A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no óleo diesel no país. A proposta é elevar o percentual atual de 15% (B15) para 17% (B17).
O pedido foi formalizado em ofício entregue ao gabinete do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A proposta deve ser analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para quinta-feira (12).
Segundo a entidade, a medida poderia reduzir os impactos da recente alta internacional do petróleo sobre o preço do diesel no Brasil, combustível fundamental para o transporte de cargas e para as atividades agrícolas.
De acordo com o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, distribuidoras estariam repassando aumentos aos postos de combustíveis mesmo sem reajuste oficial da Petrobras. Ele afirma que federações de agricultura relataram elevação de até R$ 1 no preço do diesel em algumas regiões.
A CNA considera esse movimento desproporcional. A Petrobras é responsável pela maior parte das importações de diesel do país, cerca de 70%, e até o momento não anunciou reajustes.
Levantamento da confederação aponta que o preço do barril de petróleo bruto chegou a aproximadamente US$ 84, valor mais de 20% superior ao registrado no fim de fevereiro. Como referência, a entidade cita o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando a alta de cerca de 40% no barril do Brent resultou em aumento de 21% a 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel.
Nesse contexto, a CNA avalia que ampliar a participação do biodiesel poderia reduzir a dependência do combustível fóssil e ajudar a conter custos logísticos.
Oferta de matéria-prima
Produzido a partir do processamento de grãos, o biodiesel também tem impacto direto no setor agrícola. Atualmente, o diesel comercializado no país já contém 15% do biocombustível, enquanto a gasolina possui mistura de 30% de etanol.
Segundo a CNA, a safra recorde registrada no último ciclo agrícola garante disponibilidade de matéria-prima suficiente para atender a uma eventual ampliação da mistura.
A entidade também ressalta que o diesel é insumo essencial para o funcionamento de tratores, colheitadeiras e caminhões utilizados no escoamento da produção agrícola. Por isso, o controle de custos do combustível é considerado estratégico para o setor.
Pelo cronograma anterior da política de biocombustíveis, a elevação para 16% de biodiesel (B16) deveria ter sido discutida no início de março, o que não ocorreu.
Diante do cenário internacional e das condições de produção agrícola no país, a CNA defende que a adoção direta do percentual de 17% pode representar uma alternativa competitiva para o mercado brasileiro e para o setor agropecuário.