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Economia

Com a queda de juros, ativos prefixados e atrelados à inflação são mais vantajosos

FolhaPress 20/03/2024 18:50

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A nova redução da Selic para 10,75% nesta quarta-feira (20) reduz a rentabilidade de ativos de renda fixa, em especial, os pós-fixados, que acompanham a variação da taxa de juros. Isso deixa os produtos prefixados mais vantajosos, apontam analistas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Para eles, os títulos com a remuneração híbrida, que combinam juros prefixados e a inflação ou o DI (semelhante à Selic) acumulados no período são a melhor opção na renda fixa neste momento.

Nesta quarta, era possível adquirir títulos prefixados do Tesouro Direto com juro anual acima de 10% e vencimento a partir de 2027. No caso dos títulos IPCA+, os juros prefixados que os acompanhavam eram 5,66% e 5,77% nos vencimentos de 2029 e 2035, respectivamente.

Considerando que o mercado espera uma inflação abaixo de 4% ao ano até 2027 e uma Selic de 8,50%, esses títulos se mostram vantajosos no longo prazo, com rentabilidade real anual (descontando o IPCA) perto de 6%.

"Títulos pós-fixados passam a rentabilizar menos [com cortes na Selic] e perdem a atratividade. Por outro lado, os prefixados, para quem já tem esse ativo na carteira, continuam rendendo a mesma coisa, e passam a ser mais atrativos", diz Rafael Haddad, planejador financeiro do C6 Bank.

SESC PICASSO

Levando em conta a incidência de Imposto de Renda, há instrumentos ainda mais rentáveis, aponta o especialista. Segundo seus cálculos, CDBs a 112% de CDI (que acompanha a Selic) têm uma rentabilidade líquida real no mesmo patamar, a 5,44%, considerando os próximos 12 meses. Debêntures incentivadas (isentas de IR) a 96% do CDI rendem ainda mais: 5,79%.

Para capturar a maior rentabilidade possível ofertada pela renda fixa, reduzindo riscos, a chave é diversificar, diz ele.

"Cada tipo de ativo, cada indexador, se beneficia em um cenário diferente. E é um cenário que está sempre mudando, é difícil de prever. Daí a importância de sempre diversificar", afirma Haddad.

"Ainda há prêmio nos prefixados, e os que também trazem a variação do DI e do IPCA trazem uma boa diversificação para o portfólio", afirma Guilherme Sharovsky, chefe de crédito privado da Bloxs Capital Partners.

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Nesta classe de produtos híbridos, ele recomenda as novas emissões de debêntures incentivadas após mudanças promovidas pelo governo federal neste mercado, restringindo as emissões de CRI e CRAs (certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio) e ampliando a possibilidade de ofertas incentivadas.

"Há boas emissões acontecendo, o que gera uma oportunidade de curto prazo bem interessante", diz Sharovsky.

Outro efeito da queda da Selic é a redução da diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos, o que tende a desvalorizar o real ante o dólar, fortalecendo a inflação.

Considerando a expectativa do mercado de os EUA cortarem sua taxa de juros apenas em junho, é possível que o IPCA seja impactado.

Caio Schettino, chefe de alocações da Criteria trabalha com esse cenário e recomenda que o investidor se proteja da inflação e de uma eventual alta do dólar.

"Hoje, vemos títulos de dívida nos EUA com uma rentabilidade em dólar de mais de 8%, que é um nível muito interessante, especialmente com a expectativa de corte de juros por lá este ano", diz Schettino.

Segundo o especialista, outra oportunidade de investimento nos mercados americano e brasileiro são as empresas listadas em Bolsa, mas com baixa capitalização, chamadas de small caps.

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"O Russell 2000, que seria o nosso índice SmallCap, está com uma queda do seu pico em torno de 20%, enquanto o S&P registra máxima histórica", afirma Schettino.

Outras oportunidades na Bolsa de Valores brasileira, segundo ele, são ações ligadas ao consumo doméstico, dada a queda de juros e o aumento da massa salarial, e as de empresas mais alavancadas, como as de construção civil, já que uma Selic menor reduz o peso financeiro da dívida.

POUPANÇA AINDA VALE A PENA?

Diferentemente de outros produtos de renda fixa, a poupança não tem a sua rentabilidade alterada com a redução da Selic.

Por lei, ela continua rendendo 6,17% + TR (Taxa Referencial) ao ano, o que deve totalizar 7,73% nos próximos 12 meses, projeta Haddad, com uma TR de 1,56%.

Considerando a inflação, ele estima um ganho líquido real de 4,08% no mesmo período -o investimento é isento de IR. Dessa forma, o dinheiro da poupança não deve se desvalorizar, mas há outros produtos de renda fixa mais rentáveis e com liquidez semelhante, como o Tesouro Selic.

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