O prognóstico climático divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia para o trimestre de março a maio de 2026 indica um período de transição nas condições atmosféricas do país. O cenário exige atenção do setor agropecuário devido à possibilidade de variações na umidade do solo e ao risco de estresse hídrico em culturas de segunda safra.
Segundo o instituto, enquanto regiões do Norte e do Centro-Oeste devem manter níveis adequados de umidade para o desenvolvimento do milho safrinha, áreas do Nordeste e do Sudeste podem enfrentar restrições hídricas mais severas ao longo do trimestre, com potencial impacto na produtividade de grãos e na disponibilidade de pastagens.
Norte e Nordeste
Na Região Norte, a previsão indica chuvas acima da média histórica em grande parte do Amazonas, Pará e Roraima. O volume de precipitações deve manter a umidade do solo acima de 80%, favorecendo o desenvolvimento inicial do milho segunda safra e a manutenção das pastagens.
Apesar das condições favoráveis à umidade, o excesso de chuvas pode dificultar operações de campo, como colheita e manejo, além de aumentar riscos fitossanitários em determinadas culturas. No sul do Tocantins, por outro lado, a previsão aponta redução das chuvas e queda no armazenamento de água no solo ao longo do trimestre.
No Nordeste, o cenário tende a ser mais restritivo. A previsão indica chuvas abaixo da média em grande parte da região, com déficits significativos no litoral do Rio Grande do Norte e da Paraíba. As temperaturas também podem ficar até 1 °C acima da média histórica.
Essa combinação pode reduzir o armazenamento hídrico do solo para níveis inferiores a 30%, afetando lavouras de sequeiro, especialmente milho e feijão. Estados como Piauí, Pernambuco e Bahia podem registrar maior demanda por irrigação, principalmente nas áreas de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.
Centro-Oeste, Sudeste e Sul
No Centro-Oeste, o prognóstico indica chuvas acima da média em Mato Grosso e no norte de Mato Grosso do Sul durante o início do trimestre. As condições são consideradas favoráveis para o estabelecimento do milho safrinha e do algodão em março e abril.
A partir de abril, entretanto, a tendência é de redução gradual da umidade do solo. Os níveis podem cair para menos de 60% em maio, elevando o risco de déficit hídrico durante fases críticas de desenvolvimento das lavouras.
Para o Sudeste, o cenário aponta chuvas abaixo da média no centro-norte de Minas Gerais, além de áreas do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. No início do trimestre, a umidade do solo ainda deve ser suficiente para culturas como milho, feijão e trigo de sequeiro.
Com a possível redução das chuvas ao longo do período, contudo, aumenta o risco de estresse hídrico, sobretudo se houver atraso no plantio da segunda safra, o que pode fazer com que as lavouras entrem nas fases de florescimento e enchimento de grãos sob menor disponibilidade de água.
Na Região Sul, a tendência é de recuperação gradual da umidade no Rio Grande do Sul e manutenção de níveis relativamente elevados nas demais áreas. No Paraná, as condições são consideradas favoráveis para culturas como milho, batata e feijão de segunda safra.
Ainda assim, a previsão de chuvas abaixo da média em Santa Catarina e no sudoeste do Paraná, associada a temperaturas ligeiramente acima do normal, exige acompanhamento por parte dos produtores. Já no noroeste do Rio Grande do Sul, o excesso de chuvas previsto para abril e maio pode reduzir as janelas de colheita da soja e do arroz, com possíveis reflexos na qualidade final dos grãos.