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Economia

CNI defende negociação com EUA e propõe nova missão industrial contra tarifaço

Entidade sugere ações emergenciais para empresas afetadas e estratégia permanente de internacionalização da indústria brasileira

Vitória News 25/07/2026 09:14
CNI defende negociação com EUA e propõe nova missão industrial contra tarifaço
Foto: Tânia Rêgo/ABr

A Confederação Nacional da Indústria defendeu a continuidade das negociações com os Estados Unidos como principal caminho para reduzir os impactos das novas tarifas sobre os produtos brasileiros.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O governo norte-americano anunciou uma cobrança adicional de 12,5% sobre parte das exportações nacionais. A medida se soma, em muitos casos, à sobretaxa de 25% que já havia entrado em vigor, elevando a tributação total para 37,5%.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo continuará apoiando os esforços do governo federal para alcançar uma solução negociada.

A declaração foi dada após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Estratégia terá duas frentes

Segundo a CNI, governo e representantes da indústria discutiram uma estratégia dividida entre medidas emergenciais e ações de longo prazo.

No curto prazo, a proposta é oferecer suporte às empresas prejudicadas pelas barreiras comerciais, com participação de instituições como ApexBrasil, ABDI, Sebrae, BNDES, Sesi, Senai e Instituto Euvaldo Lodi.

As medidas poderão envolver apoio financeiro, qualificação profissional, abertura de mercados e assistência às empresas que precisarem redirecionar suas exportações.

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Nova missão da política industrial

Para o longo prazo, a CNI propôs a criação de uma sétima missão do programa Nova Indústria Brasil, voltada à inserção das empresas nacionais nas cadeias produtivas internacionais.

A iniciativa teria caráter transitório e seria direcionada inicialmente aos setores mais afetados pelas tarifas dos Estados Unidos.

A proposta é criar uma política contínua de apoio à internacionalização, à competitividade e à diversificação dos destinos das exportações brasileiras.

Um grupo de trabalho coordenado pela CNI deverá reunir representantes dos segmentos industriais atingidos e das federações estaduais com atuação no comércio exterior.

O Ministério do Desenvolvimento ficará responsável pela articulação dos órgãos públicos envolvidos.

Programa possui seis missões

Atualmente, a Nova Indústria Brasil está organizada em seis áreas estratégicas:

Cadeias agroindustriais sustentáveis

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Complexo econômico-industrial da saúde

Infraestrutura, saneamento, habitação e mobilidade

Transformação digital da indústria

Bioeconomia e transição energética

Tecnologias para soberania e defesa

A nova missão seria voltada especialmente à internacionalização das empresas e à redução dos efeitos provocados pelas barreiras comerciais.

Tarifas afetam cerca de 4 mil produtos

A estimativa da CNI é que aproximadamente 4 mil produtos brasileiros sejam atingidos pelas novas cobranças, alcançando cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações destinadas aos Estados Unidos.

A sobretaxa de 25% preservou uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os produtos excluídos dessa cobrança estavam café, suco de laranja e carne.

A entidade ainda analisa os impactos específicos da nova tarifa de 12,5%, especialmente sobre os produtos industrializados.

Para Ricardo Alban, o aumento das alíquotas reduz significativamente a competitividade das mercadorias brasileiras no mercado norte-americano.

Indústria dos EUA também pode ser afetada

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Dados da CNI mostram que 60,3% das exportações brasileiras atingidas pela tarifa de 25% são formadas por bens intermediários.

Esses produtos incluem matérias-primas, peças e componentes utilizados pelas próprias indústrias dos Estados Unidos na fabricação de outras mercadorias.

A confederação avalia que essa característica pode abrir espaço para negociações, já que o encarecimento dos produtos brasileiros também poderá elevar os custos de empresas norte-americanas.

Inteligência artificial e minerais críticos

A CNI identificou áreas em que Brasil e Estados Unidos podem ampliar a cooperação econômica, como inteligência artificial, centros de processamento de dados e minerais críticos.

A entidade defende que esses recursos sejam processados no Brasil antes da exportação, ampliando a geração de empregos, renda e valor agregado no país.

Ricardo Alban informou ainda que a CNI enviou uma carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, defendendo a manutenção das negociações com a participação dos setores industriais dos dois países.

Fonte: Brasil 61, com informações da Confederação Nacional da Indústria

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