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Economia

Conheça os caminhos para financiar a casa própria em 2024

FolhaPress 15/12/2023 16:08

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O financiamento é o caminho de quase 90% dos brasileiros para conquistar a casa própria. Com as reduções consecutivas da Selic (taxa básica de juros), a perspectiva é de aumento na demanda pelo crédito imobiliário em 2024.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Embora a queda não tenha efeito imediato nos juros cobrados pelos bancos, a expectativa é de ajustes até o fim do próximo ano.

Hoje, a taxa média de financiamento imobiliário nos bancos é 11% ao ano. Quando a Selic estava em 2% ao ano, a média era de 7% ao ano. Mas a decisão sobre o momento de financiar um imóvel vai além da espera do corte de juros. O planejamento inclui a escolha da linha de financiamento mais adequada ao perfil do comprador.

Criado em 1964 para diminuir o déficit habitacional do país -atualmente em mais de 18 milhões de unidades-, o SFH (Sistema Financeiro de Habitação) é o financiamento mais tradicional. As fontes dos recursos para custear o crédito são a caderneta de poupança e o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

O comprador pode financiar até 80% do valor do imóvel -que não pode ultrapassar R$ 1,5 milhão- com juros limitados a 12% ao ano + TR (Taxa Referencial).

Se for o primeiro imóvel, é possível usar o saldo do FGTS como parte do pagamento. O parcelamento pelo SFH tem prazo máximo de 35 anos, e as prestações não podem ultrapassar 30% da renda mensal do consumidor.

Dentro do SFH está o programa habitacional MCMV (Minha Casa, Minha Vida), voltado para famílias com renda mensal de até R$ 8.000. Nessa opção, o valor do imóvel não pode passar de R$ 350 mil, e a taxa de juros máxima é de 8,15%.

Trabalhadores informais também podem financiar pelo MCMV, desde que comprovem renda por meio de extratos bancários e declaração de Imposto de Renda.

Os contratos e registros dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida são feitos prioritariamente no nome da mulher. Se ela for "chefe de família", podem ser firmados mesmo sem a outorga do cônjuge, exigência geral prevista no Código Civil.

SESC PICASSO

Famílias com renda mensal entre R$ 2.000 e R$ 2.640 podem financiar imóveis no valor de R$ 190 mil até R$ 264 mil a depender da cidade onde moram ou trabalham. A taxa de juros máxima nesse caso é de 4,5% ao ano.

Na faixa de renda entre R$ 2.640,01 e R$ 4.400, é possível financiar imóveis no valor de até R$ 264 mil, com juros até 7,66% ao ano.

Quem tem renda de R$ 4.400,01 a R$ 8.000 entra na última faixa do programa federal. Nesse caso, a taxa de juros é de 7,66% para quem tem FGTS e de 8,15% para os não cotistas do fundo. O maior valor possível é de R$ 350 mil.

Para imóveis que custam acima de R$ 1,5 milhão, o financiamento é pelo SFI (Sistema Financeiro Imobiliário). O modelo é gerido por recursos privados, permitindo a livre negociação entre clientes e instituições financeiras. Não há limitação de renda nem de financiamentos.

Pelo SFI, o comprador pode financiar 100% do valor e a aplicação da taxa de juros varia de acordo com condições específicas, como relacionamento com o banco.

Desde agosto de 2021, o saldo do FGTS também pode ser usado para quitar ou amortizar prestações nesse tipo de financiamento, desde que seja a residência do comprador e obedeça alguns requisitos.

O ideal é simular financiamentos em diferentes bancos para chegar à melhor opção, apresentando a proposta de um para o outro.

Pelo site do Banco Central é possível verificar as taxas de juros de financiamento imobiliário para pessoa física de todos os bancos que oferecem o crédito.

CONTADOR - BONUS

Para imóveis que não se enquadram no Minha Casa, Minha Vida, a Caixa, responsável por quase 70% dos financiamentos imobiliários contratados no país, cobra 8,99% ao ano desde agosto de 2023 pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo),

Ao simular a negociação é preciso considerar que quanto mais parcelas tiver o contrato, maiores serão os juros e os encargos. A dica é sempre avaliar o CET (Custo Efetivo Total) para entender quanto exatamente será pago pelo financiamento.

É possível ainda financiar diretamente com as construtoras. Em geral, a opção só existe enquanto o imóvel está "na planta" e o prazo para quitar a dívida é menor do que 35 anos.

Comprar um imóvel em construção pode ser uma forma de diluir o pagamento durante o período de obras -que leva, em média, três anos.

Quem opta por financiar direto com a construtora, paga ainda parcelas semestrais e um valor na entrega das chaves. O processo de financiamento é semelhante aos dos bancos: o cliente faz uma simulação, passa por uma análise de crédito e entrega a documentação solicitada.

Ao escolher o tipo de financiamento, é preciso considerar por qual índice será feita a correção do contrato.

O financiamento atrelado à TR (Taxa Referencial) conta com uma taxa fixa + variação da TR, que está zerada desde 2017. A vantagem, no momento, é a previsibilidade da prestação, que será praticamente a mesma em todos os meses.

Já o parcelamento vinculado ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal medidor da inflação brasileira, a taxa de juros costuma ser menor. Porém, as prestações não são fixas. O saldo devedor é atualizado mensalmente pelo IPCA na data de vencimento das prestações.

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Alguns bancos trabalham com linhas de financiamento imobiliário corrigidas pela poupança. Elas apresentam uma taxa fixa somada ao rendimento da caderneta de poupança, que equivale a 70% da Selic.

SAC OU PRICE

A escolha pelo tipo de amortização afeta o valor das parcelas, a quantia total de juros e o prazo de pagamento da dívida. Pela tabela Price, as prestações serão sempre iguais, mas compostas por mais juros.

Pelo SAC (Sistema de Amortização Constante) as parcelas são maiores no início e menores no fim, por causa da diminuição progressiva dos juros.

Segundo o Serasa Ensina, a escolha deve seguir a capacidade financeira momentânea do consumidor. Para quem não pode dispor de valores mensais mais altos no começo, a Price é mais indicada, mas é preciso ficar atento para não usar todo o limite do orçamento.

Já para quem quer pagar menos juros e pode arcar com valores mais altos no início do financiamento, pode ser melhor financiar pelo SAC.

PASTA DE DOCUMENTOS

Uma falha na apresentação dos documentos pode travar a compra da casa própria. Por isso, é importante deixar a documentação separada com a maior antecedência possível. Confira quais os principais documentos exigidos:

**Para liberar o FGTS**

- Cópia da Carteira de Trabalho

- Cópia da declaração de Imposto de Renda mais recente

- Extrato atualizado do FGTS (emitido pela Caixa)

- Comprovante da residência atual

**Pessoais**

- RG e CPF

- Certidão de nascimento

- Certidão de casamento (se casado/a ou em união estável)

- Documentos pessoais do cônjuge

**Para comprovação de renda**

- Recibo da última declaração do Imposto de Renda

- Últimos três holerites

- Extrato bancário dos últimos três a seis meses se for autônomo

- Comprovantes de demais rendas

**Do imóvel**

- Matrícula do imóvel

- Certidão do IPTU do imóvel

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