Entidade sugere ações emergenciais para empresas afetadas e estratégia permanente de internacionalização da indústria brasileira
A Confederação Nacional da Indústria defendeu a continuidade das negociações com os Estados Unidos como principal caminho para reduzir os impactos das novas tarifas sobre os produtos brasileiros.
O governo norte-americano anunciou uma cobrança adicional de 12,5% sobre parte das exportações nacionais. A medida se soma, em muitos casos, à sobretaxa de 25% que já havia entrado em vigor, elevando a tributação total para 37,5%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo continuará apoiando os esforços do governo federal para alcançar uma solução negociada.
A declaração foi dada após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Estratégia terá duas frentes
Segundo a CNI, governo e representantes da indústria discutiram uma estratégia dividida entre medidas emergenciais e ações de longo prazo.
No curto prazo, a proposta é oferecer suporte às empresas prejudicadas pelas barreiras comerciais, com participação de instituições como ApexBrasil, ABDI, Sebrae, BNDES, Sesi, Senai e Instituto Euvaldo Lodi.
As medidas poderão envolver apoio financeiro, qualificação profissional, abertura de mercados e assistência às empresas que precisarem redirecionar suas exportações.
Nova missão da política industrial
Para o longo prazo, a CNI propôs a criação de uma sétima missão do programa Nova Indústria Brasil, voltada à inserção das empresas nacionais nas cadeias produtivas internacionais.
A iniciativa teria caráter transitório e seria direcionada inicialmente aos setores mais afetados pelas tarifas dos Estados Unidos.
A proposta é criar uma política contínua de apoio à internacionalização, à competitividade e à diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
Um grupo de trabalho coordenado pela CNI deverá reunir representantes dos segmentos industriais atingidos e das federações estaduais com atuação no comércio exterior.
O Ministério do Desenvolvimento ficará responsável pela articulação dos órgãos públicos envolvidos.
Programa possui seis missões
Atualmente, a Nova Indústria Brasil está organizada em seis áreas estratégicas:
Cadeias agroindustriais sustentáveis
Complexo econômico-industrial da saúde
Infraestrutura, saneamento, habitação e mobilidade
Transformação digital da indústria
Bioeconomia e transição energética
Tecnologias para soberania e defesa
A nova missão seria voltada especialmente à internacionalização das empresas e à redução dos efeitos provocados pelas barreiras comerciais.
Tarifas afetam cerca de 4 mil produtos
A estimativa da CNI é que aproximadamente 4 mil produtos brasileiros sejam atingidos pelas novas cobranças, alcançando cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações destinadas aos Estados Unidos.
A sobretaxa de 25% preservou uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os produtos excluídos dessa cobrança estavam café, suco de laranja e carne.
A entidade ainda analisa os impactos específicos da nova tarifa de 12,5%, especialmente sobre os produtos industrializados.
Para Ricardo Alban, o aumento das alíquotas reduz significativamente a competitividade das mercadorias brasileiras no mercado norte-americano.
Indústria dos EUA também pode ser afetada
Dados da CNI mostram que 60,3% das exportações brasileiras atingidas pela tarifa de 25% são formadas por bens intermediários.
Esses produtos incluem matérias-primas, peças e componentes utilizados pelas próprias indústrias dos Estados Unidos na fabricação de outras mercadorias.
A confederação avalia que essa característica pode abrir espaço para negociações, já que o encarecimento dos produtos brasileiros também poderá elevar os custos de empresas norte-americanas.
Inteligência artificial e minerais críticos
A CNI identificou áreas em que Brasil e Estados Unidos podem ampliar a cooperação econômica, como inteligência artificial, centros de processamento de dados e minerais críticos.
A entidade defende que esses recursos sejam processados no Brasil antes da exportação, ampliando a geração de empregos, renda e valor agregado no país.
Ricardo Alban informou ainda que a CNI enviou uma carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, defendendo a manutenção das negociações com a participação dos setores industriais dos dois países.
Fonte: Brasil 61, com informações da Confederação Nacional da Indústria