A decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, foi recebida com cautela pelo setor industrial. Para a Confederação Nacional da Indústria, o corte não é suficiente para estimular a economia nem aliviar o custo do crédito.
Apesar de marcar o primeiro recuo em quase dois anos, a taxa básica segue em nível considerado elevado. A avaliação da indústria é de que a política monetária ainda impõe restrições relevantes ao crescimento, dificultando investimentos produtivos e ampliando o endividamento das famílias.
Juro real elevado pressiona atividade
Com a Selic no patamar atual, o juro real chega a cerca de 10,4% ao ano, bem acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central, que gira em torno de 5%. Na prática, isso indica uma política monetária mais restritiva do que o necessário para equilibrar inflação e atividade econômica.
Segundo a indústria, o nível considerado adequado para esse equilíbrio estaria próximo de 10,1% ao ano, o que evidencia uma diferença relevante em relação ao patamar atual.
Inflação desacelera, mas crescimento perde força
O cenário inflacionário mostra sinais de controle. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumulado em 12 meses até fevereiro recuou para 3,81%. As projeções de mercado também permanecem dentro da meta, mesmo diante de pressões externas.
Ainda assim, os dados econômicos indicam desaceleração. O Produto Interno Bruto cresceu 2,3% em 2025, abaixo do resultado do ano anterior. O consumo das famílias perdeu ritmo, enquanto os investimentos também recuaram no período.
O ambiente de juros elevados também tem impacto direto no crédito. O comprometimento da renda das famílias com dívidas aumentou, assim como os índices de inadimplência.
Risco de estagnação preocupa setor
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o cenário atual levanta o alerta para o risco de estagflação, combinação de baixo crescimento com inflação persistente.
A entidade defende que o Banco Central acelere o ritmo de cortes nas próximas reuniões, argumentando que uma redução mais consistente dos juros é necessária para estimular a economia, reduzir o custo do crédito e melhorar as condições de investimento no país.
A próxima decisão do Copom está prevista para o fim de abril e deve ser acompanhada de perto pelo mercado.