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Cortes de Trump ameaçam ajuda a refugiados e conservação ambiental no Brasil

FolhaPress 28/02/2025 01:50

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Organizações brasileiras e internacionais dedicadas à proteção ambiental e ao apoio a refugiados por meio do acesso a higiene e alimentação estão suspendendo seus programas no Brasil devido ao congelamento da ajuda externa pelo governo Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Uma delas é a Cáritas Brasileira, entidade social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que paralisou por tempo indeterminado o projeto Sumaúma, responsável pela distribuição de 1.800 refeições diárias a venezuelanos e pessoas em situação de rua em Boa Vista (RR) -entre 2022 e 2024, elas somaram mais de 1,2 bilhão.

Outro projeto afetado foi o Orinoco, que disponibilizava gratuitamente instalações sanitárias com banheiros, chuveiros e lavanderias na capital do estado e em Pacaraima, registrando mil acessos todos os dias. Em 2024, mais de 50 mil pessoas utilizaram os serviços.

O Sumaúma dependia de recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), principal órgão de assistência internacional dos EUA, que suspendeu por 90 dias o financiamento a diferentes programas ao redor do mundo.

Já o Orinoco contava com apoio do Escritório de Refugiados e Imigrantes, conhecido como PRM, também do governo americano. Com apoio da União Europeia e das Cáritas Alemanha e Suíça, instalações foram reabertas temporariamente em Pacaraima nos últimos dias.

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"Ficamos bastante preocupados com essa situação, porque os projetos nasceram [em 2019] justamente para preencher uma lacuna no atendimento a pessoas migrantes, refugiadas e em situação de rua", afirma Giovanna Kanas, assessora nacional da Cáritas Brasileira.

"Hoje, o atendimento em Roraima está mais organizado do que naquela época, com mais organizações atuando, além dos serviços da Operação Acolhida. Mas sabemos que a pressão nessas outras entidades será maior [com a suspensão do Orinoco e Sumaúma], e provavelmente algumas pessoas não conseguirão assistência."

O Acnur, a agência da ONU para refugiados, que também recebia financiamento da Usaid, relata que suspendeu cerca de 40% de seus programas no país, o que limitará a distribuição de kits de higiene para migrantes e o fornecimento de itens de cozinha para abrigos na região Norte.

Entre as ações prejudicadas, está um projeto de autonomia financeira voltado para essa população.

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"Investimentos do Acnur são centrados em refugiados em situação de maior vulnerabilidade. Isso significa que pessoas em situações já drásticas terão menos acesso a esses recursos", diz Miguel Pachioni, oficial de comunicação da entidade.

Segundo ele, a expectativa é que a limitação de recursos comprometa o fundo global de ação do Acnur, o que reduzirá a capacidade de intervenção em emergências como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, quando a agência atuou na resposta humanitária e na assessoria técnica para planos de reconstrução do estado.

No campo ambiental, o IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) deixou de coordenar ações de monitoramento da Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, que integravam o Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade).

A ONG ambiental tinha o papel de articular diferentes parceiros envolvidos no projeto, como o Serviço Florestal Brasileiro e o Museu Paraense Emílio Goeldi, para a coleta de dados em áreas de conservação e manejo florestal. O objetivo era avaliar os impactos da atividade econômica sobre a biodiversidade local.

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"Não executávamos as ações sozinho, mas as coordenávamos. O que o IPÊ fazia era otimizar a atuação do próprio governo federal, somando esforços e trazendo mais recursos financeiros e humanos para fortalecer o monitoramento nas áreas", explica Débora Lehmann, coordenadora executiva do Componente de Monitoramento Participativo da Biodiversidade do IPÊ.

"Quando nos tiram dali, [o programa] volta para o orçamento original, com o que já existe de recursos e pouca gente, então tudo acaba ficando mais lento, mas acontece e é bem realizado, só que em outro tempo e dentro da disponibilidade deles."

O IPÊ envolvia a comunidade local nas ações, capacitando moradores para coletar dados sobre biodiversidade, como a incidência de diferentes espécies de borboletas e o crescimento de plantas.

Recursos da entidade vinham da Usaid e do Serviço Florestal dos EUA, que também foi alvo de cortes de verbas pelo governo Trump.

Nesta semana, um juiz federal de Washington ordenou que o financiamento à Usaid e a programas humanitários fosse restabelecido até quarta-feira (26).

O governo Trump recorreu à Suprema Corte poucas horas antes do prazo final, e o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, deu vitória a Trump ao suspender a ordem que exigia o pagamento de quase US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,5 bilhões) em ajuda externa congelados.

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