Pesquisa divulgada nesta terça-feira (1º) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 29% das indústrias usam cabotagem para transporte de cargas. Entre as 65% que não utilizam o modal, uma em cada cinco empresas (20%) afirmaram que poderiam recorrer à cabotagem caso houvesse melhores condições de infraestrutura.
O levantamento também revela que nove em cada dez empresários que conhecem o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem, o BR do Mar, enxergam benefícios na regulação, principalmente pela redução de despesas operacionais. A expectativa de queda nos custos foi citada por 85% das empresas que já utilizam o modal e por 70% daquelas que ainda não utilizam.
De acordo com a analista de Infraestrutura da CNI, Paula Bogossian, o estudo oferece um panorama sobre o uso da cabotagem no país e mostra a visão do setor industrial sobre o BR do Mar, regulamentado em julho pelo governo federal.
Vantagens e obstáculos
A cabotagem é o transporte de mercadorias entre portos de um mesmo país, utilizando navegação costeira ou hidroviária. Entre as vantagens em relação ao transporte rodoviário estão: redução de custos, menor índice de roubos, menor impacto ambiental — seis vezes menos poluente — e capacidade de movimentar grandes volumes.
Hoje, o modal representa apenas 11% da matriz nacional de transporte, sendo que 75% do volume corresponde a petróleo e derivados. Os principais obstáculos apontados foram incompatibilidade geográfica (45%), falta de rotas (39%), maior tempo de trânsito (15%) e distância até os portos (15%).
Para o professor do Departamento de Administração da UnB, Aldery Silveira Júnior, o potencial é enorme: “Cada viagem de navio tira da estrada 170, 180 caminhões. O ganho é muito grande em termos de segurança nas rodovias, de preservação e de redução da poluição”, destacou.
Perfil do uso e impacto do BR do Mar
O interesse pela cabotagem é maior no Rio Grande do Sul (17%), seguido por Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina (13% cada). Já entre os usuários, empresas de grande porte lideram (44%), enquanto médias somam 22% e pequenas apenas 7%.
Segundo a CNI, 79% das empresas que utilizam a cabotagem destacaram a redução de custos como principal fator, seguida pela segurança no transporte (21%). A Confederação calcula que a adoção mais ampla poderia reduzir em até 13% os custos logísticos do país.
O BR do Mar, sancionado em 2022 e regulamentado em julho de 2025, prevê investimentos, mais oferta de navios e maior participação de empresas internacionais. O programa ainda deve definir cláusulas de contratos de longo prazo e o conceito de embarcação sustentável.
Participaram da pesquisa 195 empresas de 29 setores da indústria em todas as regiões do Brasil.
Fonte: Br61