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Economia

CNA questiona no STF importação de arroz autorizada pelo governo federal

FolhaPress 03/06/2024 18:45

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) questionou no STF (Supremo Tribunal Federal) a decisão do governo federal de autorizar a importação de arroz. A entidade também quer explicações do governo sobre a medida, vista como um equívoco de diagnóstico.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A confederação protocolou, nesta segunda-feira (3), uma ação pedindo a suspensão do primeiro leilão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), marcado para quinta-feira (6), para a compra do cereal importado. A ação ainda não foi distribuída para um ministro relator.

O governo Lula (PT) anunciou a importação de até 1 milhão de toneladas de arroz pelo receio do impacto das enchentes no Rio Grande do Sul na inflação de alimentos. O estado responde por cerca de 70% da produção no Brasil. De acordo com o Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), 82,9% das lavouras foram colhidas antes das chuvas.

Segundo a CNA, no entanto, a importação tem potencial de desestruturar a cadeia produtiva, criando instabilidade de preços, prejudicando produtores locais, desconsiderando os grãos já colhidos e armazenados, e, ainda, comprometendo as economias de produtores rurais que hoje já sofrem com a tragédia e com os impactos das enchentes.

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A entidade questiona a constitucionalidade das normas referentes ao tema. São duas medidas provisórias, duas portarias interministeriais e uma resolução do comitê gestor da Câmara de Comércio Exterior. Os textos preveem a importação de até 1 milhão de toneladas do produto.

"Dados realistas do setor indicam que a safra gaúcha de 2023/2024 foi de aproximadamente 7,1 milhões de toneladas de arroz, patamar aproximado ao volume colhido pelo Estado na safra 2022/2023, que foi de 7,239 milhões de toneladas, segundo dados do Irga", diz a entidade.

Na ação, a CNA indica que os produtores rurais, especialmente os produtores de arroz do RS, não foram ouvidos no processo de formulação dessa política de importação.

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"Não só os sindicatos locais, mas também a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a própria CNA detêm informações técnicas relevantes e dados de produção e colheita do arroz que demonstram que o risco de desabastecimento não existe e que a política de importação do arroz se revelaria desastrosa e contrária ao funcionamento do mercado."

Ainda segundo a confederação, o fato de o governo não ter planejado a medida de importação do arroz com a participação do setor produtivo é uma das razões que levaram "aos equívocos de diagnóstico da situação, bem como à incapacidade de se identificar com precisão onde estariam os gargalos que poderiam suscitar investimentos imediatos".

A entidade afirma, ainda, que a importação do arroz viola a Constituição e seria uma medida abusiva de intervenção do poder público na atividade econômica, restringindo a livre concorrência.

"O arroz produzido e colhido pelos produtores rurais gaúchos certamente sofrerá com a predatória concorrência de um arroz estrangeiro, subsidiado pelo governo federal e vendido no Brasil fora dos parâmetros econômicos de fixação natural de preços", diz a peça enviada ao STF.

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O primeiro leilão ocorreria em 21 de maio, mas ele foi suspenso pela Conab. A estatal não informou imediatamente a razão da suspensão da operação, que inicialmente compraria cerca de 104 mil toneladas de arroz importado por terceiros.

O governo brasileiro estimou gasto de R$ 2,3 bilhões em uma primeira operação para compra de arroz importado e posterior venda subsidiada aos consumidores a preço controlado de R$ 4 o quilo, segundo informações do Ministério da Agricultura.

Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, os estímulos do governo brasileiro à importação de arroz têm como função combater a especulação de preços observada no último mês e não é uma medida para afrontar os produtores gaúchos.

"Em hipótese alguma o governo queria afrontar os produtores de arroz, agora, precisamos olhar o problema de forma holística. Tem gente querendo criar um movimento especulativo em cima da tragédia, o governo precisa coibir isso", disse Fávaro, afirmando que os preços do saco de 5 kg subiram de 30% a 40% nos últimos 30 dias, no varejo.

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