A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta sexta-feira (20) que acompanha com atenção e cautela os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas impostas com base em poderes de emergência pelo presidente Donald Trump.
Segundo levantamento da entidade, com base em dados de 2024 da United States International Trade Commission (USITC), a suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% aplicadas a produtos brasileiros pode representar impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos.
A decisão judicial atinge especificamente tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa). Permanecem em vigor, no entanto, medidas adotadas por outros instrumentos legais, como as tarifas da Seção 232 da Trade Expansion Act, relacionadas a razões de segurança nacional, incluindo aço e alumínio, além de taxas vinculadas a práticas consideradas desleais.
A indústria do café avaliou positivamente o entendimento da Suprema Corte. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) destacou que a previsibilidade e a segurança jurídica são fundamentais para a estabilidade da cadeia produtiva. O setor vinha sendo impactado especialmente pelas tarifas sobre o café solúvel, que permaneceram mesmo após a suspensão da taxa de 40% sobre o café em grão.
Outros segmentos também reagiram. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) afirmou que a decisão reduz parte da imprevisibilidade recente no ambiente comercial e alivia a pressão sobre exportações brasileiras afetadas pelas tarifas baseadas na Ieepa. A entidade, contudo, informou que seguirá acompanhando os desdobramentos, sobretudo após o anúncio de uma nova tarifa global de 10% por até 150 dias, fundamentada na Seção 122 da legislação comercial norte-americana.
No setor de pescados, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) avaliou que a eventual consolidação da queda das tarifas pode ampliar a presença brasileira no mercado norte-americano. A entidade projeta aumento de até 100% nas exportações de pescados aos Estados Unidos e crescimento estimado de 35% nas vendas totais do setor, com impacto relevante sobre a cadeia produtiva da tilápia.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também informou acompanhar a decisão com cautela e os desdobramentos políticos posteriores. A associação ressaltou que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados e que o setor já enfrenta tarifas elevadas dentro da estrutura tarifária americana.
Após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou a criação de uma nova tarifa global de 10%, válida por até 150 dias, com base na Seção 122, instrumento que permite medidas temporárias para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos. O movimento indica possível reconfiguração da estratégia comercial norte-americana, mantendo o cenário de incerteza para parte das exportações brasileiras.