banco, desde janeiro de 2019, as empresas Care e Evam Consultores (cujos sócios são Eliseu e os filhos Eric e Vinicius Aversari Martins) fizeram 56 transferências ao executivo e a sua empresa Broedel Consultores, sendo que 23 destas transferências, no valor total de R$ 4,8 milhões, se referem aos pagamentos do Itaú.

Segundo a ata do Itaú, não há impacto nas demonstrações financeiras nem em outras empresas que fazem parte do grupo. O Itaú comunicou as acusações também ao Banco Central, mas o órgão disse que não se pronunciaria sobre o caso.

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