CPRs e LCAs concentram os maiores volumes no início da safra 2026/27, enquanto CRA, CDCA e Fiagro ampliam as alternativas de financiamento do setor
O financiamento privado ganhou peso no início da safra 2026/27 e já movimenta cifras superiores a R$ 1,4 trilhão quando considerados os principais instrumentos ligados ao agronegócio. O maior volume está concentrado nas Cédulas de Produto Rural (CPRs) e nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
Em julho, o estoque de CPRs alcançou R$ 580,78 bilhões. Ao todo, estavam registrados cerca de 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão cada.
Somente no primeiro mês do novo ciclo agrícola foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPRs, reforçando o papel do instrumento como uma das principais alternativas utilizadas por produtores e empresas para captar recursos fora das linhas tradicionais de crédito rural.
As LCAs aparecem logo atrás, com estoque de R$ 560,37 bilhões. Pelas regras aplicáveis ao instrumento, pelo menos 60% desse montante precisa retornar ao agronegócio, o equivalente a aproximadamente R$ 336,22 bilhões.
Dentro desse volume, R$ 151,30 bilhões devem obrigatoriamente ser direcionados ao crédito rural oficial.
Outros instrumentos do mercado de capitais também acumulam valores expressivos. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) chegaram a R$ 174,20 bilhões, enquanto os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) somaram R$ 30,21 bilhões.
Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, conhecidos como Fiagros, registraram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões.
Os números mostram a diversificação das fontes de recursos disponíveis para financiar produção, armazenagem, comercialização e investimentos ao longo das cadeias agropecuárias.
Com a expansão dos títulos privados e dos fundos direcionados ao setor, o mercado de capitais ocupa espaço cada vez maior no financiamento da atividade rural, complementando os recursos disponibilizados pelas linhas oficiais de crédito.